terça-feira, 21 de julho de 2015

.: "Dinheiro", uma crônica de João Tavares Neto

Por João Tavares Neto
Em julho de 2015

Não é novidade que todo mundo precisa de dinheiro, mas uma questão precisa ser respondida. Ser rico é mesmo sinônimo de liberdade? Eu não sei. Acredito ser natural que o pobre pense numa forma de enganar a miséria, percebo que pessoas ricas não pensam em outra coisa, exceto ficarem mais ricas, gente de bom coração para fazer mais caridades, enfim, é lugar comum saber que, nesta vida, quase tudo tem um valor material, inclusive coisas de caráter subjetivo, como poder, prestígio, popularidade, fama, reputação etc..

Como exceção da natureza humana intransponível, tudo se resume ao dinheiro.

Para muitos, proletários, que têm um orçamento limitado pelo salário mensal, o dinheiro é um sonho. Ele representa a possibilidade de ultrapassar a barreira de mundos impossíveis, e assim, viajar por lugares onde o conforto, o luxo e o prazer façam parte de sua rotina. Basta você desejar e obter. Avião particular, automóveis caros, boates, teatros, shows, jantares com celebridades, entre outras coisas.

No entanto, mesmo com bastante dinheiro, há um limite bastante rígido que não se pode ir além. Nestes casos, ser rico proporciona apenas o que está à venda, nada que seja autêntico e natural. Por exemplo, se você perde uma perna, o dinheiro lhe dará a melhor perna que já fabricaram, mas artificial. A natureza não se vende. Tanto no milionário quando no pobrezinho a característica de mutilado é a mesma.

E tem as limitações do cotidiano. Não interessa o quanto você seja rico, não poderá comer mais do que cabe no estômago, dormir mais do que as horas normais de sono e amar mais do que a nossa capacidade de amor.  

É que na essência somos todos iguais. E eu não conheço caso algum de alguém riquíssimo que procurasse uma mulher de quatro braços, simplesmente para mostrar o seu poder aquisitivo. Todas têm olhos, nariz, boca, duas mãos e dois pés. Ele até pode, em algumas sociedades, se casar com duas mulheres, mas teria que aceitar se divertir com uma mulher de cada vez.

Além disso, outros problemas surgem quando se é excessivamente rico. O homem que tem grande capital, aplicações em bolsa de valores, passa dias e noites a cuidar do seu dinheiro, porque passado de certa quantidade de dinheiro ele deixa de ser seu servo para lhe transformar em servo dele, o cidadão portador de um pequeno diamante pode andar livremente com ele, sem correr grande perigo, mas quem tem muitas joias não pode andar com elas no pescoço.

Ele terá que alugar um cofre, contratar seguro e ficar alerta para que o ladrão não invada sua casa, tentando roubar o seu tesouro.

Em resumo, não tem nada de glamour na pobreza, mas não tenha inveja dos ricos. Aliás, não sinta inveja de ninguém. A meta é satisfazer as suas necessidades e, na medida do possível, realizar alguns sonhos.

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