terça-feira, 15 de setembro de 2015

.: O legado de B. B. King, por Mario Checchetto

Por Mario Checchetto*

Riley Ben King, mais conhecido como B. B. King. Nascido em 16 de setembro de 1925, foi um guitarrista de blues, compositor e cantor norte-americano. O "B. B." em seu nome significa Blues Boy, seu pseudônimo dos tempos em que atuava em programas de rádio. 

Foi considerado, ao lado de Eric Clapton e Jimi Hendrix, um dos melhores guitarristas do mundo pela revista norte-americana "Rolling Stone".

B. B. King tinha como ídolos guitarristas de jazz como Django Reinhardt e Charlie Christian, e guitarristas de rhythm & blues, sendo o principal deles T-Bone Walker. Foi dentro deste gênero - Rhythm & Blues - que depois passou a ser denominado apenas Blues, que B.B. King desenvolveu sua carreira, sendo depois considerado (exageros à parte) o criador desse estilo musical.

Ao longo de sua carreira, B.B. King foi contemplado com 15 prêmios Grammy. Era apreciado por seus solos, nos quais, ao contrário de muitos guitarristas, preferia usar poucas notas. Ele usava a guitarra como um instrumento essencialmente melódico, ao invés de se acompanhar com uso de acordes, o que seria o esperado de um guitarrista. Ele criava melodias que se contrapunham à melodia que cantava.

Guitarristas de gerações posteriores à dele, como Mike Bloomfield, Albert Collins, Buddy Guy, Jimi Hendrix, Johnny Winter, George Harrison e o próprio Eric Clapton, entre muitos outros, seguiram a sua técnica como modelo e assumem sua influência.

B. B. King gravou, entre 1949 e 2000, cerca de 140 compactos simples e 30 álbuns como líder, fora incontáveis gravações em trabalhos de outros artistas

O “Rei do Blues” frequentou a maioria dos festivais de jazz por todo o mundo, incluindo o Newport Jazz Festival e o Kool Jazz Festival New York e sua presença tornou-se regular no circuito por universidades e colégios.

Em 1989 fez uma turnê de três meses pela Austrália, Nova Zelândia, Japão, França, Alemanha Ocidental, Países Baixos e Irlanda, como convidado especial da banda U2, participando igualmente no álbum Rattle and Hum, deste grupo, com o tema "When Love Comes to Town".

Uma curiosidade de King é que chamava as suas guitarras pelo nome de "Lucille” uma tradição que vem desde a década de 1950. No inverno de 1949, King se apresentou num salão de dança em Twist, no Arkansas. 

Com o intuito de aquecer o salão, acendeu-se um barril meio cheio de querosene no centro, prática muito comum na época. Durante a apresentação, dois homens começaram a brigar e entornaram o barril que imediatamente espalhou chamas por todo o lado. 

Durante a evacuação, já fora do estabelecimento, King percebeu que tinha deixado a sua guitarra de 30 dólares no edifício em chamas. Voltou a entrar no incêndio para reaver a sua Gibson acústica, escapando por um triz. Duas pessoas morreram nesse incidente. No dia seguinte, soube que os dois homens tinham começado a briga por causa de uma mulher chamada Lucille. A partir dai  passou a chamar as suas guitarras por esse nome.

A Gibson Guitar Company, gigante fabricante de guitarras, o nomeou embaixador das guitarras Gibson no mundo, e criou um modelo B. B. King. King morreu na madrugada de 15 de maio de 2015, enquanto dormia, aos 89 anos.

Sobre o autor:*Mario Checchetto é professor de saxofone, improvisação e história do jazz da Faculdade Santa Marcelina (FASM)
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