segunda-feira, 9 de novembro de 2015

.: A vez da matemática, por Luiz Gonzaga Bertelli

Luiz Gonzaga Bertelli*


A matemática é a disciplina escolar que mais receio causa nos alunos. E também nos adultos, que já foram alunos um dia. Pesquisa realizada em 25 cidades brasileiras com adultos de mais de 25 anos, mostra que a maioria não sabe fazer operações matemáticas básicas como cálculos de porcentagens, juros e frações. A ciência é detestada por 43% das pessoas e 65% deles apontam dificuldades na escola com a disciplina. De acordo com a pesquisa, 75% não sabem calcular médias simples, 63% não conseguem responder a perguntas sobre percentuais, 75% não entendem frações e 69% não conseguem fazer contas com taxas de juros. Em avaliações parecidas, feitas em países desenvolvidos, o resultado é quatro vezes melhor.

O estudo, encomendado pelo Instituto Círculo da Matemática do Brasil, aponta para um problema endêmico que atinge o ensino no país. O temor da matemática traz influências perniciosas para o desenvolvimento. Uma sociedade que não tem bons conhecimentos matemáticos torna-se pouco competitiva no mercado internacional. Não consegue acompanhar as inovações tecnológicas e fica sempre em segundo plano no campo científico. Além disso, o desconhecimento nesse campo gera dificuldades nas áreas comerciais e financeiras. Como saber quais os melhores investimentos para o dinheiro se o aplicador não sabe calcular juros e porcentagens? É uma deficiência que pode causar, até mesmo, um impacto negativo na economia.

A matemática também é a matéria base para carreiras importantes como a engenharia, que sofreu nos últimos anos, um esvaziamento de profissionais qualificados. Países como China, Coréia do Sul, que hoje desenvolvem tecnologia de ponta e que, até pouco tempo, tinham graves problemas de educação, avançaram bastante e formam muito mais profissionais nessa área que o Brasil. E a engenharia é um símbolo de carreira que anda ao lado do desenvolvimento. Quanto mais um país cresce, mais precisa de profissionais dessa área.

Os sintomas dessa educação deficiente chegam ao CIEE, que detecta problemas na formação de gerações de estudantes nos processos seletivos que organiza para empresas e órgãos públicos. Esse foi um dos motivos para a criação dos cursos Matemática básica I, Matemática básica II, Matemática financeira e Finanças no rol da educação à distância que o CIEE oferece gratuitamente em seu portal para os jovens que buscam vagas de estágio e aprendizagem.

Dessa forma, o CIEE contribui para atenuar um problema sério que precisa, evidentemente, ser corrigido em sua base. A melhoria na qualidade da formação dos professores deve ser um dos principais itens da lista. Assim como uma adequação estrutural da disciplina nas escolas, com mais aulas e com um enfoque diferente que mostre a importância da matemática no nosso dia a dia.

*Luiz Gonzaga Bertelli é presidente do Conselho de Administração do CIEE, do Conselho Diretor do CIEE Nacional e da Academia Paulista de História (APH).

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