terça-feira, 22 de março de 2016

.: Livro traz thriller de não-ficção que resgata emblemático sequestro

Thriller de não-ficção resgata  emblemático sequestro de atriz e diretor de cinema, arquitetado pelo ex-ditador norte-coreano Kim Jong-IL. “Uma produção de Kim Jong-Il” mostra como  o cinema, uma das grandes paixões do ditador, era usado como  propaganda de governo


Ainda criança, Kim Jong- Il se apaixonou pela sétima arte quando seus pais o levaram ao recém-inaugurado Estúdio Coreano de Cinema.  Com apenas 25 anos, ele assumiu o Departamento de Propaganda do país e tinha assim uma poderosa ferramenta em suas mãos. Com dinheiro ilimitado e extenso conhecimento sobre filmes, faltava a ele, no entanto, experiência como cineasta. Para suprir esta carência, o ditador planejou o sequestro do premiado diretor sul-coreano Shin Sang-ok e de sua ex-mulher, a célebre atriz Choi Eun-hee. Parece ficção, mas a história real é contada no livro “Uma produção de Kim Jong-Il”, que chega ao Brasil pela Editora Record neste mês de março.

Os relatos de Shin e Choi foram o ponto de partida do autor Paul Fischer, que realizou ao todo mais de 50 entrevistas, algumas delas com desertores da Coreia do Norte, tanto os envolvidos no sequestro, quanto os que lá moraram nos anos 1970 e 1980. A narrativa também passeia pela trajetória profissional da atriz e do diretor antes de serem capturados, pela ascensão de Kim Jong-Il e pelas misteriosas e controversas histórias da Coreia do Norte.

Mais do que produzir filmes, Jong-Il queria também que Shin e Choi fossem um instrumento de propaganda do país e personificassem sua superioridade. “Eles seriam diretor e atriz durante o trabalho, mas também o casal protagonista da iludida autonarrativa norte-coreana”, escreve Fischer.


“Uma produção de Kim Jong-Il” narra a história verdadeira de estrelas de cinema desesperadas, fugas ousadas e um líder egocêntrico.

Trecho

“Se quisesse impressionar o pai e realizar seu próprio sonho de vida, Kim Jong-Il precisava deixar uma marca internacional. Tinha a ambição e os recursos; o que não tinha era experiência e talento como cineasta. Mas, em um país conhecido como Reino Eremita, onde ninguém de dentro podia sair e ninguém de fora podia entrar, onde encontrar alguém assim? Foi então, em 1977, que ele esboçou seu grande plano. Tudo que precisava era de algo, mais precisamente, alguém para colocá-lo em ação. Teria de “importar”. A decisão pelos sequestros não tardou.”


UMA PRODUÇÃO DE KIM JONG-IL
Paul Fischer
(A Kim Jong-Il production)
Tradução: Alessandra Bonrruquer
434 páginas
Editora Record/ Grupo Editorial Record
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