sábado, 26 de março de 2016

.: Nem tudo o que planejamos é para ser como imaginamos

Por: Mary Ellen Farias dos Santos*
Em março de 2016



Há alguns anos, realizamos um sonho que estava fora de nossos planos, mas que se tornou necessário: compramos o nosso primeiro carro. Antes do final de 2009, andamos pelas lojas automotivas da Chevrolet, Volkswagen, Fiat e Ford de São Vicente. Lembro que na Ford, loja quase ao lado da minha casa, o vendedor não nos deu a mínima ao pedir o orçamento do novo Ford KA. Até hoje agradecemos, pois com o desinteresse dele nos livramos de uma bomba de carro, de acordo com os vários relatos que ouvi. Na Fiat, só passamos por desencargo de consciência, pois meu pai chegou a ter dois carros da marca, mas não aprovava. Logo, os nossos olhos brilhavam pela marca da gravatinha e pela WV.

O meu interesse mesmo era o novo FOX, na época, o segunda geração. Nossa!! Como aquele carro era -e ainda é- lindo! No entanto, teríamos que mexer muito nas nossas reservas, sendo assim optamos pelo Celta, na revendedora que ficava bem à frente da concorrente Volkswagen. O atendente foi atencioso e, assim, fechamos a compra do nosso primeiro veículo. Que felicidade! E o melhor... o nosso Celtinha já estava na fábrica, logo a espera seria menor do que o imaginado. Bastava emplacar e a documentação.

Lembro que naquela semana a confusão em minha família foi instaurada, pois consideravam uma loucura de nossa parte. Pra que compraríamos um carro? Afinal, meus pais poderiam muito bem continuar nos levando para fazer compras ou para fazer os passeios em família. Como estávamos sendo egoístas! Esse foi, claramente, o pensamento deles. 

No dia em que fiz a transferência do valor do veículo, com o comprovante em mãos, encontrei minha mãe com meu irmão, no Centro da cidade. Enquanto ele me convencia de que era uma bobeira gastar as economias, ela se manteve bem séria. Não adiantava! O carro já estava pago, era só esperar a chegada dele. Aquele Natal foi um climão horrível! Bem... por quê? Porque comprei o meu primeiro carro sem pedir nada a ninguém. Enfim...

Fiz três ou quatro aulas na autoescola, pois não dirigia desde quando tirei a carteira de motorista. Os dias se passaram, mas, obviamente, não estava confiante para tirar da loja o meu 0Km. Até lá, meus pais aceitaram a nossa independência futura e foram comigo buscar o querido: "Folhinha". 

Não fui capaz de dirigir o danado. Ao lado do meu pai no volante e minha mãe atrás, fomos até Praia Grande. Na volta, chegou a hora da verdade. Em um dos recuos perto do Canto do Forte, ele encostou e falou: "Vá! É a sua vez. Tem que dirigir!". Minhas pernas tremiam demais. Só pensava no valor gasto e no que o carro simbolizava, já que o trânsito parecia enlouquecedor. Detalhe: Após o Boqueirão, a avenida da praia é "morta". Esse é um problema da inexperiência no volante.

Peguei o carro e sai, andei pelas ruazinhas daquela região. Nem consigo me lembrar das tantas vezes que o deixei morrer. Meu pai muito impaciente, logo soltava aqueles estalinhos na boca em sinal de chateação. Claro que eu preferia o meu irmão do lado. Passava muito mais calma. Sozinha, eu ia para a faculdade, pois estava de volta para cursar Letras. Não tinha escolha. Ou era eu, ou era eu. Tremendo e cheia de pavor... Lá ia eu até o estacionamento que ficava bem do ladinho do meu prédio da UniSantos.

Em questão de meses, o carro começou a apresentar problemas. O som foi trocado diversas vezes, claro que a vendedora ia me empurrando novos aparelhos e em cada visita eu gastava por volta de R$ 300,00. Até que botei tudo na ponta do lápis e constatei ter gastado, nessas "visitinhas" mais de R$ 1.000,00. Até que, por fim, a loja me vendeu o som com a gravatinha da Chevrolet, o qual instalei no meu carro atual. Na sequência, aconteceu um problema com o limpador de para-brisa que não funcionava corretamente, principalmente nos momentos de chuva forte.

O carro que quase nem tinha quilometragem vivia sendo levado até Santos e a Absoluta mordia mais dinheiro a cada visita. Certa vez, paguei quase R$ 100,00 nos limpadores do para-brisa dianteiro e sua instalação. Pasmem! Por ser ainda bobinha, nem mesmo discordei. O problema? Claro que continuou. Após tanto fuça-fuça no painel e repetidas trocas do jogo de setas, escutei do mecânico da concessionária que bastava bater no volante para que o limpador continuasse a funcionar.

Sim! Paguei por um carro zero que me deu muita dor de cabeça. Lembro das últimas "mexilanças" deles, que a peça demorou a chegar, logo a troca foi feita em data após o término da garantia de 1 ano do carro. A telefonista pediu que eu levasse o carro lá para fotografá-lo, porque o serviço fora feito fora do tempo de garantia. 

Não tinha mais paciência com a safadeza. Naquele dia, já havia me aborrecimento em sala de aula, então... Falei tudo sobre o serviço sem qualidade e finalizei que não levaria o carro para fotografar nada, pois não ficaria com ele por muito tempo. Até hoje, por favor, não me falem em Absoluta Chevrolet -que até mudou de nome... Por que será, né?-. Não! Não quero nada deles ou com eles. São péssimos e ponto final.

Só anos depois, eu descobri que eu tinha direito a exigir outro Celta 0Km, pois o problema era de fábrica, logo "Direito do Consumidor" neles. De fato, o "Folhinha" que tinha um problema indecifrável para a concessionária, foi embora. Sinto saudade? Nenhuma! Só do que ele representou. Sim! Foi a nossa independência!

Pesquisa realizada nas representantes da WV de São Vicente. Foi a vez do nosso Fox. Lembro que fomos buscar meus pais que chegaram de viagem, ainda no Celtinha. Guardamos as malas, eles entraram e contamos que só estávamos esperando o carro ser fabricado. Sim! Esperamos quase dois meses por nosso pimpolho que quase chegou no dia do aniversário do maridão.

Diferentemente do Celta, que ficou conosco por 2 anos e poucos meses, o nosso Trend está conosco há quase 5 anos. Ao longo de todo esse tempo, pouco perturbou. Há 2 anos, tive um problema em um dos pedais e foi trocado um tal de "burrinho". Sim! Deu esse defeito e quem pagou foi a burralda, aqui. No entanto, a surpresa maior ainda estava por vir e aconteceu na noite de sexta-feira da Paixão, de 2016. Enquanto estávamos empolgados por passar pelo novo elevado em Praia Grande, sentido São Vicente, eu, optei por erguer todos os vidros. Eis que ouvimos um barulho ensurdecedor.

Percebi o desespero no rosto do meu marido. Ele só queria que eu seguisse e não parasse. Sim! Ali, é um lugar perigoso e estava totalmente sem iluminação. É, essa é a cidade de São Vicente, a primeira e eterna vila do Brasil, sempre diz o meu pai, com toda razão. Tudo indicava que era daquelas presepadas de pegar pessoas para assaltar, jogando pedras na pista. Só paramos no sinal diante do antigo Centro de Convenções com muito medo e, então, para melhorar, o vidro desceu de vez. Estava tão assustada, que nem percebi. Só ouvi meu marido perguntar: Você baixou todo o vidro?

Por Deus, o semáforo abriu e fiz o caminho com menos sinaleiros possíveis. A chuva? Caia, fininha, mas caia. Ao chegar em casa, mais um detalhe de sorte, o cantinho, numa parede, que gosto de colocar o carro estava vago. Sem pestanejar, coloquei o carro de frente, embora houvesse um carro do lado e uma coluna atrás. Sim! Na hora do desespero agimos e, aparentemente, tomamos a melhor decisão. Ficou "escondidinho".

O problema, então, passou a ser outro. Como fechar o carro somente com chave se a porta do motorista estava encostadíssima na parede? Fizemos uma arapuca na janela, com plástico bolha, usamos papelão e madeira e passamos o alarme mesmo. Não deu outra. Assim que fechamos a porta do nosso apartamento, o alarme disparou. Pela escada mesmo, destravei, o som cessou, até escutar o "estalinho" de passar a trava novamente. De repente, mais uma vez e mais uma vez. Que barulheira! O jeito era fechar sem o alarme. Liguei para o meu irmão que deu a ideia de travar ele por dentro, sair pelo passageiro e baixar a lingueta da porta. E, só assim que deixei o carro trancado, pois fechado, com a janela toda aberta, ele não poderia ficar. 


Subimos e começou a pesquisa no Google e... pimba! Esse é um problema recorrente da linha Fox e Gol. Sim! Há quase 10 anos o tal cabo da máquina do vidro elétrico estoura e o fabricante nada muda, ou seja, não basta ser fabricante, é preciso criar uma fábrica de dinheiro. Contactamos a Porto Seguro e descobri uma concessionária pertinho de casa. Levamos o danadinho lá e na manhã deste sábado, ficou de molho. Agora, vou buscar o dando

Quais eram os meus planos para sábado? Não era o de gastar com reparo no carro, mas... vamos aguardar os próximos capítulos da nova novela.


* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do www.photonovelas.com.br. Twitter: @maryellenfsm 


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