segunda-feira, 7 de março de 2016

.: Umberto Eco discute a definição da arte em lançamento

Um dos maiores intelectuais de seu tempo, Umberto Eco morreu, no último dia 19 de fevereiro, aos 84 anos. Ensaísta, filósofo, semiólogo e linguista, deixou como legado seus livros e uma contribuição imensa para o pensamento contemporâneo em forma de estudos, ensaios, reflexões e até entrevistas.

A Record lança, em março, “A Definição da Arte”, conjunto de ensaios escritos por Eco entre 1955 e 1963, que ajuda a compreender a evolução temática de suas pesquisas - que o levaram, por exemplo, ao desenvolvimento da noção de “obra aberta” e às análises dos problemas da comunicação.

Nesta obra, o autor coloca em questão o problema filosófico da possibilidade de uma definição da arte diante das estéticas contemporâneas. O livro é dividido em três partes: na primeira, Eco apresenta ensaios históricos e teóricos, nos quais esmiúça definições da antiga estética indiana, da estética medieval e de algumas correntes dos últimos dois séculos, além de examinar também as posições dos estudiosos contemporâneos como Benedetto Croce, a teoria da formatividade de Luigi Pareyson, e o tema filosófico da “morte da arte”, por exemplo.  

Na segunda parte, Eco aprofunda-se nas poéticas de vanguarda: introduz a discussão sobre o problema da obra aberta e discute o conceito de forma na arte contemporânea, falando sobre música, fotografia, cinema e artes plásticas. Por fim, o italiano fecha sua reflexão com dois textos sobre método, que podem ser encarados como uma espécie de introdução de seus trabalhos posteriores.

Trecho:
“É possível que,diante de uma obra de arte, eu compreenda os valores que ela comunica e que, ainda assim, não os aceite. Nesse caso, posso discutir uma obra de arte no plano político e moral e posso rejeitá-la, contestá-la justamente porque é uma obra de arte. Isso significa que a Arte não é o Absoluto, mas uma forma de atividade que estabelece uma relação dialética com outras atividades, outros interesses, outros valores. Diante dela, na medida em que reconheço a obra como válida, posso operar minhas escolhas, eleger meus mestres. A tarefa do crítico pode ser também e especialmente esta: um convite a escolher e a discernir. Cada um de nós, lendo uma obra literária, ainda que professe os critérios técnico-estruturais aqui expostos, deve e pode encontrar uma relação emocional e intelectual, descobrir uma visão do mundo e do homem. É justo que existam pessoas com a sensibilidade mais apurada que nos comuniquem as suas experiências de leitura para que possam se tornar nossas também.

Contudo, agora mesmo, no decorrer desse colóquio entre seres humanos, mudam os standards de juízo e as demandas que fazemos à obra de arte. É, portanto, útil, acho eu, que exista um tipo de pesquisa que tente descrever e analisar esses modelos estéticos em seu vir a ser e em suas relações com a nossa história.”

Sobre o autorUmberto Eco nasceu em Alexandria em 1932. Foi filósofo, medievalista, semiólogo e midiólogo. Estreou na ficção em 1980, com o sucesso “O nome da rosa”, seu romance mais importante. Tem em seu currículo ainda obras como “O Pêndulo de Foucault”, “História da Beleza” e “História da Feiúra”. Seu romance mais recente, “Número Zero”, foi lançado no Brasil pela Record em 2015. Morreu em fevereiro de 2016.

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