segunda-feira, 1 de agosto de 2016

.: "Agosto de 2016", um artigo de Célio Pezza

Por Célio Pezza
Em agosto de 2016

Os romanos deram ao oitavo mês do ano o nome de agosto, numa homenagem ao imperador Augustus, um dos mais sanguinários da antiguidade. Os romanos não gostavam deste mês e acreditavam que um enorme dragão passeava pelos céus nesta época. 

Crendices à parte, o fato é que o mês de agosto tem sido marcado por tragédias contra a humanidade. No dia 24 de agosto de 1572, Catarina de Médici, por questões políticas e controle do trono, ordena a matança dos protestantes na França. 

Esta matança que teve início em Paris ficou conhecida como o "Massacre de São Bartolomeu", e acabou com mais de 100 mil huguenotes. Contam que o rio Sena tinha tantos cadáveres que ninguém comeu seus peixes durante meses. 

No dia 1º. de agosto de 1914 teve início a Primeira Guerra Mundial, com milhões de vítimas. Em agosto de 1939, a Alemanha decide invadir a Polônia, iniciando a Segunda Guerra Mundial em 1º de setembro. 

Em 2 de agosto de 1939, Albert Einstein escreveu uma carta ao então presidente americano Roosevelt, sobre a possibilidade de se criar uma bomba atômica, partindo de cadeia de reações nucleares em uma massa de urânio. Foi então criado um grupo de cientistas, militares e políticos, sob o nome de "Projeto Manhattan", cujo objetivo era produzir a primeira bomba atômica. Em 6 de agosto de 1945, sob as ordens do presidente americano Harry Truman, explode a primeira bomba atômica na cidade de Hiroshima.  

O capitão Robert Lewis, co-piloto do avião que jogou a bomba, ao ver o resultado, disse: "Meu Deus! O que fizemos?". Três dias depois, em 9 de agosto, a segunda bomba é jogada em Nagasaki. As estimativas são de que morreram mais de 250 mil pessoas em Hiroshima e 150 mil em Nagasaki, somente na ocasião da explosão. Depois, com os efeitos da radiação, muito mais gente morreu, mas não se tem o número certo. 

Anos mais tarde, Albert Einstein lamentou sua carta recomendando a criação da bomba atômica e disse estar alarmado com a hipótese de uma nova guerra atômica, pois ela aniquilaria a Terra. 

O Brasil começa o mês de agosto de 2016 mergulhado em uma profunda crise econômica, política e moral. Por outro lado, vivemos um período de muitas revelações e transformações profundas, acreditamos, para melhor. 

Também teremos a votação final do impeachment de Dilma, as Olimpíadas no Rio de Janeiro e, apesar de tantos problemas, talvez exista mesmo um enorme dragão passeando nos céus, como diziam os antigos romanos. 

Importante lembrar que o dragão representa a sabedoria, a energia do fogo, o poder indomável da natureza e a transformação. É aquele que destrói para reconstruir. Neste momento, precisamos dele e de tudo o que representa.


*Célio Pezza é colunista, escritor e autor de oito livros publicados, inclusive no exterior, entre eles: "As Sete Portas", "Ariane", "A Palavra Perdida" e o mais recente, "A Tumba do Apóstolo". 

Tem 64 anos e começou a carreira de escritor em 1999, movido pela vontade de levar as pessoas a repensarem o modelo de vida atual dos seres humanos. 

Os livros dele misturam realidade e suspense. É colunista colaborador de dezenas de jornais e revistas por todo o país.

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