quarta-feira, 19 de outubro de 2016

.: 1x1: Westworld é a criação de um mundo paralelo, mas não perfeito

Por: Mary Ellen Farias dos Santos
Em outubro de 2016



CONTÉM SPOILERS!



A criação de vidas por meio da inteligência artificial para atuar de modo roteirizado é o chamariz de um parque temático que quebra com os espaços de diversão que existem por aí. Este é "Westworld"! Até porque, diz Dolores (Evan Rachel Wood-de modo repetitivo-, o robô mais antigo do parque, "algumas pessoas preferem ver a feiura deste mundo. A desordem. Eu prefiro ver a beleza". Desta forma, aos  fãs de parques de diversões brasileiros, há um gostinho no ar de um "Beto Carrero World", porém com toda tecnologia de ponta.

A nova série da HBO usa e abusa de um impecável cenário faroeste, além de um elenco pomposo com direito a Anthony Hopkins e Ed Harris. Inspirado no filme “Westworld – Onde Ninguém Tem Alma”, de 1973, mostra na prática como é brincar de Deus numa odisseia obscura diante do surgimento da consciência artificial. Tudo isso acontece muito bem, até a página 2.

Nesse jogo entre o real e o artificial -como já vimos no filme "Jurassic Park", que também foi escrito por Michael Crichton, por isso a conexão tão forte- diversas provocações são lançadas, pois qualquer desejo humano passa a ser ilimitado, até que as máquinas funcionem perfeitamente. Claro! A ideia é a do pague para entrar, faça o que quiser e seja quem quiser. Logo, o grau de nobreza ganha espaço para a depravação que perde qualquer limite, afinal, ao amanhecer de um novo -e repetitivo dia, para as máquinas humanizadas-, "tudo" pode ser perdoado.


A escolha das cores das roupas auxilia a identificar quem faz parte do grupo do bem e quem faz parte do mal. Ed Harris, The Man in Black, é o grande vilão da trama, na postura de humano, longe de ser robô, faz uso total da carta branca que tem para agir como bem entender em "Westworld". Logo, faz miséria. No entanto, a apresentação de Anthony Hopkins como o diretor e idealizador do parque, Dr. Robert Ford, tem um misto das cores: branca e preta nas roupas. Bingo! Ele é o deus humano do lugar, portanto carrega em si o bem e o mal, que foram passados para os robôs. 

Rever James Marsden em uma grande produção e sendo mais uma vez um mocinho de primeira é de empolgar qualquer fã do eterno Cyclops, da melhor fase do "X-Men". Aqui ele é Teddy Flood, par romântico da linda e doce Dolores. Ao levar a pior no final do dia e ir para conserto, ele sempre retorna ao parque no trem, junto com os visitantes que se surpreendem com a realidade dele. Por outro lado, Evan, ou melhor, Dolores, a mocinha da história, dá um show de interpretação deixando bem claro quando é apenas um robô obedecendo às ordens de operação do sistema interno dela.


Definitivamente, "Westworld" é uma série para ser revista diversas vezes, embora já tenha sido divulgada a quantidade de apenas 10 episódios para a primeira temporada. Que seja! O primordial é a qualidade, que é muito bem estampada: seja na fotografia ou na edição que é de fisgar. Não perca tempo e embarque nessa super viagem ao incrível "Westworld" para saber o que acontecerá nos próximos episódios.


Seriado: Westworld
HBO Series
Temporada: 1
Episódio: 1 - "The Original"
Exibido em: 1 de outubro de 2016, EUA.
Elenco: 
Anthony Hopkins, Ed Harris, Evan Rachel Wood, James Marsden, Jeffrey Wright, Thandie Newton, Jeffrey Wright, Tessa Thompson, Sidse Babett Knudsen, Jimmi Simpson, Rodrigo Santoro, Shannon Woodward, Ingrid Bolsø Berdal, Ben Barnes, Simon Quarterman, Angela Sarafyan, Luke Hemsworth e Clifton Collins, Jr
Site: http://www.hbo.com/westworld
Direção: Jonathan Nolan, Lisa Joy
Gênero: Drama, Ficção científica, thriller, ação, aventura


*Editora do site cultural www.resenhando.com. É jornalista, professora e roteirista. Twitter: @maryellenfsm


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