sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

.: A "Fênix" musical do Azymuth, por Luiz Gomes Otero


Por Luiz Gomes Otero
Em dezembro de 2016

O grupo Azymuth vinha de um hiato de quatro anos, desde o falecimento de um dos integrantes (José Roberto Bertrami). E agora tira o atraso com juros e correção monetária ao lançar "Fênix", um belo álbum de composições inéditas, confirmando a classe habitual que marcou toda a trajetória da banda.

O baterista Ivan Conti (Mamão) e o baixista Alex Malheiros, remanescentes da formação original, encontraram em Kiko Continentino o parceiro ideal para preencher o espaço deixado por José Roberto Bertrami, que faleceu em 2012. Eles já chegaram a se apresentar em shows ao vivo e passaram a elaborar um projeto de lançar um disco de composições inéditas, o primeiro sem Bertrami. E o resultado ficou acima da média. 

Continentino não só preencheu a lacuna como ainda trouxe um frescor novo e rejuvenescido para o grupo. Ivan Conti é um mestre das baquetas e Alex Malheiros um monstro no baixo. Então, para Continentino, tocar com eles é o mesmo que jogar em um time de futebol só de craques. E eles ainda contam com o auxílio luxuoso do percussionista Robertinho Silva (que acompanhou Milton Nascimento e integrou o grupo Som Imaginário nos anos 70).

O disco mantém aquela sonoridade característica do Azymuth, que incorpora elementos do samba e de outros ritmos de nossa MPB ao seu som instrumental competente. Não pense que o Azymuth é uma banda de jazz. É uma banda de baile, aberta para qualquer nuance sonora e ritmo.

Há composições como "Villa Mariana" (uma pegada rítmica irresistível, à la Azymuth), "Pela Madrugada" (outra peça instrumental de rara beleza) e "Papa Samba" (composição que Ivan Conti fez especialmente para Alex Malheiros). Poderia citar ainda a faixa titulo ("Fênix") e "Batucada em Marte" como outros destaques. Mas o disco inteiro é interessante. Todas as faixas pegam de jeito o ouvinte logo na primeira audição.

Como bem explicou Malheiros no vídeo teaser sobre esse disco, as músicas novas mostram que o legado do Azymuth permanece vivo. Ainda que um dos seus criadores não esteja aqui mais entre nós. Mas o espírito musical está lá, pulsando firme e forte. E renasce a cada novo trabalho. Como uma fênix.


"Papa Samba"

"Villa Mariana - Pela Tarde"

"Batucada em Marte"

Sobre o autor
Luiz Gomes Otero é jornalista formado em 1987 pela UniSantos - Universidade Católica de Santos. Trabalhou no jornal A Tribuna de 1996 a 2011 e atualmente é assessor de imprensa e colaborador dos sites Juicy Santos, Lérias e Lixos e Resenhando.com. Recentemente, criou a página "Musicalidades", que agrega os textos escritos por ele.

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