quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

.: O paraense que honrou o nome de Belém no show de Marisa Monte

Foto: Edinaldo Silva
Por Helder Miranda
Em dezembro de 2016

A cantora e compositora Marisa Monte encerra 2016 em grande estilo. Não apenas porque vai cantar com Roberto Carlos, em seu especial de fim de ano para a Rede Globo. Mas principalmente por seus duetos com os fãs, numa interação sui generis no meio artístico, sobretudo entre estrelas que, como ela, já estruturaram uma respeitosa carreira internacional. Marisa acaba de fazer um ciclo de shows em cidades brasileiras que não a tinham visto ao vivo em suas turnês mais recentes.

Dentre essas cidades está Belém do Pará, onde Marisa havia se apresentado pela última vez em fevereiro de 2001, fazendo dois shows de lançamento do álbum “Memórias, Crônicas e Declarações de Amor” (2000). Os fãs de Belém não viram a turnê dos discos “Universo ao Meu Redor” e “Infinito Particular” (2006), “O Que Você Quer Saber de Verdade” (2011) e “Verdade Uma Ilusão” (2014). Este “jejum”, no entanto, foi quebrado em grande estilo, com a participação especialíssima do professor e crítico de literatura Helder Bentes, que é paraense de Belém e estava em posição privilegiada na plateia do show que Marisa fez em sua cidade.

No formato dessa “miniturnê”, como a própria cantora chama, ela interage mais com a plateia. Um dos pontos altos do show é quando ela canta o sucesso “Amor, I Love You”, parceria com Carlinhos Brown e participação de Arnaldo Antunes recitando trecho do romance “O Primo Basílio”, de Eça de Queiroz.

A música foi o carro-chefe do álbum "Memórias, Crônicas e Declarações de Amor", lançada em um clipe no "Fantástico" há 16 anos, mesmo tempo em que Marisa não visitava a capital paraense, e era também a canção de abertura daquela turnê. Para Helder, fã da cantora desde 1991, a canção tem um significado especial:


Foto: Brends Nunes
“Quando Marisa lançou 'Amor, I Love You', em 2000, eu já era professor de literatura, e essa música foi muito útil para iniciar meus alunos na leitura de Eça de Queiroz e lhes explicar a oposição Romantismo/Realismo. Essa música foi o mote de um sarau literário com meus alunos do curso de Letras da UFPA, em 2002, no campus de Breves, Ilha do Marajó, que eles próprios batizaram de 'Poetando Carpe Diem', para poetar o momento presente ao invés das evasões românticas para o passado ou para fora da realidade. Tudo baseado na literatura realista de que Eça de Queiroz é expoente sem par. Meu primeiro encontro ao vivo com Marisa, no show de 2001, foi ao som dessa música, e também a canção deste momento único na vida de um fã apaixonado como eu”, explica.  

O momento único foi o show realizado no último dia 9 de dezembro, no Hangar Centro de Convenções da Amazônia, em Belém. Após cantar a referida canção, Marisa diz:

Marisa Monte: “Que lindo! Gente, vocês cantam muito lindo. Eu amo quando vocês cantam comigo. Agora o que me derrete é quando vocês fazem o backing vocal. É lindo! Aquele ‘Amor, I Love You... Uh...’ É lindo! Eu acho bonito que é uma coisa assim que as meninas, naturalmente elas fazem, mas os rapazes são solidários. Quer ver? Mais uma, pra mim, vai...” (e canta o refrão da música de novo).

Marisa Monte: “Que lindo! Agora, de vez em quando, aparece até alguém aqui que sabe fazer a parte do Arnaldo. Eu não sei se hoje tem... (procurando na plateia, acha Helder) Tem. Você sabe? Dá o microfone pra ele aí, parceiro! Vamos ver. Peraí. Como é o seu nome? Fala aí no microfone. Como é o seu nome?”.

Helder Bentes: "Helder".

Marisa Monte: "Helder, você é daqui de Belém?".

Helder Bentes: "Sou de Belém".

Marisa Monte: "Helder de Belém, gente! Calma, Helder, calma! Olha pra mim, você vai saber a hora certa. Tá?".

Helder Bentes: “Tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente. Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades. E seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido. Sentia um acréscimo de estima por si mesma. E parecia-lhe que entrava, enfim, numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações...”.

A cantora canta o refrão da música de novo, substituindo a frase “Amor, I Love You” por “Belém, I Love You” no final, e a plateia vibra de emoção.

Marisa Monte: "Palmas pro Helder! Arrasou, Helder! Honrou... Honrou o nome de Belém! Helder, no papel de Arnaldo Antunes, recitando o Primo Basílio, de Eça de Queiroz".

Para entender melhor o significado deste momento para Helder Bentes e para a cidade de Belém do Pará, leia os artigos “Literatura e Orgasmo” e “O Primo Basílio: ler o filme ou ver o livro?”, publicados orginalmente na coluna de Literatura que o crítico manteve de 2007 a 2013 no Portal ORM.

Para ler o texto "Literatura e Orgasmo", em que Helder analisa a canção "Amor, I Love You" basta acessar o endereço abaixo: http://belaspessoas.blogspot.com.br/2007/08/literatura-e-orgasmo-helder-bentes-se.html  

Para ler o texto “O Primo Basílio: ler o filme ou ver o livro?”: http://www.orm.com.br/helderbentes/capa/?mes=8&ano=2007


Helder Bentes honrando o nome de Belém para a cantora Marisa Monte


Helder Bentes honrando nome de Belém para a cantora Marisa Monte (visto de outro ângulo)
 


Compartilhar no WhatsApp
← Postagem mais recente Postagem mais antiga → Página inicial

Um comentário:

  1. POR FAVOR , TRANSMITAM MEUS PARABENS AO HELDER ... E FELIZ NATAL E FELIZ 2017 A TODOS !!!!!!!!!

    ResponderExcluir

Deixe-nos uma mensagem.

Tecnologia do Blogger.