domingo, 1 de janeiro de 2017

.: A entrevista perdida de Heródoto Barbeiro


“Troquei os verbos no passado, pelo presente. Troquei a rotina pela mudança contínua”,
Heródoto Barbeiro.

Por Helder Moraes Miranda
Em janeiro de 2017

Nesses 13 anos do Resenhando.com, entrevistar Heródoto Barbeiro sempre foi uma espécie de meta, que consegui realizar em agosto do ano que vem. Por uma série de motivos, em meio ao auge da crise política que o país atravessava, considerei ser mais sensato esperar a “poeira baixar” um pouco para que a entrevista tivesse a visibilidade e o brilho necessário, não ficando perdida entre as reviravoltas dos noticiários. No Resenhando.com, Heródoto Barbeiro merece, também, um lugar de destaque. É por isso que foi escolhido para ser a primeira entrevista, quiçá a primeira reportagem do ano. 


Ancora do “Jornal da Record News” - principal telejornal do canal de notícias do grupo da TV Record, Heródoto Barbeiro foi finalista da 14ª edição do Prêmio Comunique-se 2016, na categoria “Nacional”, prêmio conhecido como o Oscar do jornalismo brasileiro. Muito objetivo, ele, que também é advogado, fala sobre tudo, desde o motivo de trocar 25 anos lecionando história para a rotina atribulada do jornalismo, budismo, das épocas em que esteve entre os fundadores do PDT (Partido Democrático Trabalhista) e PT (Partido dos Trabalhadores), além de livro e filme favoritos e a notícia que gostaria de dar ao público que o acompanha. É uma entrevista atípica, com um ícone do jornalismo.

RESENHANDO.COM - Aos 70 anos, quais são os seus sonhos - como homem e como profissional?
HERÓDOTO BARBEIRO - Tenho 70 anos e o meu sonho é viver cada dia, cada momento e fazer o que gosto, ler escrever e conviver com meus colegas de redação.


RESENHANDO.COM - Antes de ser jornalista, você foi professor durante 25 anos de história contemporânea. Mudar foi uma necessidade? 
H.B. - Foi uma opção. Descobri o jornalismo e me apaixonei por ele. Troquei os verbos no passado, pelo presente. Troquei a rotina pela mudança contínua.

RESENHANDO.COM - Como o historiador se transformou em um dos grandes nomes do jornalismo na atualidade?
H.B. - Procuro aprender sempre e percebo que não sei muita coisa. Tenho curiosidade, respeito as opiniões divergentes da minha e busco, como todo jornalista, a isenção e a ética.

RESENHANDO.COM - De que maneira, as profissões que você se formou - jornalista, historiador e advogado - se complementam? 
H.B. - Todas fazem parte do cotidiano do ser humano. Elas são essenciais para a cultura e o desenvolvimento da democracia.


RESENHANDO.COM - Você é budista. Como concilia os preceitos zens da religião com a rotina agitada do jornalismo?
H.B. -
O budismo não atrapalha, ajuda. Proporciona equilíbrio, ajuda a conter o ego e a entender as fraquezas humanas.


RESENHANDO.COM - A religião interfere em algo de sua personalidade?
H.B. - Sim, meditar todo dia ajuda a encontrar o caminho do meio, não importa onde estejam.

RESENHANDO.COM - A política sempre esteve presente em sua vida. Hoje, qual é o grau de importância que você dá a ela?
H.B. - Fundamental, não se tem democracia sem política e políticos. Aprimorar esse mundo é um ato de cidadania.

RESENHANDO.COM - Em 1980, você foi um dos fundadores do PDT e, em 1986, foi filiado ao PT. O que mudou, e o que é muito semelhante nesses partidos, comparando entre passado e presente? 
H.B. - Eram partidos que apresentavam uma utopia, uma esperança de uma sociedade mais justa e humana. Creio que se perderam no meio do caminho, viraram farinha do mesmo saco, como se dizia antigamente.


RESENHANDO.COM - Por falar em política, o que pensa a respeito da situação que o Brasil está atravessando?
H.B. - Vivemos um amadurecimento da democracia brasileira, e os solavancos atuais fazem parte desse processo.

RESENHANDO.COM - Está otimista com os rumos que o país irá tomar?
H.B. - Sim, somos um povo em constante renovação, aberto às mudanças, o que nos faz tão importante quanto qualquer outro.

RESENHANDO.COM - O que há de autobiográfico nos livros que escreve? 
H.B. - Pouca coisa. No “Meu Velho Centro”, conto um pouco da origem da minha família na região central de São Paulo. Na coleção “O Que a Vida Me Ensinou”, algumas lições que marcaram minha vida. No “Buda Mito e Realidade”, como, aos 22 anos, passei a praticar o budismo.


RESENHANDO.COM - Qual o momento mais marcante de toda a sua carreira jornalística?
H.B. - Creio que foram os dois períodos que passei no programa “Roda Viva”, da TV Cultura, pela oportunidade de participar de entrevistas com uma gama extraordinária de convidados.

RESENHANDO.COM – Qual é o seu livro favorito?
H.B. - O último que estou lendo, “A Lógica do Cisne Negro”, de Nassim Nicholas Taieb. Aprendi muito com o autor.

RESENHANDO.COM – E o filme favorito?
H.B. – “O Carteiro e o Poeta”, tem a ver com minha viva na juventude.

RESENHANDO.COM - E, para finalizar, qual a notícia que você gostaria muito de dar ao seu público?
H.B. - Finalmente conseguimos brecar a destruição do planeta. Estamos salvos!




Sobre o entrevistador
Helder Miranda é editor do portal Resenhando há 12 anos. É formado em Comunicação Social - Jornalismo e licenciado em Letras pela UniSantos -Universidade Católica de Santos, e pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela USP. Atuou como repórter em vários veículos de comunicação. Lançou, aos 17 anos, o livro independente de poemas "Fuga", que teve duas tiragens esgotadas.

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