segunda-feira, 13 de março de 2017

.: José Olympio lança romance de consagrado autor indonésio

Na fictícia Halimunda, a vida de uma prostituta extremamente bela, que ressuscita depois de 21 anos enterrada, é o pano de fundo para Eka Kurniawan repassar episódios sangrentos da história de seu país

  
“Kurniawan é um herdeiro literário de Gabriel García Márquez, Günter Grass e Salman Rushdie” - New York Reviews of Book



“Estou encantada com esse livro original, denso e surpreendente. Ele tem uma pegada de realismo mágico e um tanto de literatura popular, reconstituição histórica, humor negro e irreverência. Sua personagem central é a prostituta Dewi Ayu, que um dia levanta do túmulo. Uma quantidade de outras personagens vão e vêm, e acontecimentos brutais e mágicos se misturam para contar a história recente da Indonésia. É uma leitura fascinante.” - Cora Rónai

"A combinação de magia, tradição e eventos decisivos que reverberam através de gerações vai fazer os leitores traçarem paralelos entre a Halimunda de Kurniawan e a Macondo de García Márquez. Mas os personagens de Kurniawan são todos destinados ao desespero e ao sofrimento, e o resultado é uma leitura mais sombria e desafiadora do que 'Cem anos de solidão'. Um livro surpreendente e memorável."  Publishers Weekly

“Sem dúvida, o escritor de ficção mais original, imaginativamente profundo e elegante da Indonésia hoje: seu meteorito mais brilhante e inesperado. Pramoedya Ananta Toer encontrou um sucessor." - Benedict Anderson, The New Left Review

"A história de Kurniawan sobre uma mulher morta-viva acabou se transformado numa história sobre a Indonésia moderna, um romance épico que os críticos já se habituaram a comparar a 'Cem anos de solidão' e 'Os contos de Canterbury'. - Sydney Morning Herald

"Kurniawan não se limita a trafegar habilmente no realismo mágico; a sua Halimunda - como a Macondo de García Márquez e o Condado de Yoknapatawpha de Faulkner - permite que ele mostre como o curso da história captura, vira de cabeça para baixo, arrasta e às vezes afoga as pessoas." - Jon Fasman, New York Times

"É um épico surpreendente e composto de muitas vozes, uma mistura de sátira, do grotesco e de uma alegoria que incorpora tudo, desde a história mundial até as conversas folclóricas locais".  - Phillip Pantuso, Brooklyn Magazine

"Um retrato impactante da luta da Indonésia por sua condição de nação, mas que delicia-se com a obscenidade: nenhum tópico é poupado de sua conhecida sede pela sátira". - Gillian Terzis, The New Yorker

"Começando com uma prostituta que se levanta do túmulo, este épico folclórico indonésio é exuberante e picaresco, e marca a estreia em língua inglesa de um mestre do romance que não se deve ignorar." - Oprah.com

"Uma combinação emocionante de romance, tragédia e sátira" – Harper’s Bazaar


A vida da prostituta Dewi Ayu e das quatro filhas é marcada por estupros, incestos, assassinatos e fantasmas – muitas vezes vingativos. Ao contar essa história, o escritor indonésio Eka Kurniawan combina folclore, sátira, tragédia familiar e a formação da Indonésia, culminando no excelente A beleza é uma ferida.

Tradição e superstições também influenciaram a vida de Dewi Ayu, como a lenda da bela princesa Rengganis, que se casou com um cão e morava em Halimunda. Sua história serve como um aviso para mulheres bonitas na região. Séculos mais tarde, a beleza ainda é igualmente reverenciada e temida. 

Os conflitos internos e políticos povoam as páginas do romance e descrevem o seu impacto na vida das pessoas comuns. Eka faz uma crítica mordaz ao passado conturbado da sua jovem nação: a ganância do colonialismo; a luta caótica para a independência; a ocupação japonesa; o assassinato de um milhão de “comunistas” em 1965, seguido por três décadas de governo despótico de Suharto. Nesse quase um século, o autor constrói um retrato dos tempos sombrios, e reconhece que o passado pode não ter acabado ainda. Contra as mortes daqueles anos e a amnésia coletiva usada para apagar o destino das vítimas, a ficção convoca sua legião de fantasmas. 

Baseado em contos folclóricos, a voz inconfundível de Kurniawan – inspirada em Melville e Gogol – traz originalidade e relevância para a literatura contemporânea. Os personagens de Kurniawan são todos destinados ao desespero e à tristeza, e para a crítica internacional o resultado é uma leitura mais escura e desafiadora do que Cem anos de solidão. Kurniawan tem uma maneira perturbadora de inserir o sobrenatural no cotidiano, se deleita em obscenidade – nenhum tópico é poupado de sua marca satírica sanguinária. 
A beleza é uma ferida é brutalmente inserido em um cenário devastador, de beleza idílica e violenta. Com paixão e ironia, Kurniawan oferece aos leitores o prazer na linguagem exuberante usada para descrever uma carnificina, defendendo simultaneamente a força necessária para sobreviver. 

TRECHO

“Numa tarde de fim de semana em março, Dewi Ayu levantou-se do túmulo onde estava enterrada havia 21 anos. Um menino pastor, acordando de uma soneca debaixo de uma pluméria, fez xixi nas calças e gritou, e suas quatro ovelhas saíram correndo feito loucas entre pedras e estelas de madeira, como se um tigre tivesse pulado no meio delas. Tudo começou com um ruído vindo de uma velha sepultura, de lápide sem inscrição e coberta de mata até a altura dos joelhos, mas todo mundo sabia que era o túmulo de Dewi Ayu. Ela morrera aos 52 anos, ressurgiu depois de morta durante 21 anos, e a partir de então ninguém mais soube como calcular exatamente sua idade.”

SOBRE O AUTOR

Eka Kurniawan nasceu e cresceu na Indonésia, na pequena cidade costeira de Pangandra. Estudou filosofia na Universidade Gagjah Mada e escreve romances, contos, roteiros de cinema e ensaios. Suas obras já foram traduzidas para 24 idiomas e seu romance A beleza é uma ferida esteve na lista dos 100 mais lidos do New York Times. Kurniawan foi o primeiro escritor indonésio a concorrer ao Man Booker International Prize.

Livro: A beleza é uma ferida
Autor: Eka Kurniawan
Tradução: Clóvis Marques
Páginas: 462
Preço: R$ 69,90
Editora: José Olympio / Grupo Editorial Record

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