quinta-feira, 13 de abril de 2017

.: Baleia Azul: Para entender o sucesso dos jogos mortais entre os jovens

Por: Mary Ellen Farias dos Santos
Em abril de 2017



O desejo em conquistar seguidores a qualquer custo ou de fazer parte de algo grandioso atrai diversos jovens na concretização de ações extremas, desde o ingresso em jogos mortais ou fazerem constantes vídeos no formato "live", que podem acabar em mortes. A verdade é que passou a ser corriqueira, a notícia de que algum jovem transmitiu a própria morte ao vivo em alguma rede social. Fica a impressão de que "mais um se foi" e só.

Há casos em que o objetivo, aparentemente, não fosse o de abraçar a Dona Morte, mas, por azar, o participante terminou como os participantes dos jogos mortais que viralizam cada vez mais. Assim, como tudo na internet se espalha muito rápido, tudo indica que o desafio da asfixia perdeu lugar para o "Baleia Azul".

Enquanto que um jovem americano, durante uma live no Instagram, ao exibir uma arma, diante do próprio celular, termina tirando a própria vida, aqui no Brasil, o caso mais recente -até a conclusão desse texto- é o da jovem Maria de Fátima da Silva Oliveira, de 16 anos. 

A garota de Cuiabá foi encontrada morta na terça-feira, dia 11 de abril, dentro de uma represa. Saiu de casa sozinha, levando a roupa do corpo, por volta das 3h15, enquanto pais e irmãos dormiam. Deixou o celular -bloqueado com senha-, em cima da cama, sem levar dinheiro. Antes de fazer o mergulho sem volta, abandonou os chinelos na beira.

Tudo indica que a moça seguiu, à risca, os 50 desafios propostos pelo jogo "Baleia Azul" (Blue Whale Challenge), como automutiliação, chegando à conclusão: o suicídio. Aparentemente, a brincadeira mortal surgiu na Rússia e ganhou o mundo. Não se trata de um aplicativo, mas de uma abordagem precisa ao alvo: mensagem por WhatsApp. 

Aceitando participar, é preciso ouvir músicas psicodélicas, o instrutor libera para dar início ao jogo às 4:20 da manhã, assim como os desafios a serem cumpridos, por fim, tirar a própria vida e dando fim ao jogo.

A verdade é que aos jovens há tremenda facilidade às tecnologias, o excesso de tempo disponível para se envolver em grupos que hasteiem a bandeira do aceite implicam no automático ingresso dos mesmos nesses tipos de pactos mortais. Isso sem deixar de destacar a depressão que ajuda a engrossar ainda mais a adesão dos adolescentes ao esse tipo de jogo.

PRISÃO: Embora instigar uma pessoa ao suicídio seja crime, passível de pena de dois a seis anos de prisão, as abordagens crescem no Brasil. Conforme a lei, a prisão é feita caso o suicídio seja consumado ou pena de reclusão se a tentativa resultar em lesão corporal grave. A pena pode ser duplicada se o crime for praticado por motivo egoístico ou se a vítima tem menos de 18 anos.

NA TELONA: O filme "Nerve: Um Jogo Sem Regras", estrelado pela sobrinha da Julia Roberts, que estreou em 25 de agosto de 2016 replica bem essa brincadeira mortal. No longa, a estudante Vee (Emma Roberts), pressionada pelos amigos, decide participar do jogo online Nerve, que faz desafios reais aos jogadores. Contudo, o rumo do jogo passa a ser assustador e, no estágio final, a moça precisa tomar a decisão certa.


Trailer do filme

Reportagem



* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do www.photonovelas.com.br. Twitter: @maryellenfsm 

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