quarta-feira, 30 de agosto de 2017

.: Escrito na época da inquisição, “O Martelo das Feiticeiras” tem nova edição

Editora manteve texto introdutório de Rose Marie Muraro, que contextualiza condição feminina através dos tempos.


Um clássico editado por muitos anos pelo selo Rosa dos Tempos, criado por Rose Marie Muraro, Ruth Escobar e Laura Civita, e depois incorporado ao Grupo Editorial Record, “O Martelo das Feiticeiras” volta às livrarias em edição capa dura e novo projeto gráfico. Pela primeira vez, sairá pela editora Record. A nova edição mantém a importante introdução de Rose Marie, que contextualiza a condição feminina no mundo, os mitos de criação, a origem das sociedades patriarcais e, principalmente, os motivos da perseguição às mulheres no período da Inquisição.

Escrito pelos inquisidores Heinrich Kramer e James Sprenger, o livro é um manual feito a partir da bula do papa Inocêncio VIII, documento que propõe o fim de “toda a depravação herética” e o livramento dos “demônios”, “encantamentos” e “feitiçarias” dos infiéis. Essa espécie de guia autorizava a perseguição, a tortura e a morte perpetrada contra as mulheres, que, por possuírem saberes de cura do corpo e da alma, passaram a ser consideradas bruxas.  Como tal, deveriam morrer.
O livro é dividido em três partes: na primeira, explica como reconhecer os demônios e como se manifestam na bruxaria; a segunda classifica os malefícios e mostra como lidar com eles; a terceira ensina como julgar e cumprir as sentenças dos hereges.

Mas por que as mulheres se tornaram a maior ameaça à sociedade patriarcal e às principais estruturas de poder a partir do final do século XIII? “Desde a mais remota antiguidade, as mulheres eram as curadoras populares, as parteiras, enfim, detinham saber próprio, que lhes era transmitido de geração em geração. Em muitas tribos primitivas eram elas as xamãs. Na Idade Média, seu saber se intensifica e aprofunda. As mulheres camponesas pobres não tinham como cuidar da saúde, a não ser com outras mulheres, tão camponesas e tão pobres quanto elas. Elas (as curadoras) eram as cultivadoras ancestrais das ervas que devolviam a saúde, e eram também as melhores anatomistas do seu tempo. Eram as parteiras que viajavam de casa em casa, de aldeia em aldeia, e as médicas populares para todas as doenças. Mais tarde elas vieram a representar uma ameaça. Em primeiro lugar, ao poder médico, que vinha tomando corpo através das universidades no interior do sistema feudal. Em segundo, porque formavam organizações pontuais (comunidades) que, ao se juntarem, estruturavam vastas confrarias, as quais trocavam entre si os segredos da cura do corpo e, muitas vezes, da alma. Mais tarde, ainda, essas mulheres vieram participar das revoltas camponesas que precederam a centralização dos feudos, os quais, posteriormente, dariam origem às futuras nações”, escreve Rose Marie Muraro na introdução do livro. “O Martelo das Feiticeiras” chega às livrarias em agosto.

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