domingo, 17 de setembro de 2017

.: "Cartas de Um Assassino em Massa": trechos do diário de um nazista

Margarete Siegroth, esposa do comandante da SS Heinrich Himmler, escreveu em 1940: “Fui, portanto, a Poznań, Łódz´ e Varsóvia. Esse bando de judeus, os polacos, em sua maioria não tem qualquer semelhança com seres humanos, e, além do mais, essa indescritível imundície. Pôr ordem em tudo isso é uma tarefa hercúlea”. A correspondência dela com o marido e as cartas dele, que foram encontradas junto com documentos pessoais do nazista em Tel Aviv, Israel, muitos anos depois do fim da Segunda Guerra, estão agora reunidas neste “Heinrich Himmler – Cartas de Um Assassino em Massa”, que chega às livrarias em setembro, pela Record.

O livro é organizado e comentado pelo historiador Michael Wildt e por Katrin Himmler, sobrinha-neta do oficial que, à frente da polícia alemã, foi responsável pelo terror, a perseguição e o extermínio dos judeus da Europa. Os textos da obra reproduzem cartas de Himmler e de Margarete, excertos de diários do casal e de Gudrun, sua filha, além de cartões-postais. A correspondência entre os dois constitui um mergulho inédito na vida privada de uma das figuras mais importantes do Terceiro Reich. “Foi tudo muito agradável. O Führer veio. (...) Foi maravilhoso sentar à mesa com ele para variar, em pequeno grupo. A saúde de Heini não anda muito bem. Ele tem uma carga de trabalho monstruosa (...) Também mandei costurar vestidos para mim. A política é agitada. O Führer na montanha”, escreve Margarete, em agosto de 1941.

Heinrich Himmler e Margarete Siegroth se conheceram em 1927, tendo em comum o antissemitismo e o sonho de viver no campo. Tiveram uma filha, Gudrun, dois anos depois. Ao tratar da vida cotidiana de uma família aparentemente comum – o pai que trabalha fora, a mãe que cuida da casa, a filha com dificuldades no colégio –, esses escritos exibem o ferrenho racismo e antissemitismo dos nazistas, os privilégios que tinham durante a guerra e a terrível crença de que a Solução Final não era nada além da coisa correta a se fazer. Um importante registro histórico da brutalidade do regime nazista escondida por trás da fachada pequeno-burguesa.

Parte deste acervo da família Himmler foi utilizada no documentário “Um Homem Decente”, da cineasta israelense Vanessa Lapa, exibido no Festival de Berlim de 2014.
  
Trecho:
“Gudrun, filha de Himmler, escreveu, no dia 5 de março de 1945, em seu diário:

Na Europa, não temos mais aliados, agora só contamos com nós mesmos. E há tanta traição entre nós. Os oficiais simplesmente debandam. Ninguém mais quer a guerra. O terror aéreo é indescritível, eles não param de atacar a população civil e os trens. Atacaram Dresden, embora a cidade estivesse cheia de refugiados do Leste. Nós mesmos reconhecemos que 10 mil pessoas foram mortas, é terrível. 

E, no entanto, ainda há tantas pessoas que poderiam ir combater e que se fingem de doentes, mas por outro lado ainda há tanto heroísmo. Jovens de 16 anos já estão na frente e os jovens hitleristas se saíram muito bem, eles pelo menos ainda acreditam. 

— Papai proclamou o Volkssturm no dia 18 de outubro em um magnífico discurso. [...] Papai é, desde 20 de julho, comandante do Exército da retaguarda. [...] O clima geral está a zero. [...] A Luftwaffe continua ruim; Göring, esse fanfarrão, não faz nada. Goebbels faz muita coisa, mas sempre fazendo questão de aparecer. Todo mundo recebe medalhas e condecorações, exceto Papai, embora devesse ser o primeiro a recebê-las. Se assim não fosse, muitas coisas seriam diferentes. O povo inteiro olha para ele. Ele se mantém sempre discreto, nunca quer aparecer.”

Sobre os Organizadores:

  • Michael Wildt é professor de história alemã do século XX na Universidade Humboldt, Berlim. Especialista em Nazismo internacionalmente reconhecido, publicou numerosos estudos e trabalhos de referência sobre o tema.
  • Katrin Himmler, sobrinha-neta de HenrichHimmler, é escritora e politóloga. Publicou Les Frère sHimmler, histoire d’une famille allemande [Os Irmãos Himmler, história de uma família alemã] em 2012.

Obra é organizada por historiador e sobrinha-neta do oficial da SS a partir de acervo encontrado anos depois do fim da Segunda Guerra. Documentos foram usados também em documentário sobre Himmler

"Cartas de Um Assassino em Massa"
Heinrich Himmler
Organização: Michael Wildt e Katrin Himmler
Tradução: Clóvis Marques
Páginas: 420
Preço: R$ 69,90
Editora: Record / Grupo Editorial Record

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