sexta-feira, 8 de setembro de 2017

.: Crítica do filme "Polícia Federal: a Lei É Para Todos"

Por Helder Miranda*, em setembro de 2017.

Assistir ao filme "Polícia Federal: a Lei É Para Todos" é como participar de uma aula involuntária de História, sendo observador do cotidiano no filme e na própria vida. Essa intertextualidade com a veracidade do dia a dia, os noticiários, a política em Brasília torna o filme vivo e pulsante, mesmo que, por incrível que pareça, ele se mostre tão ultrapassado.

Essa é uma das contradições do filme que, embora tenha fatos datados, eles são de, no máximo, até março do ano passado. Misturando documentário e filme baseado em história verídica, "Polícia Federal: a Lei É Para Todos" é um tratado sobre a corrupção desde a época do descobrimento do Brasil. 

Não há grandes interpretações, porque a intenção não é mostrar um drama ou retirar dos atores algo memorável, eles cumprem o papel de informar e contar uma história, apenas isso, com exceção de alguns poucos, que conseguem brilhar de alguma maneira. 

Embora fique nítido o objetivo informar sobre a fase que o Brasil está atravessando em pouco mais de uma hora e meia, e nisso o filme cumpre sua função de esclarecer os acontecimentos sem didatismo, também há o viés de enaltecer "demais" os investigadores da "Lava-Jato" tratando-os como "heróis da resistência". No filme, a outra tentativa é a de demonstrar a imparcialidade - bem discutível - das investigações.

Ladrões na atual novela das sete, Marcelo Serrado e João Baldasserini interpretam, respectivamente, o juiz Sérgio Moro e um dos delegados da equipe, do outro lado da lei. Flávia Alessandra, como a delegada Bia, e Rainer Cadete cumprem os seus papéis sem muito alarde. O filme tem o mérito de escalar atores muito parecidos com as figuras da vida real (com exceção de Ary Fontoura, que nada tem a ver com Lula, e Marcelo Odebrecht, que deveria ter sido interpretado por Marcos Pasquim). Antonio Calloni, como o delegado Ivan Romano, e Bruce Gomlevsky, o Julio Cesar, outro delegado da Polícia Federal, são os que se destacam.

Bem esclarecedor para quem quer um panorama objetivo sobre os nossos tempos e, de acordo com a velocidade dos acontecimentos da política nacional, ultrapassará a trilogia que, segundo consta, pretendem fazer. A sequência é anunciada no pós-créditos do filme, com outro crime de corrupção bem conhecido dos brasileiros. A opinião tem sido bem controversa pelos espectadores que assistiram a obra. Alguns dizem que os réus são mostrados de maneira bem tendenciosa. Outros, apontam que "só assistiram verdades".

*Helder Miranda escreve desde os seis anos e publicou um livro de poemas, "Fuga", aos 17. Participou de várias antologias nacionais e internacionais, escreve contos, poemas e romances ainda não publicados. É editor do portal de cultura Resenhando.com, do blog Televizinha.blogspot.com e roteirista de seriados e novelas do site Photonovelas.com.br.






Sobre o Cine Roxy: Em mais de oito décadas, o Roxy é caso raro de cinema que acompanhou a transformação da maneira de se exibir um filme: dos primeiros e grandes rolos de película ao sistema digital. A rica trajetória se deve à perseverança e o senso empreendedor da família Campos: de pai para filho, chegou ao atual diretor do Roxy, Antônio Campos Neto, o Toninho Campos. A modernização, aliada à tradição, transformou o Roxy no principal cinema do litoral paulista, fato que rendeu a Toninho o Prêmio ED 2013 na categoria Exibição -Destaque Profissional de Programação, considerado o principal do país nos segmentos de exibição e distribuição. E o convite para ser diretor cultural do Santos & Convention Visitors Bureau.


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