sábado, 23 de setembro de 2017

.: Southern Blood - A despedida musical de Gregg Allman


Por Luiz Gomes Otero*, em setembro de 2017.

Falecido em maio deste ano, Gregg Allman ainda encontrou forças para deixar uma digna despedida musical. "Southern Blood" é o que se pretendia desde o início: um disco que reúne canções que significavam muito para ele. E para os fãs, possivelmente represente ainda mais do que isso, pois reforça o peso que Gregg teve para a história do rock.

Para quem não conhece, Gregg foi o band leader e fundador da Allman Brothers Band no final dos anos 60. Deixou uma marca significativa no rock, com o velho toque sulista dos Estados Unidos. Superou a trágica perda do irmão Duane em um acidente de moto nos Estados Unidos. E desde então, casou cinco vezes, sendo uma delas com a cantora Cher nos anos 70. A partir de 1999, passou a enfrentar uma série de problemas sérios de saúde.

Depois do lançamento de seu álbum anterior, o "Low Country Blues", em 2011, Gregg Allman realizou uma turnê e lançou um livro de memórias, "My Cross to Bear", em 2012. Naquele mesmo ano, ele foi diagnosticado com câncer de fígado e teve que reduzir o ritmo de trabalho.

"Southern Blood" foi o seu oitavo e derradeiro disco de estúdio. Gregg e sua banda de apoio gravaram o álbum com o produtor Don Was no Fame Studios, em Muscle Shoals, no Alabama, durante um período de nove dias.

O disco inclui músicas originalmente compostas e gravadas por Bob Dylan, Grateful Dead, Tim Buckley e Jackson Browne. As músicas foram escolhidas porque cada uma delas tinha um significado e contava uma história. Ele inicialmente planejava incluir músicas próprias, mas estava muito doente para completá-las. A única música autoral do álbum, "My Only True Friend", foi co-escrita pelo guitarrista e líder da banda de apoio, Scott Sharrard, e oportunamente lançada como single do álbum.

A produção de Don Was parece ter deixado Gregg e a banda tocar ao vivo no estúdio, bem a vontade, quase sem overdubs. Além de tocar o órgão hammond com uma maestria singular, ele tinha um poder de interpretação com influência direta do blues norte-americano e, claro, dos pioneiros do rock´n roll. Como bônus, foram incluídas ainda duas faixas gravadas ao vivo, pouco antes do falecimento de Gregg.

É difícil destacar uma faixa do álbum como a melhor. A partir do momento que você toma conhecimento da situação de Gregg, ouvi-lo cantando com sentimento a flor da pele é algo emocionante. Um registro que terá lugar cativo na história do rock.


"My Only True Friend"

"I Love The Life I Live"


*Luiz Gomes Otero é jornalista formado em 1987 pela UniSantos - Universidade Católica de Santos. Trabalhou no jornal A Tribuna de 1996 a 2011 e atualmente é assessor de imprensa e colaborador dos sites Juicy Santos, Lérias e Lixos e Resenhando.com. Criou a página "Musicalidades", que agrega os textos escritos por ele.

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