sábado, 16 de dezembro de 2017

.: "Mostra Depardon Cinema", grátis, no Centro Cultural Banco do Brasil SP e RJ

Centro Cultural Banco do Brasil SP e RJ apresentam a "Mostra Depardon Cinema" com obras de um dos maiores nomes do documentário mundial a partir de 3 de janeiro.

O deserto, as instituições, o mundo rural, a política, a justiça e a psiquiatria são alguns dos temas abordados pelo cineasta Raymond Depardon, de 75 anos, em sua vasta cinematografia. 

Oriundo da fotografia, já afirmou que suas obras trazem suas reflexões visuais. E são elas que o público poderá conhecer através dos 28 filmes, entre documentários e ficção, que integram a “Mostra Depardon Cinema” que acontece no Centro Cultural do Banco do Brasil do Rio de Janeiro e de São Paulo entre 3 a 28 de janeiro de 2018, à tarde. Produzidas entre 1969 e 2017, na seleção estão obras de destaque de sua carreira entre elas, 12 Dias, seu último filme exibido no Festival de Cannes desse ano.

A Mostra contará com a presença excepcional do Raymond Depardon no Brasil de 16 a 22 de janeiro para participar de debates e encontros com o público brasileiro e faz parte da retrospectiva em homenagem ao fotógrafo e cineasta francês que conta ainda com a exposição “Un Moment Si Doux” em cartaz no CCBB do Rio de Janeiro até o dia 5 de fevereiro. O evento tem realização do Centro Cultural do Banco do Brasil, patrocínio do Banco do Brasil e do Ministério da Cultura por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, apoio da EDF Norte Fluminense e da Embaixada do França no Brasil. A produção é da Bonfilm.

Curtas, médias e longas-metragens compõem a Mostra. Entre os filmes sobre o universo psiquiátrico estão "San Clemente", "Urgences", e "12 Dias", o último filme dele que estava em seleção oficial no Festival de Cannes 2017. O mundo camponês está presente em três longas da série "Perfis Camponeses", entre 2000 e 2008; o Chade em "La Captive du Désert"; o sistema judiciário em "Presos em Flagrante" e "Instantes de Audiência"; o mundo político em "1974", "Um Presidente em Campanha", e a vida cotidiana francesa em "Jornal da França" e "Os Habitantes", sempre com um olhar humanista.

Alain Bergala, crítico de cinema e professor na Fémis e Universidade Paris III, explica a forma como o artista se relaciona com a câmera e o objeto registrado: “Depardon não busca uma comunicação imediata e ilusória com as pessoas filmadas. Não procura uma cumplicidade com o espectador. Cada sequência filmada adquire imediatamente a dignidade de um documento sobre um fragmento do 'humano' em toda a sua complexidade, e torna-se uma captação de um pedaço da realidade, sobre a qual ele se proíbe ter qualquer preconceito ou ponto de vista ideológico”.

Além do olhar de Depardon para os diversos temas, o público poderá conhecer também um pouco de seu autor. No curta de 2005, Alguma novidade em Garet, o diretor e seu irmão conversam sobre seus pais e seu trabalho na fazenda da família que é posta à venda. Já em "Un Moment si Doux", de 2013, traz uma entrevista do cineasta sobre a exposição "Un Moment si Doux".

Além da exibição dos longas-metragens, haverá uma palestra sobre a cinematografia de Raymond Depardon em janeiro com data e horário a ser confirmado tanto no CCBB do Rio de Janeiro quanto no de São Paulo. A entrada é gratuita com distribuição de senhas uma hora antes.

A exposição de fotografias, que faz parte da retrospectiva da carreira de Raymond Depardon, fica em cartaz  no Rio de Janeiro até o dia 5 de fevereiro, e traz 170 imagens em cores e dimensões variadas entre paisagens, autorretratos e personagens de diferentes países da Europa, África e América Latina, incluindo o Brasil. Produzidas entre 1950 e 2013, sendo a maior parte inédita, as imagens estiveram expostas entre 2014 e 2015 no imponente "Le Grand Palais", em Paris, no museu MUCEM, em Marselha, e, recentemente, no Centro Cultural Recoletas, na Argentina. O trabalho do fotógrafo Raymond Depardon foi consagrado com inúmeros prêmios no mundo inteiro: Gran Premio Nacional da Fotografia, César do Melhor Documentário, Prêmio Louis Delluc, entre outros. 

Sobre Raymond Depardon
Fotógrafo e repórter, Raymond Depardon, filho de fazendeiros, nascido em 1942 na França, fez as suas primeiras fotos aos 12 anos na fazenda dos seus pais. Mudou-se para Paris em 1958 e entrou na Agência de imprensa Dalmas em 1960. Depois, viajou o mundo a partir da idade de 18 anos em busca de belos momentos fotográficos. A cada retorno, trazia na bagagem fotos impactantes que, muito rapidamente, foram reconhecidas por todos os profissionais e publicadas em jornais famosos.

O cineasta
Em mais de 30 anos, Raymond Depardon construiu uma obra maior, além de modismo, que explora incansavelmente o mundo, os homens e as grandes problemáticas do nosso tempo. Ele foi um dos últimos documentaristas a defender o uso da lente de 35 mm, o que dá a sua obra uma qualidade e uma dimensão espetacular.

Pode-se dizer também que ele foi um dos únicos documentaristas franceses a ter o ambicioso projeto de mostrar o que é a França durante esses 30 últimos anos. Além de escolher temáticas do seu interesse pessoal e imediato, acompanhou a história do país com uma consciência aguda do papel do cineasta e de sua enorme responsabilidade social. Isso prova que ele tinha a convicção profunda de que o cinema não é uma arte fútil e que tem o dever de deixar marcas e testemunhas essenciais para entender o mundo.

Em toda sua obra cinematográfica, Depardon reivindicou a neutralidade. Filmou muitas pessoas desesperadas ou sofridas, em situações muito difíceis, mas em nenhum momento demostrou uma curiosidade perversa ou buscava comover o espectador. Ele filma os seres humanos, seu carácter único e opaco e, ao mesmo tempo, uma coisa mais ampla, mais inconsciente, que mistura sua liberdade e o que o determina. 

Depardon não busca uma comunicação imediata ilusória com as pessoas filmadas, não procura uma cumplicidade com o espectador. Cada sequência filmada adquire imediatamente a dignidade de um documento sobre um fragmento do “humano” em todo a sua complexidade, e torna-se uma captação de um pedaço da realidade, sobre a qual ele se proíbe ter qualquer preconceito ou ponto de vista ideológico. 

O fotógrafo
Depardon começou a fotografar no final dos anos 50 na agência Dalmas, para a qual chegou a cobrir as guerras da Argélia e do Vietnã. Em 1966, montou com Gilles Caron sua própria agência, a Gamma e, em 1978, ingressou no time da famosa agência Magnum, onde está até hoje.  A maioria de suas obras é em preto e branco, mas também fotografou a cores desde o início da sua carreira.

Serviço

CCBB RJ: Exposição de fotografias "Un Moment si Doux" | até 5 de fevereiro de 2018
Horário: quarta-feira a segunda-feira, a partir das 9h às 21h

CCBB RJ E SP: Mostra Depardon Cinema (28 filmes) | 3 a 22 de janeiro de 2018
Horário: quarta-feira a segunda-feira, a partir das 14h30 às 21h 
Entrada franca*.
Retirada de ingressos para a mostra 1 hora antes do início da sessão.

CCBB Rio de Janeiro
Rua Primeiro de Março, 66 – Centro. Rio de Janeiro/RJ
Informações: (21) 3808-2020
E-mail: ccbbrio@bb.com.br
Horário de funcionamento: quarta a segunda, das 9h às 21h
Acesso e facilidade para pessoas com deficiência | Ar-condicionado | Cafeteria, Restaurante e Livraria Travessa | Confeitaria Colombo

CCBB São Paulo
Rua Álvares Penteado, 112 – Centro. São Paulo/SP
Acesso ao calçadão pelas estações Sé e São Bento do Metrô
Informações: (11) 3113-3651/3652
E-mail: ccbbsp@bb.com.br
Horário de funcionamento: quarta a segunda, das 9h às 21h
Acesso e facilidades para pessoas com deficiência | Ar-condicionado | Cafeteria e Restaurante | Loja
Clientes do Banco do Brasil têm 10% de desconto com Cartão Ourocard na cafeteria, restaurante e loja
Estacionamento conveniado: Estapar - Rua Santo Amaro, 272, Bela Vista – São Paulo-SP
Traslado gratuito até o CCBB. No trajeto de volta, a van tem parada na estação República do Metrô.
Valor: R$ 15 pelo período de 5 horas. É necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB.

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