domingo, 21 de janeiro de 2018

.: Carta aberta a Eduardo Caetano ou ode à amizade de metade da vida

Por Helder Moraes Miranda, em janeiro de 2018.

Há 18 anos, eu erro a data do aniversário dele. Sempre penso que é dia 21, mas o que fazer se ele tem cara de quem nasceu no dia 21? Eduardo, Edu, Cacau (quando quero irritá-lo), foi meu grande amigo da faculdade, é meu padrinho de casamento, é meu confidente, aquele que escuta tudo o que você diz e não emite uma gota de julgamento.

Com ele, eu não tenho filtro. Falo o que vem à cabeça, bobajadas, juízos de valor politicamente incorretos, e é tão bom ter um amigo em que se pode falar absolutamente tudo! Já briguei, já brigamos muito, ficamos sem nos falar, mas isso acontece entre irmãos - de sangue e de alma.

É, sem dúvida, o homem mais puro que conheci em toda a minha vida. Aquele que não vê maldade nos outros ou enxerga o lado positivo de todo mundo. TODO. MUNDO. É humilde no jornalismo, um meio de prepotentes sem nem ter porquê, e exemplo de que os bons podem chegar longe. Ele também é amigo de verdade até quando está com raiva. Não abre mão de suas certezas gritantes, mesmo que um emitir de opinião signifique magoar.

Amo profundamente esse meu amigo e muitas vezes a inocência que vejo nele dá vontade de protegê-lo, mas, ao mesmo tempo, dá vontade de me espelhar. Quando eu crescer, quero ter esse olhar, essa ética, esse caráter, essa força. Em um momento bem difícil, na loja, você esteve conosco. Sempre ia nos visitar quando podia, enquanto a maioria nos virou as costas (disso não esqueço nunca)

Você me inspira, você me comove, você é meu amigo, você é meu irmão. E você sabe o quanto eu sou contra ficar falando de afetos em redes sociais, porque tudo o que tenho a dizer sempre disse na sua cara. Como disse o quanto você é importante para mim pelo celular, enquanto estava com a minha mãe, que, aliás, carrega com ela uma foto bem antiga em que nós estamos, com minha irmã e meus sobrinhos. Dezoito anos atrás nos conhecemos em um trote de faculdade. Dezoito anos, metade de nossas vidas... Estamos velhos, camarada. Mas estamos!


*Helder Moraes Miranda escreve desde os seis anos e publicou um livro de poemas, "Fuga", aos 17. É bacharel em jornalismo e licenciado em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura, pela USP - Universidade de São Paulo, e graduando em Pedagogia, pela Univesp - Universidade Virtual do Estado de São Paulo. Participou de várias antologias nacionais e internacionais, escreve contos, poemas e romances ainda não publicados. É editor do portal de cultura e entretenimento Resenhando.

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