sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

.: "Viva! A vida é uma festa" celebra a família e emociona

Por: Mary Ellen Farias dos Santos
Em janeiro de 2018



Em tempos de muros erguidos para separar nações, a nova produção dos mesmos criadores do sensível e emocionante "Divertida Mente", homenageia a cultura mexicana. Disney e Pixar, "Viva! A Vida é uma Festa", segue o princípio de que todos somos parte daqueles que vieram antes. Além de a animação celebrar a importância da família, evidencia a necessidade de fazermos as pazes com o passado, colocando tudo em pratos limpos, pois toda história tem mais de um lado.

Por meio de papeis cortados -introdução impecável-, um pouco da história da família Rivera é contada, até mesmo a raiva deles pela música é apresentada por um número musical belíssimo. Por outro lado, a trama de fantasia e mistério é protagonizada por Miguel (voz de Anthony Gonzalez), de 12 anos, que quer muito ser um músico famoso, mas nem mesmo pode chegar perto de um violão, pois a avó faz uso de artimanhas eloquentes para afastá-lo da música. É num "Dia de Los Muertos", inspirado na grande estrela da música Ernesto de La Cruz (voz de Benjamin Bratt) -do lado dos mortos é morador de uma casa estilo "O Grande Gatsby"-, que Miguel passa a ter a plena certeza de que tudo o que precisa é se apresentar na praça. 

Mesmo sem um violão, o menino encontra determinação suficiente para não se sapateiro com todos os outros. Nessa viagem ao além, com muita música, acompanhado do cachorro Dante, Miguel encontra os antepassados, conhece o trapaceiro encantador Hector (voz de Gael García Bernal), e o público é levado a embarcar numa jornada para descobrir o mistério de 100 anos da família Rivera.



Dirigido por Lee Unkrich (“Toy Story 3”), codirigido por Adrian Molina (story artist de “Universidade Monstros”) e produzido por Darla K. Anderson (“Toy Story 3”), “Viva – A Vida é uma Festa” bebe um pouquinho da fonte de Tim Burton, além de deixar uma pulguinha questionadora atrás da orelha. E se Burton tivesse trabalho nessa produção? Afinal, há uma pegada do clássico filme "Os Fantasmas Se Divertem" e "A Noiva Cadáver", pois Miguel é um vivo na terra dos mortos, ou seja, faz contato com o outro lado. Tal qual a visão de Burton, do outro lado, tudo é colorido. Contudo, a atualização de colorido vibrante Disney foi feita -e com louvor. Em “Viva – A Vida é uma Festa” o uso harmônico de cores cítricas enche os olhos e agarra a atenção de todo o público.

Embora animações como "A Noiva Cadáver" e "Festa No Céu" já tenham focado todo enredo no tema morte, para a Disney, tal assunto sempre pareceu mais complicado, pois ao expor foi sempre 8 ou 80. Das saídas suaves para uma cena de falecimento está a de Gaston (A Bela e a Fera) e Hopper (Vida de Inseto), já as mais impactantes são a da mãe de Bambi (Bambi), de Mufasa, o pai de Simba (O Rei Leão) e dos pais de Tarzan (Tarzan). Não que “Viva – A Vida é uma Festa” seja suave ao retratar o passamento de alguns personagens, pois enquanto um é envenenado, outro morre soterrado por um sino. Por outro lado, é despertada a ideia de castigo e, caso a postura má permaneça, a punição pode ter "replay". 

A animação “Viva – A Vida é uma Festa” é madura, profunda, encanta e emociona. Não se preocupe em esconder as lágrimas diante dos diálogos intensos, pois ao seu lado ou bem perto, alguém também estará chorando. Por mais que coloque os sentimentos numa montanha-russa, é uma animação digna de ser revista incontáveis vezes.

Curta: Como é de praxe, antes de a animação Pixar começar, há a exibição de um curta-metragem. Contudo, para ‘Viva – A Vida É Uma Festa’, a história ficou diferente. "Olaf em Uma Nova Aventura Congelante de Frozen" (Olaf’s Frozen Adventure) chegou a ser exibido, mas o público reclamou da duração do curta de 22 minutos, e algumas pediram o dinheiro da sessão de volta. Assim, um comunicado da Pixar foi encaminhado aos empresários do ramo, decretando que a partir do dia 08 de dezembro o curta não seria mais exibido antes do filme.


Animação: A Vida é uma Festa (Coco, EUA, 2017)
Classificação: livre
Estreia: 4 de Janeiro de 2018
Duração: 105 min.
Direção: Lee Unkrich
Roteiro: Matthew Aldrich
Elenco: Gael García Bernal , Benjamin Bratt , Anthony Gonzalez


*Editora do site cultural www.resenhando.com. É jornalista, professora e roteirista. Twitter: @maryellenfsm





Trailer



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Um comentário:

  1. Filme emocionante, consegue revirar os pensamentos de todos, crianças ou adultos. Para os adultos é muito mais reflexivo, por isso que choramos.

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