terça-feira, 6 de março de 2018

.: "Eu Sozinha", o primeiro livro de Marina Colasanti, é relançado


“Sua visão do mundo é dela só, mais desesperada e aflita do que jamais foi posto em livro,numa personificação assustadora do isolamento definitivo do ser humano.” Millôr Fernandes.

"Eu Sozinha" (Global Editora, 112 páginas, R$ 42), obra inaugural de Marina Colasanti, é um livro de solidão. A solidão como companheira, desde o nascimento na África até o tempo presente num apartamento em Ipanema. Afasta-se da autobiografia porque não conta a história de uma vida, mas transmite a marca da solidão de uma mulher jovem que caminha só, mora só, viaja só, trabalha só, mesmo quando há ao lado a ilusão dolorosa de outras proximidades.

O livro é organizado em dois planos narrativas paralelos, sendo os capítulos pares relativos a momentos presentes, enquanto os ímpares são autobiográficos. “O que desejava, através dessa estrutura, era mostrar que a solidão se constrói desde o início, estejamos ou não acompanhados, e que desde o início nos acompanha.”, explica Marina.

A obra não só deu início à carreira literária de Marina, como também estabeleceu uma linguagem e um olhar muito particular.  Pois Marina emerge da crônica que a notabilizou no Jornal do Brasil, já trazendo na escrita o som diferenciado que será seu dali em diante.

Uma outra inauguração acontece neste livro: a de uma estrutura rigorosa, cujas colunas de sustentação são mantidas ocultas. A autora planeja o livro com rigor de esquadro, organizando fragmentos aparentemente aleatórios de forma a constituir um painel, discurso mais amplo nunca explicitado, cuja plena compreensão é entregue à sensibilidade do leitor. Essa mesma maneira de trabalhar o texto curto será retomada por ela, ao longo dos anos, nos livros de contos e de minicontos.
“O silêncio da casa é feito dos barulhos de fora. Se tudo em volta se calasse, minha respiração seria ensurdecedora”.         

Sobre a autora:
Marina Colasanti nasceu em Asmara, na Eritreia, viveu em Trípoli, percorreu a Itália em constantes mudanças e transferiu-se com sua família para o Brasil. É casada com o escritor Affonso Romano de Sant’Anna e  tem duas filhas. Viajar foi, desde o início, sua maneira de viver. Assim, aprendeu a ver o mundo com o duplo olhar de quem pertence e ao mesmo tempo é alheio. A pluralidade de sua vida transmitiu-se à obra. Pintora e gravadora de formação, é também ilustradora de vários de seus livros. Foi publicitária, apresentadora de televisão e traduziu obras fundamentais da literatura. Jornalista e poeta, publicou livros de comportamento e de crônicas, recebendo numerosos prêmios.

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