segunda-feira, 26 de março de 2018

.: Por que apenas conhecemos as “Marielles” depois da morte?

Por Marcio Costa*, em março de 2018.

Marielle se formou pela PUC-Rio, e fez mestrado em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Sua dissertação teve como tema: “UPP: A Redução da Favela a Três Letras”. Trabalhou em organizações da sociedade civil como a Brasil Foundation e o Centro de Ações Solidárias da Maré (Ceasm). 

Coordenou a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), ao lado de Marcelo Freixo. Iniciou sua militância em direitos humanos após ingressar no pré-vestibular comunitário e perder uma amiga, vítima de bala perdida, num tiroteio entre policiais e traficantes no Complexo da Maré. Aos 19 anos, se tornou mãe de uma menina. Isso a ajudou a se constituir como lutadora pelos direitos das mulheres e debater esse tema nas favelas.

Mas por que foram necessários nove tiros para sabermos quem é Marielle?

Para tentarmos chegar a uma resposta, se torna necessário falar sobre direitos humanos, deixando claro que direitos humanos, são direitos para todos os humanos e não apenas para alguns, ou como a mídia prega, “direito de bandido”, se o leitor pensa dessa forma, pare aqui.

Marielle era uma pessoa que defendia os direitos das mulheres, dos bandidos, dos PM’s, do ser humano, a morte de Marielle é um tapa na cara da sociedade. Uma sociedade cada vez mais racista, fascista, misógina e preconceituosa em um contexto geral.

De súbito, me vem um questionamento. Porque o Datena nunca falou de Marielle ou de pessoas que defendem os Direitos Humanos? Será que porque isso não vende matéria? É melhor mostrar o “negro ladrão” morto no asfalto? Ah Datena… dê voz para pessoas iguais à Marielle, não mostre apenas o negro, pobre e excluído da sociedade estirado no asfalto.

Precisamos parar de pensar que Direitos Humanos são “direitos de bandidos”, isso é o que os “detentores do poder” querem que pensemos. Se torna necessário nos tempos atuais possuirmos uma crítica reflexiva acerca dos fatos, estamos no século XXI, o século da ciência e tecnologia.

Observação: O foco dessa matéria não é moldar o pensamento de ninguém, apenas construir dúvidas acerca de fatos recentes.

*Marcio Costa é pai de uma menina, defensor dos direitos das mulheres, ex-publicitário, dono de um canal de gastronomia no Youtube (AntiGourmet TV), cursando Licenciatura em Filosofia pela Universidade Católica de Santos (UniSantos). Apaixonado por Filosofia, Biologia, Sociologia, Política, Astrofísica e Gastronomia.

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