quarta-feira, 28 de março de 2018

.: Resenha crítica de "Jogador Nº 1", filme que transpira cultura pop

Por: Mary Ellen Farias dos Santos
Em março de 2018


acentuada ruptura entre ricos e pobres. Esse é o pano de fundo de "Jogador Nº 1", que no ano de 2044traz uma realidade intensamente moderna: Os viventes "pertencentes" ao meio virtual, obtém a subsistência, ausentando-se apenas para cumprir as necessidades fisiológicas -atividade humana não alterada. Em meio a contêineres empilhados, a vida suburbana é atenuada com a fuga para o jogo OASIS. Lá só é preciso escolher -ou trocar- um avatar e, talvez, estabelecer vínculos virtuais.

Entretanto, quando o excêntrico criador do jogo, James Halliday (Mark Rylance), morre, os jogadores são incumbidos de desvendar as charadas ao receberem as chaves que darão acesso a uma fortuna inestimável. Durante essa corrida ensandecida, o adolescente criado pela tia após perder os pais, Wade Watts/Parzival (Tye Sheridan, de "X-Men: Apocalipse"), faz amigos -até no mundo real. Incluindo um amor, interpretado por Olivia Cooke, na pele de Samantha Cook/Art3mis. Embora exista um prêmio substancioso para apenas um ganhador, eles formam o "Clube dos Cinco".


Unidos e emanando muitas referências aos jogos de Atari ou a animação "O Gigante de Ferro", o quinteto combate a IOI, megacorporação liderada pelo maligno Nolan Sorrento (Ben Mendelsohn), que objetiva tomar o OASIS para si. Como não ressaltar a brincadeira incrível das semelhanças gráficas entre "1" e "I", estabelecendo relação com os números binários ao nome da maior empresa do futuro?  

O longa baseado no best-seller de Ernest Cline, de trilha sonora impecável e "vintage", já é de cara apresentada com "Jump", na voz de Van Halen. A galera dos 30 e poucos anos, definitivamente, tem diversas opções para cantar junto. A emoção do público também é provocada diante da telona do cinema exibindo uma velha televisão de madeira, de tubo, com um Atari e alguns de seus jogos desafiando competidores do OASIS.

Numa pegada completamente jovial, assim como toda cultura pop a que usufrui ao formar a narrativa de "Jogador Nº 1"a nova produção cinematográfica dirigida por Steven Spielberg apresenta o contraditório planeta Terra, devastado e tecnológico, daqui a 26 anos. Em contraponto, as mais de 2 horas de filme se esbalda em referências a clássicos do cinema, da música e dos jogos.

Embora a produção desenvolva grande parte da trama no meio virtual seja, definitivamente, uma bela homenagem à franquia "Final Fantasy" -jogos eletrônicos de RPG, as menções aos personagens clássicos dos anos 80 até os 2000 são os "segredinhos" que presenteiam o público. Assim, diversos elementos cinematográficos pipocam na tela, como por exemplo, o T-Rex do "Jurassic Park", o "King Kong" no topo do Empire State Building e até "O Homem Bicentenário".

Em formato de game, até mesmo o gênero terror ganhou destaque -e para assustar. A representação de "O iluminado", inclui as gêmeas mostrando o caminho, a sedutora mulher-senhora zumbi na banheira, o banho de sangue pela porta do elevador, a porta arrebentada com o uso de um machado, o labirinto nevado e o icônico triciclo de Danny. 

Até a guerra entre o povo e a incorporadora remete às batalhas épicas de "O Senhor do Anéis"A cada chave recebida pelos competidores, o avatar do criador do jogo, o oráculo, surge tal qual um "Gandalf" -dourado?-, pela aparência, mas com todo o estilo "Mestre dos Magos", por deixar mensagens a serem decifradas pelos competidores.



É visível a aspiração de "Jogador Nº 1" a ser um clássico tal qual "De Volta Para o Futuro". No longa de Spielberg, o criador do game, Halliday, lembra o cientista Dr. Brown (Christopher Lloyd), seja pelo cabelo bagunçado ou a forma de falar. Wade, por sua vez, é um discípulo e admirador fiel, pois nas corridas do OASIS, usa um carro com portas que abrem para cima. Não há dúvida de que "De volta para o futuro" ainda faz brilhar os olhos de diversos produtores -a terceira temporada de "Stranger Things" será pautada no clássico de 1985.

A longa duração de "Jogador Nº 1" é um embarque certeiro a uma fantasia cheia de ação tão envolvente que provoca o público a desvendar os muitos "easter eggs" que oferece, embora o desfecho do enredo seja totalmente previsível -talvez por seguir a linha dos filmes dos anos 80. Mas, afinal, será que daqui a 26 anos, poderemos descobrir se "Jogador Nº 1" acertou algumas profecias? Só nos resta aguardar!


Filme: Jogador Nº 1 (Ready Player One, EUA)
Ano: 2018
Estreia: 29 de Março de 2018
Duração: 2h19min
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Eric Eason , Zak Penn

Elenco: Tye Sheridan, Olivia Cooke, Ben Mendelsohn, Simon Pegg, Mark Rylance, Hannah John-Kamen, T.J. Miller 


*Mary Ellen Farias dos Santos é criadora e editora do portal cultural Resenhando.com. É formada em Comunicação Social - Jornalismo, pós-graduada em Literatura e licenciada em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos. Twitter: 
@maryellenfsm





Sobre o Cine Roxy: Em mais de oito décadas, o Roxy é caso raro de cinema que acompanhou a transformação da maneira de se exibir um filme: dos primeiros e grandes rolos de película ao sistema digital. A rica trajetória se deve à perseverança e o senso empreendedor da família Campos: de pai para filho, chegou ao atual diretor do Roxy, Antônio Campos Neto, o Toninho Campos. A modernização, aliada à tradição, transformou o Roxy no principal cinema do litoral paulista, fato que rendeu a Toninho o Prêmio ED 2013 na categoria Exibição -Destaque Profissional de Programação, considerado o principal do país nos segmentos de exibição e distribuição. E o convite para ser diretor cultural do Santos & Convention Visitors Bureau.


Trailer do filme

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3 comentários:

  1. Meu!Quanta coisa tem nesse filme. Vou ver.

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  2. Giovanna Cândida2 de abril de 2018 15:11

    Olha gostei do filme, bem elétrico, agitadão, mas muito longo, teve uma hora que torci para acabar. Acho que foi na hora da guerra. Detesto.

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  3. Gabriel Rodrigues3 de abril de 2018 19:10

    Que filme legal, vi hoje!

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