domingo, 20 de maio de 2018

.: Itaú Cultural faz um elogio à literatura nas palavras de Antonio Candido

Retrato de Antonio Candido. Crédito da foto: Guilherme Maranhão.
No centenário de nascimento deste que é um dos principais intérpretes do Brasil, o Itaú Cultural realiza a Ocupação Antonio Candido em sua homenagem. É a 40ª da série, desta vez composta de mostra, publicação, hotsite, colóquio internacional e, a partir de junho, ações educativas. Com peças de seu acervo pessoal inéditas, o espaço expositivo apresenta o crítico literário, sociólogo e professor em primeira pessoa, com suas próprias palavras escritas.

Anotações para ensaios, cadernos de estudos, textos revisados mesmo depois de publicados, estudos para importantes obras como "Formação da Literatura Brasileira" e "Parceiros do Rio Bonito", além de fotos, objetos, vídeos e documentação inédita do acervo pessoal, compõem a "Ocupação Antonio Candido". 

Um dos principais intérpretes do Brasil, crítico literário, sociólogo e professor, ele é apresentado na exposição em primeira pessoa. Abre no Itaú Cultural dia 23 de maio e segue até 12 de agosto. A curadoria é dos núcleos de Audiovisual e Literatura e da Enciclopédia do instituto com Laura Escorel, neta de Candido. Em paralelo, de 23 a 25 do mesmo mês, a instituição realiza um colóquio internacional para debater a sua vida, obra e militância. Em 24 de julho deste ano, ele completaria 100 anos.

Linha mestra da curadoria da exposição é o caminho percorrido por Antonio Candido, cujo trabalho entende o estudo e a criação como atos libertadores, para marcar posições político-sociais. Assim, a proposta curatorial é que a ocupação seja um elogio à literatura, considerada por ele um direito universal, como ressaltou em seu texto "O Direito à Literatura".

O Itaú Cultural apoia a organização dos acervos de Antonio Candido e Gilda de Melo e Souza, doados pela família ao Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB/USP). A partir de materiais inéditos conservados neste espólio, o espaço expositivo apresenta Antonio Candido em primeira pessoa. Ali é exibido o seu processo criativo permitindo ao visitante entrever como o autor planejava os seus trabalhos, como retornava, corrigia, reelaborava raciocínios, e perceber detalhes de seu processo de trabalho.

Fiel ao conceito de todas as "Ocupações" – esta é a 40ª da série iniciada em 2009 para fomentar o diálogo da nova geração de artistas com os criadores que os influenciaram, integrando uma das políticas permanentes do instituto, a preservação da memória artística –, a exposição, somada ao colóquio, percorre a vida, obra e processo de construção desta personalidade singular da sua infância até o fim.

Sete temas compõem a mostra: "Autocrítica e Artigos em Destaque", "Os Parceiros do Rio Bonito", "Formação da Literatura Brasileira", "Clima e Argumento", "Suplemento Literário", "Família e Infância" e "Educador". Ali estão expostos cadernos de quando Candido era criança com anotações sobre autores que lia e que explicitam o início de seu processo de estudo e pesquisa. Também há fotos com os irmãos, Roberto e Miguel, e os pais Clarisse e Aristides, além de imagens do ambiente que fez parte de sua meninez, as cidades de Poços de Caldas e Santa Rita de Cássia, ambas em Minas Gerais, com alguns registros feitos pelo próprio Candido.

Destacam-se, a documentação sobre "Os Parceiros do Rio Bonito" – resultado da tese de doutorado defendida por ele na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, em 1954, transformada em livro dez anos mais tarde – e "Formação da Literatura Brasileira", escrita entre 1945 e 1951, editada, em 1959, em dois volumes, e reeditada em 2007 em um único volume.

Na exposição, se vê ainda o começo de sua carreira como crítico literários, com a sua participação na revista Clima, representada pela página de expediente da publicação, e exemplares da Argumento. A primeira circulou de 1941 a 1944, com a participação de Antonio Candido (literatura), Décio Almeida Prado (teatro), Paulo Emílio Salles Gomes (cinema), Lourival Gomes Machado (artes plásticas) e Antonio Branco Lefèvre (música), além da professora de estética e crítica de arte Gilda de Mello e Souza – todos convidados pelo dramaturgo Alfredo Mesquita. A segunda, com o mesmo grupo, teve quatro números publicados entre 1973 e 1974, até que teve um número censurado e grupo decidiu cessar a sua produção.

Em 1943, passou a publicar críticas na grande imprensa, até 1945 na Folha da Manhã e, depois, até 1947 no Diário de S. Paulo. Nesse período, compôs 162 escritos, alguns dos quais podem ser vistos na mostra. Destacam-se "Perto do Coração Selvagem", sobre o romance de estreia de Clarice Lispector, e "Poesia ao Norte", que trata de Pedra do Sono, coletânea inaugural de poemas de João Cabral de Melo Neto.

Também está presente na mostra, o projeto do Suplemento Literário elaborado por Antonio Candido com indicações do conteúdo tratado e da lista de colaboradores necessários com sua respectiva remuneração é outra das preciosidades contidas nesta mostra. A publicação foi editada pelo jornal O Estado de São Paulo, de 1956 a 1974.

Atividades paralelas
Além da mostra, a Ocupação apresenta uma publicação, um hotsite e o Colóquio Internacional Antonio Candido, que conta com a participação dos brasileiros escritores Antonio Prata e Luiz Ruffato, os professores Celso Lafer, Marisa Lajolo e Walnice Nogueira Galvão e o ensaísta José Miguel Wisnik.

Vindos de fora do país, participam do colóquio, também, a professora e tradutora checa Šárka Grauová, chefe do Departamento de Estudos Luso-Brasileiros do Instituto de Estudos Românicos da Faculdade de Letras da Universidade Carolina de Praga (República Checa), e o professor titular de Literatura uruguaia na Universidade Federal do Uruguai Pablo Rocca.

Nos dias 9, 16, 23 e 30 de junho, o Núcleo de Educação e Relacionamento, promove a Oficina para Ler e Criar. Nela, os participantes são convidados a criar o seu próprio livro de histórias por meio de simples materiais como tecidos, fitas e papéis, onde poderão escrever, desenhar, colar e também levar o seu livro para casa.

Desde o início da exposição, esta equipe realiza visitas guiadas de terça-feira a domingo, conforme demanda do público. Com duração aproximada de 60 minutos, podem ser realizadas em português, inglês, espanhol e Libras (Língua Brasileira de Sinais).

"Ocupação Antonio Candido"

Exposição
Abertura - 23 de maio (quarta-feira):
19h – Fala da professora Walnice Nogueira Galvão inicia o Colóquio Internacional Antonio Candido
20h – Inauguração da exposição
De 23 de maio (quarta-feira) a 12 agosto (domingo)
Visitação: terças-feiras a sextas-feiras, das 9h às 20h (permanência até as 20h30)
Sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h
Piso térreo
Classificação indicativa: Livre

Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô
Telefones: (11) 2168-1776/1777
Acesso para pessoas com deficiência
Ar-condicionado

Estacionamento: entrada pela Rua Leôncio de Carvalho, 108
Se o visitante carimbar o tíquete na recepção do Itaú Cultural:
3 horas: R$ 7; 4 horas: R$ 9; 5 a 12 horas: R$ 10.
Com manobrista e seguro, gratuito para bicicletas.

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