segunda-feira, 18 de junho de 2018

.: Crítica de "Os Produtores" com Miguel Falabella, no Teatro Procópio Ferreira

Por: Mary Ellen Farias dos Santos*
Em junho de 2018


Crédito: Pedro Dimitrow

"Os produtores", espetáculo da Broadway, após 11 anos de estreia nos palcos brasileiros (2007), volta em grande estilo com Miguel Falabella (Max Bialystock), Danielle Winits (Ulla) e Marco Luque (Leo Bloom), no Teatro Procópio Ferreira, em São Paulo, de quinta-feira à domingo. Com mais sofisticação, cenários e figurinos coloridos, a nova montagem da comédia musical tira o peso de rir do politicamente incorreto.

Visivelmente mais elaborada, a remontagem "Os produtores" ainda é dominada pela força sedutora do protagonista: Max Bialystock (Miguel Falabella). Jogo de conquista que funciona perfeitamente por meio do carisma de Falabella. Facilmente, a plateia se deixa fisgar pela magistral e dominante presença de palco do rei das cenas. 

Max está longe de ser o mocinho da trama. No entanto, o tom dado por Falabella faz crescer a estima do público por esse homem sem escrúpulos que somente visa enriquecer, ainda que seja preciso se envolver com senhoras para angariar dinheiro e, então, produzir um musical certo de ser um fracasso de público.

Outro ponto que fortalece o envolvimento do público com o pilantra Bialystock é o bom humor característico de Miguel Falabella. Essa é sem dúvida uma das grandes sacadas da nova versão brasileira do musical da Broadway, "Os Produtores"Impossível deixar de estabelecer certa conexão do personagem com o inesquecível Caco Antibes, do sitcom rico em diálogos livres: "Sai debaixo"

Após o intervalo de 20 minutos, o protagonista na prisão, constata que fora esquecido pelo amigo. Numa canção, Bialystock resume a trama já apresentada, mas rouba gargalhadas quando o detento representa duas senhorinhas aguardando o retorno do espetáculo. Ali, há a perfeita leitura do pensamento -e fala até- de grande parte da plateia que vê o ator no palco e conclui que "Falabella está bem para a idade dele". 

Nesse monólogo, enquanto uma das idosas cogita chamar um Uber e rachar o valor da corrida com a nova amiga, há também resmungos sobre estar tarde, pelo fato de o musical ser longo. São 150 minutos de duração. Entretanto, o humor de qualidade, dita o ritmo do espetáculo, fazendo com que não se sinta o tempo passar -ao menos a quem está habituado aos musicais.

A sátira cantada também presenteia o público com um lado desconhecido do apresentador e ator Marco Luque. Na pele de Leo Bloom, surpreende cantando e não faz feio. A entrada da mulher vestida de branco, Ulla (Danielle Winits), empolga e deixa claro que é o complemento que falta no palco para Max e Leo. 

Versátil, Winits dá um show de talento e anima ainda mais o rumo da narrativa. Muda até mesmo toda a sala para a cor branca, desperta o amor do senhor Bloom e faz com que ambos "azulem-se" nas vestimentas. Parceira, acompanha Bloom na busca do direito de usar um chapéu de produtor e é importante no julgamento de Max, destacando o poder da amizade que une de vez os três.

O texto pautado no objetivo de fazer rir, debocha do tiranismo do líder político Hitler por meio de Franz Liebkind (Edgar Bustamante), seguidor irreverente do nazismo, ainda traumatizado pelo o que viveu na Guerra. Com a chegada dos assistentes Roger De Bris (Sandro Christopher) e Carmen Ghia (Mauricio Xavier), é formado um segundo trio, que trabalha com excelência para trazer o alívio cômico, abrilhantando ainda mais o espetáculo. É simplesmente impossível escapar impune da graça e irreverência da Carmen Ghia de Mauricio Xavier e/ou do desdém provocante do Roger De Bris, de Sandro Christopher. "Os Produtores" é imperdível!



Crédito: Pedro Dimitrow


SINOPSE: Primavera de 1959 em Nova York. O produtor Max Bialystock (Miguel Falabella) amarga seu último fracasso no teatro quando chega, em seu escritório, um contador tímido e um tanto nervoso, Leo Bloom (Marco Luque), para revisar a contabilidade. Sem querer, Leo descobre que um produtor pode ganhar mais dinheiro com um fracasso do que com um sucesso. “Você pode juntar um milhão de dólares de investidores, gastar cem mil e guardar o resto!”. A ideia faz brilharem os olhos de Max, que convence o até então honesto contador a se associar a ele.

A dupla então se dedica a encontrar a pior obra jamais escrita, conseguir o mais desastroso diretor de teatro e produzir o maior fracasso da história. A eles junta-se Ulla (Danielle Winits), uma dançarina sueca que conquista seu espaço com algum talento e belas pernas. No entanto, nem tudo sai como planejado: a obra resulta num estrondoso sucesso, o golpe é descoberto e ambos são presos. Mas o que parece o fim acaba virando um novo começo. Após saírem da prisão, Max e Leo voltam à Broadway com o musical “Prisioneiros do Amor”. Desta vez, porém, a ideia é fazer sucesso e a peça é um recomeço para os dois. 

DOS CINEMAS AOS PALCOS: Clássico originário da comédia de Mel Brooks, de 1968, foi eleito pelo American Film Institute como uma das 100 melhores comédias de todos os tempos (11ª posição) e vencedor do Oscar de melhor roteiro original, em 1969. Adaptado aos palcos da Broadway em 2001, em 2005, acrescentando Thomas Meehan no roteiro, foi refilmado tendo no elenco Nathan Lane, Matthew Broderick, Uma Thurman, Gary Beach, Roger Bart e Will Ferrell. No Brasil, fez história nos grandes teatros, em 2007, pelas mãos de Falabella -como ator, produtor e diretor.


"O Rei da Broadway" (King of Broadway), por Cena Musical

"Se Você Tem, Mostra" (When You Got It, Flaunt it!), por Cena Musical


FICHA TÉCNICA 
Direção Geral – Miguel Falabella
Direção Musical e Vocal – Carlos Bauzys
Coreografia – Fernanda Chamma
Cenografia - Renato Theobaldo
Figurino – Ligia Rocha e Marco Pacheco
Visagismo – Dicko Lorenzo
Design de Som – Gabriel D'Angelo
Design de Luz – Guillermo Herrero
Produção Geral – Sandro Chaim 
Assistente de Direção e Diretora Residente – Dani Calicchio
Direção Musical Associada e Maestro – Guilherme Terra
Coreografia de Sapateado - Felipe Galganni
Cenógrafo Associado – Beto Rolnik

ELENCO
Miguel Falabella - Max Bialystock
Marco Luque - Leo Bloom
Danielle Winits - Ulla
Sandro Christopher – Roger De Bris
Edgar Bustamante – Franz Liebkind
Mauricio Xavier – Carmen Ghia
Brenda Nadler – Ensemble
Carol Costa – Ensemble
Fefa Moreira – Ensemble/ Swing
Giovanna Zotti – Ensemble
Hellen de Castro – Ensemble
Mariana Belém – Ensemble
Maysa Mundim – Ensemble
Renata Vilela – Ensemble
Talita Real – Ensemble
Thais Garcia – Ensemble
Adriano Tunes – Ensemble
Carlos Leça – Ensemble
Daniel Caldini – Ensemble / Swing
Fernando Lourenção – Ensemble
Gustavo Klein – Ensemble
Marcel Octavio – Ensemble
Pedro Paulo Bravo – Ensemble
Rafael Machado – Ensemble
Ubiracy Brasil – Ensemble

Redes Sociais: @osprodutoresbr   |   Site: www.osprodutoresomusical.com.br

SERVIÇO:
OS PRODUTORES 
Recomendação: 12 anos
Duração: 150min (com intervalo de 20min)

SÃO PAULO
Teatro Procópio Ferreira (624 lugares)
Rua Augusta, 2.823 – Jardins.

DIAS E HORÁRIOS DAS APRESENTAÇÕES:
Quinta e sextas - 21h   |    Sábados - 17h e 21h   |    Domingos - 15h30


*Mary Ellen Farias dos Santos é criadora e editora do portal cultural Resenhando.com. É formada em Comunicação Social - Jornalismo, pós-graduada em Literatura e licenciada em Letras pela UniSantos - Universidade Católica de Santos. Twitter: 
@maryellenfsm

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2 comentários:

  1. Fico feliz pela volta ao teatro. Há 10 anos, não pude ver. Dessa vez, não perderei. Jamais. Bom texto!

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  2. Roteiro debochado, crítico. Esse é dos bons.

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