sábado, 9 de junho de 2018

.: Exposição de Rose Klabin é prorrogada até 8 de agosto

Artista traz conjunto de esculturas de mármore em instalação imersiva em seu ateliê

Bertha (esquerda) e Jenny (direita), esculturas em mármore reconstituídas por Rose Klabin


Refletir sobre os duplos da existência humana e explorar a dicotomia que existe entre permanência e a transitoriedade. Investigá-los a partir da justaposição do denso e do fluído, tomando o feminino como corpo de expressão. É este o mote de Sutartine, exposição individual de Rose Klabin, em cartaz até 8 de agosto. Representada pela galeria Eduardo Fernandes, a artista expõe em seu próprio ateliê, localizado no bairro Cidade Jardim.

Com curadoria de Douglas de Freitas e projeto expográfico do arquiteto Mauro Munhoz, a exposição reúne cinco esculturas em mármore, corpos femininos que convivem, nem sempre de modo harmônico, com uma série de engrenagens e metais – objetos de resíduos industriais.

"Sutartine, palavra de origem lituana que dá nome à exposição, carrega em si a ideia de acordo, de uma convivência em harmonia entre dois seres distintos. De alguma forma, essa oposição sempre norteou o trabalho de Rose e é explicitada aqui pela combinação do mármore, matéria que simboliza a perenidade, com o metal, elemento que aos poucos vai se deteriorando", pontua o curador.

Na instalação site specific, essas figuras surgem sob um espelho d'água em um ambiente turvo, ganhando visibilidade ao som de surtatines, cantos folclóricos de origem lituana, marcados pela polifonia de vozes femininas. Apesar de não formarem um som único, combinam-se e coexistem em consonância. A mostra traz ainda um vídeo, registro de uma performance da artista em Vermont, nos Estados Unidos.

"O projeto expográfico estabelece uma ponte com a dimensão íntima, por ter sido concebido no ateliê da artista, e exterior, que vem do próprio trabalho artístico", afirma o arquiteto Mauro Munhoz. "Para isso, criamos um ambiente onírico: inundamos o espaço com água. Nele, só será possível ter uma referência espacial a partir da imagem da luz refletida das esculturas, desconstruindo as âncoras com o real, até a travessia para a outra sala, seca, onde será possível viver outra experiência", completa.

Essa dualidade é refletida também nas figuras representadas: corpos nus, femininos, que fogem daquela que comumente é tida como forma ideal. As curvas que se sobrepõem e atribuem história e expressividade a cada uma das personagens. Em referência à trajetória pessoal e artística de Rose, o uso do metal enferrujado.

"O processo de criação deste trabalho foi intenso e bastante profundo. Nasceu da necessidade em me posicionar dentro do universo industrial, sem dele me abdicar", afirma a artista, em referência a sua família, à frente da empresa que hoje é considerada maior produtora de papel e celulose do país.

Artista
Rose Klabin nasceu em 1977, no Rio de Janeiro. Viveu, estudou e trabalhou em Nova York e em Londres. Lá, se formou na Central Saint Martins, onde também fez um mestrado em Fine Arts. Desde 2007, vive no Brasil, investigando a vida brasileira contemporânea, com um interesse particular pela cultura empresarial.

Entre as exposições individuais que já apresentou, Rise and Fall, na Galeria Patti and Ernest Worth, de Israel, em 2013; na galeria paulistana Eduardo Fernandes em 2012; e ainda na londrina Tristan Hoare, também em 2012. Anteriormente, expôs seus trabalhos na Galeria Ipanema, no Rio de Janeiro, em 2004, e na Generous Miracle Gallery, de Nova York, em 2002.

Curadoria
Douglas de Freitas é bacharel em Artes Visuais. Desde 2011, trabalha como curador de artes visuais do Museu da Cidade de São Paulo, onde realizou a performance de Maurício Ianês, as instalações de Tatiana Blass, Lucia Koch, Iran do Espírito Santo, Felipe Cohen, Laura Belém, Sara Ramo e Vanderlei Lopes na Capela do Morumbi; a instalação de Sandra Cinto na Casa do Sertanista; e as exposições retrospectivas Guerra do Tempo, de Marilá Dardot, e Arte à Mão Armada, de Carmela Gross, na Chácara Lane.

Foi vencedor do Prêmio PROAC Artes Visuais, com o projeto Fachada 2e1 (2014), com intervenções públicas de Débora Bolsoni, Wagner Malta Tavares e Laura Vinci. Ganhou ainda o Edital Amplificadores de Artes Visuais do Recife, com a exposição Em Espera, no Museu Murillo La Greca; e o Prêmio Funarte de Arte Contemporânea 2013, na Sala Nordeste de Artes Visuais, em Recife. Em 2017, organizou o livro monográfico de Carmela Gross pela editora Cobogó. Foi um dos finalistas do Prêmio Marcantonio Vilaça 2015/2016, e do Prêmio Marcantonio Vilaça 2017/2018 na categoria curadoria.

Expografia
Mauro Munhoz é arquiteto formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) e mestre pela mesma escola, na área de Estruturas Ambientais Urbanas. Ao lado de Liz Calder, é um dos criadores da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), onde exerce a função de diretor geral e artístico. Nesta função, Mauro assina o projeto arquitetônico, a cenografia e o design da Festa Literária e é responsável pela diretriz curatorial. Entre as ações de permanência da Flip, destaca-se a requalificação da Praça da Matriz de Paraty, que resgata a concepção original de 1910 para adequar o espaço ao uso atual. O trabalho lhe rendeu o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) em 2012, na categoria Urbanidades. A APCA destacou também a integração entre as artes promovida pela Flip. Sempre voltado às questões do território, assinou sua primeira obra pública em 2008, em São Paulo: o Museu do Futebol, no Estádio do Pacaembu, projeto documentado e publicado em livro. O Museu lhe valeu o prêmio do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) na categoria Restauro e Requalificação, em 2008.

Serviço:
Ateliê Rose Klabin
Endereço: Rua Jaguanambi, 105 | Cidade Jardim, SP
Visitação: até 8 de agosto, das 10h às 18h

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