quinta-feira, 12 de julho de 2018

.: Diário de uma boneca de plástico: 12 de julho de 2018


Querido diário,



Ter vida, embora esteja num corpinho de plástico, não é fácil. Desde quando cheguei, minha dona faz questão de me levar onde vai, principalmente durante as viagens. Por isso que já estive na Argentina, Uruguai e até... no Paraguai. Quem diria, né? 

A verdade é que sou presença garantida em todas as vezes que minha dona sobe a serra. É que somos do litoral paulista e São Paulo fica logo ali. Praticamente na esquina de casa, tomamos a primeira van que passa e lá vamos nós três: meus donos e eu.

Já perdi as contas dos eventos culturais que marquei presença, desde cinemas a exposições. Eu adoro! Registro tudo, depois do Instagram... essa brincadeira passou a ser ainda mais interessante. Confesso!

Hoje, quinta-feira, é dia de tbt e vou registrar aqui a coisa mais desagradável que aconteceu comigo. Não é só de tbt fofinho que se vive uma boneca Barbie!

Ano passado, em São Paulo, antes de irmos para o Teatro Porto Seguro, que oferece o serviço gratuito de vans, na Estação Luz, chegamos mais cedo e esticamos até a Pinacoteca de São Paulo. Há tempos minha dona queria fazer uma visita ao lugar. A programação do passeio por São Paulo, incluía o que ficou marcado de modo negativo.

Dentro da Pinacoteca, fiz várias fotos -que nunca publiquei no Instagram- diante das esculturas e quadros, até que em determinado momento, nós três fomos abordados por um segurança incoerente: "Não é permitido fotografar com brinquedos!", sentenciou em meio a uma fala confusa. Meu dono argumentou que não havia qualquer proibição, afinal aquilo não era alguma ameaça ou abuso ao espaço ou aos visitantes.

Antes que minha dona me guardasse na mochila, meu dono falou: "Que isso? Qual é o absurdo em fotografar aqui? Nenhum. Não é proibido, não a guarde!". 

Permaneci nas mãos de minha dona por um curto tempo, pois o segurança, insatisfeito, nos seguiu com o olhar feroz, tal qual o de um urubu diante de carniça exposta, retornou com toda a grosseria de antes e obrigou que eu, a boneca -rotulada de brinquedo- fosse guardada. Nem mesmo em mãos poderia ficar.

Claro que o passeio acabou ali. Quem gostaria de ser tratado como um marginal? Ninguém!

Após quase um ano desse ocorrido, eu pergunto: "Os trabalhadores de lugares que dividem arte têm qualquer preparação?". Ali, ficou claro, pela falta de tato e tratamento que, tais ensinamentos, nunca foram repassados. É deprimente quando a falta de preparo transborda e um iludido faz uso de seu "micro poder".

Lá? Nunca mais voltei a pisar. Nem mesmo tenho vontade de retornar!


Beijinhos pink cintilantes e até amanhã,


Donatella Fisherburg 








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