|
De Novo?
Por:
Andréa Cabanas
Em junho de 2004
Nem sei como começar a falar
sobre o ocorrido. Só sei que senti muita raiva. Fazia tempo que não sentia
isso. Principalmente quando se trata de um ser do sexo oposto, claro. Nem me
lembro a última vez que senti raiva de um homem. Aliás, acho que nunca senti
isso por um homem. Eu adoro os homens, como posso sentir tal coisa assim,
tão... tô puta.
Encontrei todos reunidos no meu adorado bar. O ambiente estava
agradabilíssimo, cercado por beldades sem fim, altos, novos, mais velhos, um
verdadeiro festival de beleza como há muito tempo não havia. Queria todos
para mim, sem exceção. Até me joguei na frente do "Mais Cobiçado", beijando
indiretamente sua boca ao engolir um pequeno pedaço de pano molhado ainda
pelo lança. E pela sua saliva. O baixo da música ao meu lado, a bateria
estourando em meus tímpanos, flashes de gente dançando, sorrindo e meu belo
loiro bem na minha frente, segurando meu corpo levemente mareado por causa
do cheiro daquele lança. Que homem.... Mas não foi por causa dele que tive
raiva.
A pior coisa que existe para uma mulher não é o fato de ser corneada.
Sinceramente, pensem comigo: a pior sensação é quando você vê o indivíduo
com outra na sua frente sendo que, há menos de 13 horas, vocês estavam
juntos na mesma cama! Na mesma cama. Eu não sei o que é pior mesmo. Fiquei
sem ação. Como assim?, pensei. Não acreditei na cara de pau do filho da puta
beijando a outra ali, na minha frente. Quem me conhece e conhecia a nossa
história viu que, realmente, fiquei sem ação. Passada.
Minha vontade era de pular no pescoço, catar de jeito nos cabelos dele e
dizer qualquer coisa, uma palavra, uma frase que pudesse acabar com ele
naquele momento, algo mais forte que um soco. Apenas uma frase. Mas
infelizmente, ele não tem cabelos e assim, acabei ficando na minha. Nem isso
o filho da puta tem. Adotou essa coisa careca, sei lá se foi por onda ou
porque realmente já estava ficando com algumas entradas. Só sei que fiquei
muito passada. Tive vontade de dar porrada. Muita porrada. Queria encher a
minha mão e dar um soco bem dado nele. O que leva um homem a ter uma atitude
dessa, me diz? É a quantidade que importa, é isso?
Por outro lado, fiquei agradecida. Agradeci a Deus por ter feito aquilo
acontecer na minha frente. Agradeci a Deus por tê-lo visto tendo essa
estúpida atitude na minha frente. Ele me fez enxergar a roubada em que eu
estava me metendo. Enxerguei o canalha que existe por trás daquela careca...
É pior do que eu imaginava.
Voltamos pra Sampa e encontrei com três amigas para falarmos um pouco de
tudo. Toda a história do careca contada tim tim por tim tim. A
raiva passou para todas elas. Minha raiva contagiou as outras três. Carolina
estava junto comigo na exata hora da estúpida cena, portanto, já sabia do
ocorrido. Aliás, nem ela acreditou quando viu o amigo beijando, ao seu lado,
uma loira falsa.
- Acho que o que te emputeceu foi o fato de ser uma loira tingida, hahaha!
- Cê tá louca? E "pati" ainda?
- Ele realmente extrapolou. Não precisava ter feito aquilo. Eu vi, cara, ele
foi muito canalha!
- Me aguarde sexta-feira.
- O que você vai fazer?
- Sei lá.
- Ficar com o melhor amigo dele!
- Boa idéia. Aliás, ele tava uma delícia ontem, não?
- Que maravilha. Ele não perde por esperar.
Quando pisam no nosso calo, segura, que aí vem bronca. Tem mulher que deixa
passar a limpo, eu não. Devolvo com a mesma moeda. Ou não. Melhor deixar
passar? Bom, nada melhor do que um dia após o outro.
|
|