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Nerd
na madrugada
Por:
Marcelino Rodriguez
Em outubro de 2007
Acho que tô ficando esquisitão. Diz a astrologia que os virginianos são
cheio de manias. Deve ser isso. Eu tenho algumas. Talvez eu seja um tipo
excêntrico, sei lá. A web me deixa neurótico. É muita informação,
muitos contatos, comunidades.
Todo dia me apaixono nesse negócio. Dá até insônia. Aí fico aqui ouvindo
Kid Abelha e pegando as fotos sensuais das minhas amigas cheio de
fantasias. A web pode ser o templo da luxúria.
É um terrorismo de mulher boa. Quem me vê por aí nem imagina que sou um
Bin Laden sexual com meu jeito de personagem de gibi em quadrinhos.
Também ando falando imprecações e xingando nomes feios quando topo com um
chato virtual. Chego a sentir
um ódio real e profundo. Eu poderia esganar até a morte um inimigo virtual,
mas faço um voduzinho e fica tudo certo. Acho que já matei uma meia
dúzia com esse sistema.
É foda administrar 9.587 perfis e nomes. Pior ainda quando a cerveja acaba e
o predador fica nervoso! Nunca pensei em mim como um animal devido a meu
intelecto de alto nível e minha modéstia refinada. Mas a web,
cerveja e minhas safadezas denunciam minha posição biológica. Predador nato.
Meus amores, desculpem esses devaneios tolos, mas sabem lá o que é estar
acordado e sem sono as duas da manhã com tudo pra clicar e sem saber onde
clicar.
Afinal,
qual a prioridade desse negócio?
Eu fico puto mesmo quando uma paquera não percebe que sou uma raridade. Eu
tenho um orgulho do tamanho do sol. Fico bolado quando não me amam. Deus me
fez para as moças. Tenho certeza. Pena que elas se distraem e me deixam
sozinho na web. Aí lá vou eu roubar fotos de biquíni. A vida é mesmo
uma merda! Eu sou free, sempre free, sou free
demais....
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