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A
Falência Humana do Brasil
Por:
Marcelino Rodriguez*
Em novembro de 2007
Há dias venho pensando sobre o desenrolar do caso Eloá e o que penso
resumidamente do assunto e o que pude constatar foi que no Brasil somos
todos algozes e vítimas. O que tinha ali de fato é uma metáfora de uma
educação falida e uma subcultura em que é "mais importante ser feliz do que
ter responsabilidade". Ou seja, ser feliz de qualquer jeito. Como se esse
mundo que meteu Cristo na cruz fosse uma espécie de Paraíso perdido.
Hoje é muito difícil encontrar uma virgem de quinze anos. No Brasil
"aprende-se" a transar antes das primeiras letras. Você olha a seu redor,
mas nem imagina que está diante de uma população que não lê nem jornal e
sabe de tudo, falando pelos cotovelos. Outro dia um ator venenoso disse que
o brasileiro é educado pelo Tom Cavalcanti.
Se eu fosse educar uma moça hoje eu diria logo, depois que ela já soubesse
lavar, passar e cozinhar, evidentemente, já que sexo a televisão e a
internet deixa todo mundo P.H.D. no lado físico, mas no emocional é difícil
agüentar uma moça que não sabe juntar causa e efeito de nada de coisa
nenhuma, por melhor traseiro que tenha.
Namorar só depois que você responder por seus atos, ou seja, aos dezoito
anos, com ensino médio completo para que caso me arrume um neto sem marido,
ela possa bancar. Duro isso? Machismo? Bem, ao menos as moças que são
educadas nesse sistema são muito mais cultas, profundas e interessantes,
além de saber fazer comida. Ou seja, são "integrais". Agora se dá as meninas
primeiro as camisinhas, depois um volume de Caras para elas lerem.
Temos o fim das "famílias".
Um homem ingênuo que queira uma moça que já teve "10" namorados e nenhum
serviu , quem servirá? Relacionamentos viraram "curtição" só que as
conseqüências disso são trágicas. Ali tínhamos um jovem transtornado ,
articulando meia dúzias de lugares comuns do pensamento médio "sou o cara",
"sou o Príncipe" e hasteando a bandeira de um clube como se isso fosse algo
"grandioso".
Na cabeça do brasileiro o futebol é algo como a segunda pessoa da Trindade.
Do lado de fora uma polícia com nenhum equipamento dos mais modernos tais
como (escutas, câmeras camufladas, etc) e uma cultura de "não matar" a não
ser em último caso; o que, a meu ver, está certo, pois o primeiro valor deve
ser a vida humana. Um amigo meu policial disse que em Israel e na China em
casos semelhantes a policia matou logo sem dó nem piedade.
O problema é que em Israel e na China, o Estado pune, mas dá condições a
seus cidadãos; aqui ninguém sabe de onde veio, nem o que tá fazendo
aqui nem pra onde vai. Estamos a deriva. Como o importante é se feliz (e não
responsável) ninguém se esforça para nada. O que vale é gozar "o momento".
Então
como o mundo é uma falsa propaganda do diabo, quando o jovem dá de cara com
a real (amores de imaturos nunca são eternos e não vão dar em nada a não ser
em netos antes do tempo) vimos e vemos o que vimos: uma tragédia patética e
sem sentido com a midía noticiando em tempo real e elevadíssimo ibope.
No interior da Paraiba o pai completamente ausente condena o filho preso. E
a jovem Eloá morreu sem jamais saber direito quem foi Dante Aliguieri ou
Euclides da Cunha. Um escreveu o "Inferno", o outro "Os Sertões".
O Brasil é uma espécie de Sertões dos Infernos no meio da civilização
mundial. Dois por cento dos brasileiros sabem de quem estou falando. Nem os
professores sabem direito. O importante é dar camisinha aos jovens; livros
não dão "Ibope". O melhor é o aeorporto, ou se desligar a televisão, veremos
mais e mais coisas. O País está humanamente bisonho, para dizer o mínimo.
* Marcelino Rodriguez é autor de "Bom Dia, Espanha",
"A Ilha", "Café Brasil", "Mar, Romântico Mar", entre outros. Recebeu o
Prêmio Pèrgula Internacional.
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