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O Rio
Por: Helder Miranda
Em maio de 2009
Pode parecer complexo à princípio e um pouco inusitado esboçar qualquer
comparação entre um rio do nordeste e um jornalista na região do sudeste do
país. O rio situado no nordeste brasileiro está secando. De certa forma,
abandonado pela omissão dos governantes, que poderiam solucionar o problema
e não fazem nada, apenas lucram, por meio da “indústria da seca”.
Para sobreviver ou continuar ali, devido à sua escassez, o rio deveria nadar
contra a corrente, mas como a água está fraca, com o passar do tempo ele vai
se render ou simplesmente não resistir à seca. Vai ocasionar danos àqueles
que fazem parte da cidade e precisam dele para continuar a viver. Para
aquelas pessoas, o rio é imprescindível.
Da mesma forma, o jornalista segue o mesmo dilema do rio, já que para seguir
seus ideais e não se deixar corromper, precisa “nadar contra a corrente” e
resistir contra um sistema inevitável, que é capaz de interferir na vida de
pessoas que também sobrevivem em meio a ele e precisam dele, para que a
“ordem” seja mantida.
Esse jornalista sobrevive diariamente à diversos tipos de pressões
(editores, anunciantes...) e tem de resistir porque o verdadeiro
profissional sabe que corre o risco de, como o rio, não resistir à seca.
E, como o jornalista é o porta-voz do povo, ele sempre tem de sobreviver
para que aos poucos as situações e as circunstâncias mudem. Desistir de um
ideal seria contribuir para a manutenção do “status quo”.
O
discurso não pode ser o mesmo, enquanto a situação é, de certa forma,
semelhante. Devemos assim, procurar novos desfechos para que os finais sejam
diferentes. Resistir é a palavra, não seguir em frente poderá ocasionar a
“seca” de ideias e argumentos.
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