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Boa
de Cama
Por:
Carla Giffoni
Em junho de 2009
Sou boa de cama. Calma. Não vá pensar, leitor (a) amigo (a), que neste texto
falarei sobre minhas intimidades na alcova. Não! Sou uma garota do interior
e nascida no século passado. Tenho pudores.
O que quero dizer é que na maioria das vezes durmo com facilidade. Ás vezes
até aparece uma insoniazinha aqui, outra ali… Mas nada que me apoquente. Não
perco o sono com a falta de sono. Por isso, na minha farmacinha, localizada
numa gaveta do banheiro, não consta nenhum remédio que possa jogar-me nos
braços de Morfeu.
Contudo, dias atrás, não consegui dormir. O pior é que não havia motivo
aparente para a insônia. As contas estavam em dia, a TPM já tinha sido
concluída e o filho metaleiro da vizinha do 702 tinha viajado… Ou seja: tudo
normal. Normalíssimo. Então por que não dormia? Sei lá!
Não dormia, ora! E o que se faz numa hora dessas? Eu, normalmente, leio.
Caso não adiante, vejo TV. Detalhe: com o som baixo para não incomodar o
soninho do pimpolho do 702. Normalmente esses dois instrumentos sempre me
levam para os braços do Morfeu rapidamente.
Escrever não é bom, já descobri, porque senão me empolgo e só paro às 13hs
do dia seguinte.
Mas e quando tudo falha? Meditar pode ajudar, mas tenho muita dificuldade de
não pensar em nada. Fico sete segundos com a mente envolta numa tela branca
e aí penso: “Que bom! Não tô pensando!” Ou seja, já pensei!
Sair e caminhar pelas ruas de madrugada poderia ser inspirador, mas a
violência que impera faz com que não me empolgue com a ideia.
Ligar para alguém, nem pensar! Telefone quando toca fora de hora é desgraça
na certa. Olha o susto que poderia dar no(a) amigo(a) infeliz! Nem pensar.
Fora de cogitação. Fico com a insônia, mas não perco a amizade.
Outra
coisa que pra mim não adianta: navegar pela internet. Fico entusiasmada e
viro a noite, facinho, facinho. Então o que fiz neste momento crucial? Bem,
lembrei do conselho de uma ex-ministra: relaxei e gozei. Fui dormir depois
das 5hs da manhã. Sem culpa, sem remorso, sem neura. Foi difícil, porque
tenho um relógio interno que funciona pontualmente entre 6h15 e, no máximo,
6h30, e que me faz acordar. Mas nesse dia, no horário esperado, despertei,
olhei para o relógio, virei para o canto e voltei a dormir. E ponto final.
OBS.: Agora, aos(às) insistentemente curiosos(as) para saberem se sou ou não
boa de cama: a modéstia faz com que fique calada.
Hehehehehehehehehe…
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