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Professor brasileiro, uma classe a ser revista
Por: Marcelino Rodriguez*

Em outubro de 2009








O professor, suas necessidades e obrigações. Confira a crônica de Marcelino Rodriguez!




O Brasil possui, segundo os índices mundiais abalizados, uma das piores posições da educação do mundo e isso é notório. Não ė preciso se aprofundar no tema. Por outro lado, curiosamente, a classe é muito bem vista no país, parecendo pairar acima de quaisquer críticas como se, os professores, fossem altos sacerdotes de uma religião inquestionável.

Que ganham pouco, que são sacrificados, são algumas das meias verdades com que se perpetua o descaso com a excelência no ensino. Isso se deve a um conceito superficial.

Não se tem na cultura do país o conceito arcaico de "Mestre", por conta do subdesenvolvimento cultural, em que uma bola, por exemplo, é vista como mais importante que um livro. Educação tem menos a ver com salário e muito mais com atitude e amor ao conhecimento, além de vocação.

A classe atual de professores, na maioria, com aumento de salário investem mais em bens de consumo do que em instrumentação, conteúdo e tecnologia para reformar e melhorar as gerações futuras.

E, como andam as coisas, se não houver uma conscientização do tamanho do atraso, onde as provas do ENEM são piadas correntes no país, num futuro médio teremos uma sub-humanidade que não saberá lidar com as mais elementares coisas da vida em sociedade.

O professor brasileiro lê?

O quê? Que música ouve?

Que filmes assiste?

Que pintores apreciam?

A classe dos professores brasileiros tem a obrigação moral e humana de ver o quadro atual de penúria cultural e fazer sobre si mesma uma autocrítica sem complacência. Parte da ignorância cultural dos jovens e universitários brasileiros se devem a professores que desprezam a cultura e se acomodam no egoísmo do presente, tratando a educação como meio para ter um salário no fim do mês. Desculpem-me, mas o nome disso é mediocridade. 

O Dia dos professores deveria ser o dia do minuto de silêncio nacional e da distribuição de livros que, no Brasil, como sugeriu o esperto poeta Wally Salomão, deveria vir na cesta básica.

O descaso com a cultura e o letramento no Brasil é parte culposa da classe dos professores que deveriam saber o que é educação, que tem muito mais de obrigações do que de opiniões, antes de dar aulas. E uma das obrigações dos professores seria estudar, coisa que fora dos interesses pessoais de carreira e salário parece passar longe de suas pautas.

O resultado é o que vemos.



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* Do livro Crônicas da Mediunidade (livro inédito). Direitos reservados.
* Marcelino Rodriguez é autor de "Bom Dia, Espanha", "A Ilha", "Café Brasil", "Mar, Romântico Mar", entre outros. Recebeu o Prêmio Pérgula Internacional.



 

 
 
 
 
 
 

 

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