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Barbie:
Seja o que você quiser!
Por:
Mary Ellen Farias dos
Santos*
Em
agosto de 2011
O fabuloso universo cor-de-rosa da boneca Barbie na crônica da jornalista
e professora Mary Ellen Farias dos Santos. Confira!
A memória afetiva é aquela que segue conosco ao longo de
nossas vidas, enquanto que outras novas são incorporadas. Diferente de
materialismo puro, esta memória pode armazenar momentos, pessoas e objetos. Em
comemoração aos oito anos do site cultural Resenhando.com nós apresentamos
um "Top 8" com as bonecas Barbie, dos anos 80 e 90, que marcaram a infância de grande parte das
meninas que hoje estão com o seus (quase ou mais) 30 anos de idade.
A liderança desse ranking é (sem dúvida!) da primeira Barbie que toda garota
ganha. Cada menina teve a sua. Cabelos loiros ou morenos. De tamanho médio,
longo ou longuíssimo. Pele branca, morena ou negra. O fato é que esta
primeira bonequinha sempre será inesquecível, embora detalhes da caixa,
entre outros, estejam levemente apagados da memória. Em contrapartida, a
primeiríssima Barbie permanece intocada em nossas memórias. Em
alguns casos, como no meu, a minha Barbie Day and Night (1987) ainda permanece
guardada em um armário, com a oportunidade de encantar os olhos daquela que
já não brinca mais de boneca, mas espera oferecê-la a sua filhinha que ainda
não chegou.
Nos
anos 80, a Barbie Noiva era o meu objeto de cobiça. Qualquer uma. Minha
prima Jéssica tinha uma que já não estava mais à venda.
Sempre, sempre que a visitava babava naquela boneca exposta, no quarto dela.
Boazinha, a Jéssica até tirava a de dentro da caixa para eu pegar,
mas não adiantava. Ela não era minha. Empenhada em ter minha própria Noiva,
pedia, todo ano, uma para o Papai Noel. Infelizmente o meu pedido levou anos
para ser aprovado. Lembro de um Natal em que pedi fervorosamente,
mas eu ganhei uma Rosinha (namorada do Chico Bento, da Turma da Mônica). Por
um lado, foi bom, pois eu tinha ganhado, no Dia das Crianças o Chico Bento,
que, por sinal, detestei, mas meu pai é fã do personagem! Agora me
responda: Quem realmente queria este casal de bonecos? Contudo, somente dias
antes do meu aniversário de 12 anos realizei o meu grande sonho: Ganhei uma
Barbie Noiva Romântica (1994). É claro que a tenho até hoje, linda,
perfeita e dentro da caixa, assim como a da minha prima.
 A
Barbie Hora de Dormir (1994) foi meu outro objeto de desejo. Minha
mãe detestava. Dizia que aquela boneca era mole e seus olhos que abriam e
fecham com água quente e fria, eram horríveis. Por azar, nunca tive uma amiga
com esta boneca, mas lembro perfeitamente de, no mercado, ir na sessão de
brinquedos para segurá-la, dentro da caixa mesmo. Não me importava!
Já a Barbie
Maxi Hair (1992) era de me tirar o sono. Aquela "sereia" tinha cabelos loiros,
longuíssimos e frisados.
Eu, por ser uma excelente aluna, sempre tirava 10, em todas as matérias, o
que me convenceu de que ganharia uma, pelo menos de Natal. Minha amiga que tinha sérias dificuldades nos estudos ganhou,
simplesmente por ter passado de ano. Lembro de ter perguntado à minha mãe se
ganharia uma também e escutei um profundo e nada solene: - Você não fez
mais do que a sua obrigação! Resultado: Nunca tive a
Barbie Hora de Dormir e
a Barbie
Maxi Hair.
Até então, só
tinha uma Barbie roqueira bronzeada, que ganhei da minha avó Aurora. Era a
minha preferida, justamente pelo bronze. Entretanto,
no meu aniversário de 10 anos fui surpreendida por minha amiga Irene. Ela
chegou, de modo tímido e sorridente quando me entregou uma caixa. Assim que
eu abri, não acreditei. Era uma Barbie morena e melhor... uma roqueira! Eis
que estava em minhas mãos a Super Star
Kira, uma das amigas da Barbie. Tudo me agradou nela. Seus cabelos
pretos, a roupa amarela (Adoro amarelo!) e ela era morena. Lembro que
andei durante toda a festa com ela nas mãos, somente a coloquei de volta na
caixa, quando fui comer, afinal não iria sujar a minha nova boneca.
Já outro desejo de consumo não realizado foi a
Midge. Amiga da Barbie,
lindíssima que era ruiva e sardenta também. Contudo, o rumo tomado pela
Midge foi o mesmo de Lia, também amiga da Barbie. Ela com seus
cabelos castanhos nunca acertou o endereço da minha casa.
Para
garotas que amam bonecas e miniaturas, ganhar Barbies é a realização de um
sonho, mas imaginá-las e nunca tê-las é uma frustração. Sim! Eu abria
aqueles catálogos (da Estrela) que acompanham qualquer boneca Barbie e
soltava a imaginação. Sonhava ter o Motor Home e o principal, a
Casa da Barbie, com aquele balanço inesquecível.
Após
três anos de casada, meu marido realizou parte destes meus sonhos do mundo
cor-de-rosa e me deu o Navio da Barbie e a Casa da Barbie
(ambos de 2008). A felicidade de ganhá-los foi a mesma da infância, com o
pesar de estes itens serem apenas admirados e, posteriormente, guardados em
suas caixas. Por esse motivo, em 10 de setembro de 2011, o blog Planeta
Sonho tem o orgulho de estrear a fotonovela "Escravas do Amor",
inspirada na obra de Nelson Rodrigues, que inicia as homenagens aos nossos
escritores favoritos. Acompanhe em
http://planetasonho.tumblr.com/!
*É
jornalista e professora de Produção Escrita. Twitter: @maryellenfsm.
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