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Aprendizagem
nos caminhos rosados
Por: Mary
Ellen Farias dos Santos
Em janeiro de 2012
Anjos de plástico são objeto de desejo dos colecionadores e espertalhões. Saiba mais detalhes da crônica de
Mary Ellen Farias dos Santos!
Sempre fui fascinada pelo universo cor-de-rosa da boneca Barbie. Lembro que
a minha mãe me incentivava a querer bebês, mas não adiantava. Nas lojas de
brinquedos, era a Barbie que me deixava hipnotizada. Aliás eu queria TODAS,
principalmente quando tinha em mãos um catálogo -a Estrela, fabricante da
boneca no Brasil nos anos 80 e 90, disponibilizava tais encartes- com os
lançamentos.
O curioso é que ainda hoje, eu, quase uma balzaquiana permaneço encantada
por esta garota de plástico. Nunca consegui dar as minhas pequenas que
ganhei durante a infância, embora sempre escutasse coisas do tipo: "Dê essas
bonecas para a sua priminha, você já está velha demais para isso" ou "Essas
bonecas vão apodrecer e ninguém mais vai brincar com elas". Malvada! Eu não
dei as minhas queridas. Eu até cogitei dá-las, mas antes fiz uma experiência que foi
válida e me impediu de fazer tal burrada. Algumas das bonecas
dadas, inclusive uma Xuxinha, da Mimo, ficaram em frangalhos.
E então, as minhas estrelinhas -Barbie da Estrela- continuaram comigo. Já
adolescente, após ganhar tantos CD´s e DVD´s do namorado, disse que preferia
boneca Barbie, My Scene ou Susi. O pedido foi atendido. Estas, eu guardei
na caixa.
Antes de casar arrumei o apartamento em que iria morar com o esposo
e escutei novamente as frases de convencimento. Contudo, a melhor frase foi:
"Você já é uma mulher feita. Vai casar, terá muito o que fazer, isso só vai ocupar espaço".
Não tive dúvida, levei todas para o meu novo lar.
Portanto, ano após ano, durante as férias, elas saem da minha estante, lavo
as roupas e as deixo tomando um ar. É olhando para elas que me recordo do
momento em que ganhei cada uma, das doces brincadeiras de infância -sim, eu
era super inocente- e da época de
namoro com o meu esposo.
Foi nas férias de julho de 2011, que em um lindo sonho eu encontrava muitas
garotas de plástico. Acordei com mil e uma ideias. Feliz! Feliz! Conversando
sem parar -eu- com o marido. Amadurecemos uma das várias ideias e
criamos o Planeta Sonho. Espaço de fotonovelas estreladas por Barbies, em que,
inicialmente, adaptamos a história de Nelson
Rodrigues, sob o pseudônimo de Suzana Flag, "Escravas do Amor".
Para tanto era preciso de novas atrizes. Voltei a usar com frequência a rede social, Orkut
e descobri um outro universo habitado por essas bonecas: o de
colecionadores. Comecei a minha corrida atrás de outros colecionadores e
suas pastas de vendas. Queria comprar TUDO! De fato, comprei quase tudo
mesmo. Hoje, após 6 meses de colecionismo fervoroso, a cruel realidade: a
minha casa está cheia de anjinhos de plástico.
O pior que, inicialmente, comprava tudo o que encontrava por um preço bom.
Nem mesmo perguntava se apresentava defeito. Sem contar as vezes em que
comprei, pessoalmente, em um antiquário, na cidade de Santos e fui enganada.
Em uma das vezes, a Barbie veio com os sapatos colados e em outra os
bracinhos da boneca estavam todo mordidos, porém bem camuflados debaixo de
uma blusa de manga comprida. Um horror!
A verdade é que eu queria quantidade. Contudo quando parti para a qualidade, coloquei algumas
bonecas à venda. Na minha primeira quase venda
fui abordada por uma "reservadeira profissional". Meses e meses de
reserva. É claro, que me aborreci. Não adianta! Sou fraca para fazer negócio
com as minhas coisas. É por isso que sempre faço doação, mas eu pensei em
recuperar o dinheiro investido. A verdade é que sei comprar bem, além de
pechinchar como ninguém!
É esta foi uma boa lição para 2012!
*É
jornalista, professora de Produção textual e fotonovelista. Twitter: @maryellenfsm.
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