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A
Bíblia como literatura
Por:
Eduardo Caetano
Em junho de 2004
Durante milênios, a linguagem da
Bíblia desperta curiosidade e fascínio na sociedade. O livro é venerado,
temido e incompreendido por cristãos de todo planeta. Já os céticos, não o
consideram um livro de fé, mas celebram o fato de ser a mais bela reunião de
estilos literários. A Palavra de Deus não foi escrita por Ele (lógico!).
Muitas mãos redigiram a Bíblia, inspiradas pelo Pai. O intuito era registrar
o monoteísmo e seu contexto histórico. Narra a caminhada do povo de Deus,
iniciada pelos hebreus.
A primeira divisão é feita entre Antigo e Novo
Testamento. O primeiro narra a origem do mundo e a aliança de Deus com
seu povo. Já o segundo, o início do cristianismo. A Bíblia judaica não
possui o Novo Testamento.
Afinal, não acreditam que Jesus seja o Messias. Por isso, devem estar quase
o ano 6000. Os judeus não zeraram o calendário com o nascimento o Filho e
Maria e Nazaré. Cada Testamento é subdividido em pequenos livretos, escritos
por autores diferentes. O papel utilizado na época, o papiro, não
possibilitava a paginação porque uma folha era colada na outra. O livro era
uma espécie de rolo, por isso eram tão curtos. Os diversos textos ou livros
têm os mais diferentes objetivos como formar comunidades, denunciar a
exploração do Império Romano ou apresentar a pessoa de Jesus Cristo.
Moisés - A figura mais marcante do Antigo Testamento é o profeta
Moisés. Líder da lei judaica e representante popular, também é autor do
Pentateuco (os cinco primeiros livros bíblicos). Neles, Moisés narra a
origem do homem e do mundo por meio de histórias lendárias e metáforas (no
Gênesis) e a luta do povo hebreu pela terra (Êxodo).
Para o padre Waldemar Valle Martins, um dos fundadores da Universidade
Católica de Santos e professor de Filosofia e Cultura Religiosa, não se deve
fazer uma interpretação ao pé da letra. "Cada época oferece uma linguagem,
pela qual nos manifestamos. A Bíblia trabalha com metáforas e ideologias. Na
criação do mundo, Deus não contou até três e o tudo surgiu num piscar de
olhos. Nem pegou seu martelinho e foi esculpindo passo a passo".
Ele esclarece que o mundo tende a um desenvolvimento natural. Desde a
biosfera até o surgimento do homem. Evolução do homem à semelhança de
Cristo. "Ainda estamos neste processo. O homem exprime da língua o que
admite ser divino. Moisés não falaria jamais de células e átomos porque nem
sequer sabia que isso existia".
Revelando
a palavra de Deus (e dos homens):
Em um tempo de tirania, culto ao
poder e seus representantes, Cristo foi um preso político. Foi condenado e
assassinado pelo sistema opressor porque fez sua opção de vida pelo povo
marginalizado.
Então, cada um dos quatro evangelistas o retratou de uma forma para iniciar
o registro da história das primeiras comunidades cristãs. João Evangelista,
pescador e melhor amigo de Jesus, foi um dos que mais se destacou por
apresentar a Boa-Nova utilizando sete milagres ou sete sinais de fé.
Os números também são simbólicos. Sete é a plenitude, o infinito, a
perfeição. João também é autor do Apocalipse, o livro da Revelação, escrito
durante seu exílio na Ilha de Patmus. O livro narra a história cristã e a
perseguição do Império Romano de forma sensacional, quase que por códigos
metafóricos. No trecho em que narra a mulher vestida de sol com uma coroa
com doze estrelas, ele diz que ela é perseguida por um dragão com sete
cabeças e dez chifres. A mulher representa Maria de Nazaré e a própria
Igreja. Maria precisou se retirar, ir para a margem da sociedade para dar à
luz. A Igreja também foi perseguida. As doze estrelas podem ser as doze
tribos do Antigo Testamento ou os doze apóstolos
do novo. O dragão é Roma, construída sobre sete colinas, as sete cabeças do
dragão.
Traduções: Padre Waldemar recorda que a Bíblia é muito rica e diversa
em mínimos conteúdos, o que torna sua leitura difícil. "É necessário estudo,
envolvimento, dedicação. Sem contar as traduções pelas quais passou. Foi
escrita em hebraico e aramaico. Depois, os judeus a traduziram em grego. No
século IV, São Jerônimo a traduziu para o latim e, alguns séculos depois,
foi traduzida pelas línguas neolatinas", finaliza.
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