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Um
tapinha não dói
Por:
Eduardo Caetano
Em junho de 2004
Toda novela que se preze precisa ter uma grande vilã. E toda vilã que se
preze precisa e merece levar uns sopapos. O público vai o delírio.
Sei que o assunto já não é novidade. Já foi
pauta do Vídeo-Show, criou polêmica entre os críticos de TV há alguns
tempos. Sei também que corro o risco de ser mal interpretado, de acharem que
estou fazendo apologia da violência contra a mulher. Porém, insisto neste
assunto: os telespectadores gostam de ver as vilãs apanharem. É um sadismo
necessário para nós, que do lado de fora da telinha, torcemos pelos
protagonistas das telenovelas.
O exemplo mais recente aconteceu dia desses. O público ficou extasiado
quando Maria Clara (Malu Mader) foi à forra e meteu a mão na fuça de Laura
(Cláudia Abreu) em "Celebridade". Lindas e rivais, elas se cruzam na entrega
do "Troféu Celebridade". Laura recebe o prêmio pela coletânea Pixinguinha,
idéia roubada da protagonista. Dar uma surra na bandida era o mínimo que se
esperava da ex-Musa do Verão, aquela que foi sem nunca ter
sido, após todos
os maus-bocados que passou devido à vingança da loura diabólica e obsessiva.
A cena remete a outra escrita por Gilberto Braga, em "Vale Tudo" (1988). A
mãe Raquel (Regina Duarte) rasga o vestido de noiva da filha Maria de Fátima
(Glória Pires) e a esbofeteia. Foi pouco para a vilã, que vendeu a casa
deixando a própria mãe na rua e em nome de dinheiro era capaz de armar as
maiores artimanhas, inclusive contra sua progenitora.
Há outras malvadas que levaram porradas homéricas na teledramaturgia. Em "A
Próxima Vítima" (1995), de Sílvio de Abreu, Isabela Ferreto (Cláudia Ohana),
ao ser pega pelo noivo Diego (Marcos Frota) aos beijos com o tio no dia do
próprio casamento, além de apanhar na cara e levar diversos chutes, rolou da
escada vestida de noiva. Já é a segunda noiva agredida nesses poucos
parágrafos. No final da trama Isabela ainda ganhou uma cicatriz no rosto
após uma facada do tio/marido Marcelo (José Wilker) ao pegá-la com o amante.
Apesar do público aplaudir de pé a cicatriz na face da perigosa herdeira dos
(as) Ferreto, foi criada uma polêmica: os homens ainda devem lavar sua honra
com sangue?
Outra que apanhou feio foi Laura (Viviane Pasmanter) de "Por Amor" (1997),
de Manoel Carlos. Sua rival Eduarda (Gabriela Duarte) lhe deu uma surra de
jornal na cara e a empurrou de cadeira de rodas na piscina. Fenomenal! Ainda
nesta trama houve duelo de vilãs: Branca Letícia (Suzana Vieira) e Isabel
(Cássia Kiss) se atracaram e rolaram escada abaixo.
Uma das surras mais esperadas da atualidade foi em "Mulheres Apaixonadas"
(2003), também de Maneco. O vilão Marcos (Dan Stuban) vivia espancando a
ex-mulher Rachel (Helena Ranaldi). Eis que um dia ele se envolve com a
terrível Dóris (Regiane Alves) que maltratava os inocentes avós. Não deu
outra. Um belo dia ela levou suas merecidas pancadas.
Também foi numa trama de Manoel Carlos que uma vilã, que apesar de aprontar
muito nem era tão nociva assim, apanhou de quase todo o elenco. Trata-se de
Íris (Débora Secco) em "Laços de Família" (2000). Vida de vilã não é fácil.
Pobrezinhas!
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