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Morre Sidney Sheldon, o escritor mais traduzido do mundo
Por: Helder Moraes Miranda

Em fevereiro de 2007



Fãs da literatura pop amargaram uma má notícia dia 31 de janeiro de 2007. Na ocasião, veículos de comunicação do mundo inteiro noticiavam a morte de Sidney Sheldon, o homem mais traduzido do mundo, segundo o Guiness Book. O escritor americano faleceu ao lado da terceira mulher, Alexandra e da filha, Mary, aos 89 anos, em um hospital perto de Palm Springs, na Califórnia, devido a complicações de uma pneumonia.

“Nada pode impedir você quando se tem estabelecido um objetivo. A não ser você mesmo", essa era a filosofia de vida dele, que nunca foi elogiado pela crítica especializada. Indiferente a isso, orgulhava-se da autenticidade de seus livros e rebatia, ao dizer que escrevia sempre sobre o que havia sentido na pele.

Sidney Sheldon nasceu em fevereiro de 1917, no estado de Illinois, Estados Unidos. Como o pai era vendedor e viajava com freqüência, o escritor morou em várias cidades. De acordo com ele, isso o transformou em uma pessoa tímida e solitária. Aos 12 anos, escreveu sua primeira peça, produzida, dirigida e estrelada por ele.

O escritor: Nascido em Chicago no dia 17 de fevereiro de 1917, Sheldon começou a escrever ainda criança, sendo que a maioria das composições eram poemas. Autor de romances, peças teatrais e roteiros de cinema, Sheldon dizia que elaborava seus romances – geralmente com mulheres fortes como protagonistas – de maneira que os leitores quisessem continuar virando as páginas.

“Escrevo meus romances para que o leitor, quando termine um capítulo, leia o seguinte. É a tática das séries televisivas: deixar o expectador curioso”, declarou. A busca pela criatividade nos fatos, aliada a uma boa dose de suspense, emoção e sensualidade consagraram a obra de Sidney Sheldon. Tanto sucesso fez com que, nos anos 80, uma suspeita – até hoje não comprovada - foi levantada: Sheldon manteria uma equipe de colaboradores responsáveis pelo texto de cada novela?

"Ninguém sabe de onde vem a inspiração. Acredito que a criatividade é um dom, não devemos trabalhar muito para desenvolvê-lo", rebatia. Suspeitas à parte, Sheldon se tornou o autor mais traduzido do mundo. Entre seus romances mais conhecidos, destacam-se A Ira dos Anjos, A Herdeira, O Reverso da Medalha e Manhã, Tarde e Noite. Além disso, oito de suas obras se transformaram em minisséries de sucesso nos Estados Unidos.

Seu último livro, a autobiografia O Outro Lado de Mim, lançada em 2005, contém revelações sobre sua vida ao lado de estrelas como Cary Grant e Marilyn Monroe. A obra traz detalhes sobre a vida do escritor, como a infância em Chicago em meio a um ambiente familiar instável com constantes discussões entre os pais e a revelação de ser portador da psicose maníaco-depressiva.

O roteirista: As telas da TV e do cinema foram outros campos que o escritor – de mais de 150 roteiros – dominou com talento. Depois de terminar a faculdade, aos 22 anos, Sidney Sheldon se mudou para Hollywood com a esperança de entrar no show bussiness. Escreveu roteiros e enviou para diversos estúdios, e apenas obteve resposta de um deles: iniciou carreira com leitura de roteiros para os estúdios Universal.

Depois da Segunda Guerra Mundial, em que foi piloto da Força Aérea, mudou-se para Nova York. Lá, escreveu e editou musicais para a Broadway. O sucesso com obras como A Viúva Alegre e Redhead lhe renderam prêmios Tony e levaram Sheldon de volta a Hollywood. De volta à capital mundial do cinema, chegou aos estúdios 20th Century-Fox, onde impressionou a todos com seu talento e logo conseguiu emprego de roteirista.

Lá, escreveu diversos filmes de sucesso, como o vencedor do Oscar O Solteiro Cobiçado (1947), com Cary Grant, Myrna Loy e Shirley Temple. Até que, em 1963, chegou à televisão e produziu The Patty Duke Show, série de sucesso que durou três anos.

Sua criação mais famosa foi a série Jeannie é um Gênio, lançada em 1965 pela emissora norte-americana NBC, para concorrer com A Feiticeira, da ABC. Com o seriado, Sheldon ganhou um Emmy, prêmio máximo da TV americana. Depois, ainda criou duas outras séries: Nancy, nos anos 70, e Hart to Hart, nos anos 80.

Sheldon chegou a confessar que, enquanto trabalhava na TV, não tinha a menor vontade de escrever um livro, sequer se achava capaz de fazer isso. Em 1969, porém, algumas idéias começaram a surgir, e ele acabou escrevendo seu primeiro livro, A Outra Face. Ele dizia que adorava escrever livros, pois não havia colaboradores e, assim, ele podia fazer tudo exatamente como queria. “Quando escrevo livros, tenho uma liberdade inexistente em qualquer outro meio”, declarou.

O mito em números: Os números impressionam: 25 romances, 300 milhões de exemplares vendidos em 180 países e traduzidos para 50 idiomas. No Brasil, os livros de Sidney Sheldon são publicados pela editora Record. O mito contabiliza três casamentos. O primeiro, com Jane Harding Kaufman, em 1945 terminou em divórcio depois de dois anos. O segundo, rendeu uma filha, Mary, com a atriz Jorja Curtright, falecida em 1985.


 

 
 
 
 
 

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