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Buenos Aires: a cidade mais européia da América Latina
Por: Helder Moraes Miranda

Em agosto de 2007







Com a facilidade proporcionada pelos pacotes das agências de turismo, conhecer qualquer lugar do mundo ficou fácil. Mais próxima do que a Europa, mas colonizada por espanhóis, o charme, refinamento e sofisticação de Buenos Aires podem elevá-la ao posto de cidade mais européia da América Latina. Tudo isso com a vantagem de ser muito mais acessível do que qualquer viagem em terras do continente europeu, e de não exigir visto de brasileiros que, para entrar no país, precisam apenas do documento de identidade.
 
Depois da crise econômica que abalou a Argentina, aos poucos Buenos Aires volta a ser a mesma. Com três milhões de habitantes – junto da periferia, soma 14 milhões em um país com 36 milhões de pessoas – a capital argentina confirma sua vocação ao turismo, mesmo que ainda mostre alguns reflexos da crise ocorrida há alguns anos, como lojas fechadas, mendicância nas ruas e batedores de carteira. Nada, diga-se de passagem, que mereça mais atenção do que o tango, a gastronomia e a arquitetura que exalta um passado glorioso.
 
O preço baixo – devido à quase equivalência do Real brasileiro com o Peso argentino – faz de Buenos Aires uma cidade atrativa também em relação a hospedagem e alimentação. A infra-estrutura de Buenos Aires conta com mais de cem estabelecimentos. Redes famosas como Meliá e Hollyday Inn, estão entre as opções da cidade. Se você é fã de literatura pode se hospedar no Hotel Castelar, onde morou o escritor Garcia Lorca. Também existem hospedagens e alojamentos alternativos para quem busca algo mais econômico. Estes estabelecimentos geralmente ficam em bairros mais distantes, mas o sistema de transporte permite o traslado de uma forma fácil e econômica.

Passeios – Com quatro linhas de metrô, vários ônibus que circulam pela cidade, trens antigos com detalhes em madeira e táxis a preços muito acessíveis, não falta transporte para levar o turista a qualquer lugar de Buenos Aires. Como em toda cidade cosmopolita, é recomendável aproveitar o dia para conhecer museus, parques, praças, bairros, prédios históricos e monumentos.
 
Pontos turísticos relevantes podem ser encontrados no Centro Histórico da Cidade, praticamente formado pelos bairros de Monserrat e San Telmo. Buenos Aires começou a se construir ao redor da Praça Maior, atualmente chamada Praça de Maio, no Montserrat. A leste desta praça, está a Casa Rosada, atual sede do Poder Executivo e, ao norte, a Catedral Metropolitana.
 
Em San Telmo, a Praça Dorrego, local em que todos os domingos se instala a famosa Feira de Antiguidades, é atração. Neste bairro, também há um complexo jesuíta composto pela igreja de Nossa Senhora de Belém, a Paróquia de São Pedro Telmo e o Museu Penitenciário Antonio Ballve. O Museu Histórico Nacional e o Parque Lezama, que agrega várias esculturas e monumentos, fica na mesma área.

O Museu de Arte Latino-americano de Buenos Aires, um dos mais importantes do país, pode ser encontrado no bairro de Palermo, que também abriga os Bosques de Palermo, o Planetário, e o Zoológico de Buenos Aires. Na Avenida Corrientes, estão vários teatros, entre eles o San Martín, além de outros lugares interessantes, como o Passeio La Plaza e o Estádio Luna Park. Na intersecção da Avenida Corriientes com a Nove de Julho, fica o Obelisco, o ponto turístico mais conhecido de Buenos Aires.

Na noite portenha, agito é a palavra de ordem. Há várias casas de shows na cidade, voltadas principalmente para estrangeiros, mas engana-se quem acha que a noite em Buenos Aires é limitada ao tango. Há discotecas e bares para quem procura por uma diversão menos convencional, além disso, estabelecimentos baseados no clima dos pubs irlandeses começam a se instalar por lá.

Recoleta: De um lado, a agitação de restaurantes temáticos, cafés, bares, feiras de artesanato e antiguidades. De outro, a paz do Cemitério da Recoleta, local em que estão enterradas as principais personalidades históricas da Argentina, de 1862 a 1930, como Evita Perón. Visitas guiadas a um preço irrisório são realizadas aos sábados e domingos, às 16h, com saída do portão principal do cemitério. O bairro também abriga o Museu Nacional de Belas Artes, com prédios, monumentos e a Embaixada brasileira em sua volta, além da Biblioteca Nacional, o Centro Cultural Recoleta, a Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires, a Basílica Nossa Senhora de Pilar, o Palais de Glace e o Bar La Biela.

Boca: Sede da Bombonera, estádio do Boca Juniors que abre apenas em dia de jogo, o Boca é pano de fundo da maior rivalidade do futebol argentino: Boca Juniors X River Plate. Formado em sua maioria por imigrantes italianos, o bairro é lembrado pelos cortiços feitos com pedaços de navios que ganharam cores fortes e hoje são reconhecidos mundialmente. Sua rua mais famosa é a Caminito, em que artistas locais vendem telas e artesanato a preços que variam de 10 a 30 Pesos. Lá se concentram dançarinos de tango em apresentações em via pública, artistas que fazem estátua viva e músicos, além de lojas que vendem quinquilharias para turistas, bares e cafés para sentar e conversar.
 
Porto Madero: Localizado às margens do rio de La Plata, o Porto Madero, conjunto arquitetônico de galpões que já armazenaram produtos e alimentos que chegavam pelo mar, hoje abriga o maior pólo de diversão portenha. No local, mais proveitoso se visitado à noite, abriga desde uma casa noturna e um museu, a restaurantes com opções de massas, carnes, peixes e buffets, cinemas, lanchonetes, cafés, passeios e hotéis. Argentinos costumam sair para jantar a partir das 22h, especialmente às sextas e sábados, por esse motivo é recomendável tentar fazer reserva antes.

Compras: Compras podem ser feitas com dólares e pesos argentinos, às vezes até com reais em compras com ambulantes na rua, mas dificilmente com patacones - terceira moeda criada em 2001 como solução para sair da crise. Nas Galerias Pacífico, principal e tradicional ponto do comércio portenho, as indicações continuam sendo as fábricas de couro e as de cashmere, que fazem mega-descontos.

Na rua Florida, um dos principais pontos de comércio de Buenos Aires, há de lojas que vendem peças de vestuário às que comercializam CD`s e DVD`s. Turistas que pretendem inovar no presente ou levar uma lembrança mais original da Cidade podem optar por coletâneas de hits de bandas e cantores famosos por lá – geralmente os vendedores sugerem nomes de sucesso e aceitam tocar o CD para que o turista conheça, sem o compromisso de levar –, ou mesmo os Unpluged`s portenhos lançados pela MTV Latina.

Trilhas sonoras de telenovelas brasileiras que passam lá, com músicas diferentes das lançadas por aqui, também são interessantes. Caixas de alfajor – doce tradicional argentino – também são presentes baratos e sofisticados. Antes de realizar a compra, recomenda-se confirmar se o preço é cobrado em Peso, pois alguns estabelecimentos, ao identificar um estrangeiro, tentam cobrar a mercadoria em dólar.

Alimentação: Em relação à gastronomia, comer em Buenos Aires é muito barato. Entre as especilidades da capital argentina, estão a carne, o alfajor, o doce de leite e o chocolate. Outra dica é procurar restaurantes típicos que ofereçam pratos como a parrillada, uma espécie de churrasco completo. No entanto, há opções de todos os tipos que abrangem as culinárias japonesa, francesa e até algumas casas que servem comida brasileira. Nos cafés, podem ser apreciadas as suculentas empanadas argentinas, de carne (as originais), queijo ou frango. Passeios podem durar toda a madrugada e acabarem com um café-da-manhã composto de café, leite e croissants (medialunas).

O que conversar com eles: O engajamento político dos argentinos, sempre marcante pelos protestos, passeatas e reivindicações, fica evidente nas pichações de muros e paredes nas ruas. Continuam recorrentes temas como futebol – e a velha discussão a respeito da supremacia de Maradona ou Pelé –, a política, perguntas sobre Rio de janeiro, presidente Lula e, pasmem, Irislene Stefanelli, a ex-participante do Big Brother que, em uma participação no programa de lá, virou musa.

Recomendações: Reais ou dólares podem ser trocados em casas de câmbio existentes na cidade. No próprio aeroporto Ezeiza, há uma que mantém um câmbio acima do valor de mercado do dia. Turistas que trocarem dinheiro nas ruas correrão o risco de serem enganados com notas falsas. Alguns estabelecimentos convertem dólares de acordo com a taxa cobrada em casas de câmbio. Na utilização de táxis, recomenda-se dar preferência para empresas credenciadas, tipo rádio-táxi, que podem ser indicadas pelo Hotel, para evitar que motoristas não dêem voltas imensas antes de chegar ao destino.

Depoimento: “Um tango traduz Buenos Aires. Cada nota musical é como cada esquina das ruas. O argentino é passional, não há como não ser quando se sente os bons ares da Cidade. Sentir as histórias das construções, atravessar a Avenida Nove de Julho, a mais larga do mundo, ver o povo protestando contra alguma coisa nas praças... Passear de mãos dadas com o namorado em um parque de Palermo... É bom se perder nos antiquários de San Telmo, ir para qualquer lugar de táxi (que é muito barato), dançar em um "boliche" (casa noturna) em Porto Madero. Não deixe de ir à uma milonga (bailes em que se dança tango), mas lembre-se que Buenos Aires não é somente tango e futebol: a Cidade respira cultura. As pessoas são elegantes e simpáticas. Se você pede uma informação, levam você até o local. Escute o sotaque forte e diferente deles... Vá aos restaurantes e saboreie sem medo de engordar. Perca-se nas livrarias e sebos da Avenida Corrientes, gaste na Florida ou vá para a Once (uma espécie de Vinte e Cinco de de Março regional). Não esqueça de saborear alfajores, casquinhas de sorvete de doce de leite, e até o cachorros-quentes em cada esquina”.

Tatiane Matheus é jornalista e esteve em Buenos Aires por meio de intercâmbio cultural, no final de 2006.



 

 
 
 
 
 
 

 

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