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Por
trás da fotografia
Por:
Helder Moraes Miranda
Em novembro de 2007
Se você acha que toda fotografia corresponde com o que é real, precisa
ler este texto.
Fotografar é, de alguma forma, apropriar-se de um pedaço de mundo. Um mundo
que se desdobra em diversas realidades, divididas entre pessoas, personagens
e mártires que fazem parte de inúmeros contextos dentro de uma história.
Todos sabem que não existe apenas uma realidade. Entre elas, se destacam a
realidade própria, o fato como ele é, e a Segunda realidade, aquela
construída de acordo com os interesses daqueles que relatam parte do
cotidiano, que se torna passado e, depois, se transforma em história. O que
acontece é que nesses relatos, a fotografia pode não retratar s fatos como
eles realmente são.
Boa parte da história não foi bem contada porque outros lados não foram
ouvidos como se deveria. O mundo de hoje seria o mesmo se não predominasse
como verdade absoluta os relatos dos dominantes sobre os dominados? Será que
hoje a história não se repete e reconta fatos modificados de acordo com
interesses de alguns, poucos, é verdade, mas que continuam dominando
oprimidos que fazem parte de uma verdade.
A fotografia é tida aos olhos da sociedade como símbolo da transmissão da
realidade e ícone da verdade absoluta, mas ela relata apenas, na maior parte
das vezes, uma parte do verdadeiro. Seja pela “trucagem” digital – que é a
verdade alterada, pois a fotomontagem não é puramente mentira –, pois embora
os envolvidos estivessem realmente fazendo parte e um truque montado para
relatar uma situação inexistente, a imagem deles é verdadeira, embora
retirada de outro acontecimento; seja também pela forma de manipulação do
ângulo a ser fotografado.
Antes a fotografia era feita para ilustrar uma reportagem e hoje é
justamente o contrário: matérias jornalísticas ilustram a fotografia e
constituem a notícia fragmentada (matéria, foto, legenda, branco), que chega
ao receptor tentando mostrar o que é realidade social e não dando bases para
ele pensar.
Passando
pelos canais: emissor, veículo e receptor, podemos perceber a realidade
retratada de forma direcionada por meio da manipulação, um ângulo da
realidade selecionado entre tantos outros para representar – no caso, aqui,
a realidade social, mas esses pormenores se desdobram em inúmeros aspectos –
um assunto, se esquecendo que este é apenas um de tantos a serem abordados,
e a sua relação com a opinião pública.
As câmeras fotográficas deveriam ser realmente os olhos do receptor ao
presenciar um fato, então, por que não utilizar a ética para mostrar as
diversas verdades, realidades que habitam em cada um de nós? A fome não é
menos fome porque a realidade de alguém é diferente da de ninguém, ou
vice-versa.
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