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Meia-dúzia
das seis
Por Patrick Selvatti
Em junho de 2009
Resenhando elenca as seis melhores novelas do horário das seis (18 horas)
Em
1975, a Rede Globo de Televisão inaugurou um novo horário de exibição de
novelas, às 18 horas. Nesses quase 35 anos, a emissora prima por trazer,
nesta faixa, histórias leves e açucaradas, de clima predominantemente
romântico. Inicialmente, a tradição era a exibição de novelas de época,
geralmente adaptadas da literatura brasileira, como Helena,
Senhora e o grande sucesso A escrava Isaura – todas assinadas
pelo ainda estreante Gilberto Braga. Na sequência, vieram outras tramas,
também retiradas dos livros, mas com outros adaptadores, como Manoel Carlos,
Marcos Rey e Benedito Ruy Barbosa. E foi pelas mãos deste último que, no
início da década de 80, com Paraíso, as novelas das seis deixaram os
clássicos para ganhar roupagem mais urbana. De lá para cá, o horário foi
marcado por vários estilos e nós, do Resenhando, selecionamos aqui os seis
títulos mais emblemáticos da faixa.
O
dia 15 de abril de 1985 foi marcado pela estréia de um dos maiores sucessos
da teledramaturgia nacional. De olho em um público mais diversificado, a
autora Ivani Ribeiro manteve o romantismo típico do horário, mas acrescentou
boa dose de humor e aventura para atingir não somente as donas de casa, mas
também a garotada. Surge, então, A gata comeu, que, durante 160
capítulos, cativou o público com a história do grupo de pessoas – incluindo
crianças, adultos e idosos - que se perdem em uma ilha deserta, são dadas
como mortas e retornam ao Rio de Janeiro para reaver suas vidas.
Impossível esquecer as confusões armadas pela riquinha Jô Penteado (Christiane
Torloni) e sua paixão pelo professor Fábio (Nuno Leal Maia), um simpático
viúvo, pai de dois incríveis “pestinhas”; das crises de urticária da mimada
e entojada Paula (Fátima Freire); das armações da vilã Glaucia (Bia Seidl);
do amor proibido de Lenita (Deborah Evelyn) e do ex-malandro Edson (José
Mayer); do hilário casal Gugu (Cláudio Correa e Castro) e Tetê (Marilu
Bueno); e sem falar no apaixonante trio de falsários da trama: o falso cego,
o falso velho doente e o falso conde. Não à toa, a trama foi reprisada duas
vezes no Vale a pena ver de novo: em 1989 e 2001.
Outro
grande sucesso do horário foi visto em 1988, com a novela Fera Radical,
de Walther Negrão. Na época, o autor quis fazer uma segunda versão de um
antigo sucesso seu da década de 70, exibido no horário das 20h com o título
Cavalo de aço. Trocando o sexo do protagonista – de Tarcísio Meira
para Malu Mader -, a trama ganhou um figurino mais moderno, misturando
rodeios, motos e computação – o que atraiu um novo público, mais jovem. Numa
trama paralela, havia um grupo de estudantes de Agronomia que agitavam com
grandes festas e namoros a pequena cidade onde se passava a trama. Essa
novela ficará sempre marcada por ter sido o último trabalho da atriz Yara
Amaral, que faleceu na tragédia do navio Bateau Mouche, no réveillon de 1989
– um mês após o fim da trama, onde deu vida à grande vilã Joana.
Já a
década de 90 foi marcada por uma grande transformação cultural, social e
científica. E a novela Barriga de Aluguel ilustrou com primor essa
transição, ao trazer pela primeira vez no horário uma grande polêmica -
inicialmente, a novela seria exibida no horário das 20h, mas, depois de
várias tentativas frustradas, caiu para o horário mais cedo. Em sua estréia
como autora de novelas titular, Glória Perez lançou mão da inseminação
artificial para trazer à tona a discussão sobre quem tem o direito sobre a
criança gerada por meio de uma mãe de aluguel. O drama das duas mães
(Cláudia Abreu e Cássia Kiss) e a disputa pelo pequeno Carlinhos rendeu 243
capítulos, transformando esta na maior novela exibida pela Rede Globo nos
últimos 30 anos. E, apesar do título sugestivo, não houve “barrigas” nem
excesso de tramas paralelas, como temos visto ultimamente...
Em
1994, o tetracampeonato do Brasil na Copa do Mundo foi marcado pelo clima de
sol, forró e romance que encheram a tela no horário das seis por meio da
novela Tropicaliente. Tendo a paradisíaca Fortaleza como cenário,
Walther Negrão retornou com outro grande sucesso do horário, seguindo a
fórmula citada anteriormente para atrair um público mais jovem. A trama
central girava em torno do triângulo amoroso formado pelos maduros
personagens de Silvia Pfeifer, Herson Capri e Regina Dourado. Entretanto,
quem roubou a cena foi a turma jovem formada por Carla Marins, Selton Mello,
Paloma Duarte e os novatos Carolina Dieckmann e Márcio Garcia.
O
final da década de 90, na virada do milênio, foi marcado pelo retorno da
Globo às suas origens, ou seja, as novelas das seis voltaram a trazer
grandes folhetins de época. E, para isso, nada melhor que trazer Gilberto
Braga, o autor que iniciou o horário, assinando uma das melhores novelas de
época que a TV já produziu: Força de um desejo. Inspirada em três
romances de Visconde de Taunay - A Retirada de Laguna, Inocência
e A Mocidade de Trajano -, a trama começa contando, bem à moda dos
folhetins românticos tradicionais, a história de um romance impossível que,
a partir do assassinato de um dos personagens principais, ganha também ares
de história policial, com suspeitos, investigações, pistas falsas, mortes
misteriosas e reviravoltas surpreendentes.
Tudo isso ambientado na segunda metade do século XIX, onde várias mudanças
políticas e econômicas estavam em andamento no Brasil. Sem falar do texto
primoroso, na trilha sonora clássica e no figurino e cenário rebuscados, o
grande destaque desta novela foi o elenco primoroso, encabeçado por Malu
Mader, Fábio Assunção, Cláudia Abreu e Selton Mello, com participação
especialíssima de Sônia Braga nos primeiros capítulos. Embora não tenha sido
um grande sucesso de audiência, Força de um desejo teve 226 capítulos, quase
tão longa quanto Barriga de Aluguel.
Para
fechar o sexteto de inesquecíveis novelas das seis, chegamos ao último
grande sucesso do horário: Alma Gêmea, que foi ao ar em 2005, escrita
por Walcyr Carrasco. Essa trama de época ambientada na década de 40 trata do
assunto reencarnação com muito romantismo – a trama central, do amor de
Rafael (Eduardo Moscovis) e Serena (Priscila Fantin), a reencarnação de sua
amada Luna (Liliana Castro) e as artimanhas da vilã Cristina (Flávia
Alessandra) são típicos de um dramalhão mexicano - e humor – afinal, quem
roubou a cena foram os irmãos caipiras Mirna (Fernanda Souza) e Crispim
(Emílio Orciolo Neto). A trama será reapresentada, a partir de agosto, no
Vale a pena ver de novo.
E você, leitor? Concorda que estes são as seis melhores das seis de todos os
tempos? E, se concorda, qual delas, na sua opinião, é a melhor? Comente!
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