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A
realidade nua e crua (nada de peneiras para tampar o real)
Por: Mary Ellen Farias dos
Santos
Em outubro de 2005
O que dizer de um jornalista sagaz e que desempenha muito bem a sua
profissão? Caco Barcellos dá conta do recado e (re)publica o melhor livro na
área de jornalismo: Rota 66: A História da Polícia Que Mata.
Ambientação e uma narração perfeita.
Rota 66: A História da Polícia Que Mata, de Caco Barcellos é
definitivamente o melhor livro jornalístico escrito por um brasileiro. Sei
que é errado elogiar e perder-se em adjetivos, mas é praticamente impossível
não falar positivamente sobre esta obra que tem cada palavra no seu devido
lugar.
Para melhor explicar a minha definição incluo aqui o parágrafo inicial do
livro, capítulo 1 - A Perseguição. "A Veraneio cinza nunca esteve
tão perto. A 200, 300 metros, 15 segundos: a sirene parece o ruído de um
monstro enfurecido. Os faróis piscam sem parar. O farolete portátil de 5 mil
watts lança luzes no retrovisor de todos os carros à frente. Os motoristas,
assustados, abrem caminho com dificuldade por causa do trânsito movimentado
nesta madrugada de quarta-feira, no Jardim América. A Veraneio, com manobras
bruscas, vai chegando perto, cada vez mais perto dos três homens do Fusca
azul. Eles estão na Maestro Chiafarelli e têm à frente uma parede de
automóveis à espera do sinal verde para o cruzamento da avenida Brasil".
Muito fala-se que ao conhecer alguém, são os primeiros segundos que definem como
será tal relacionamento. Contudo, este livro já no primeiro parágrafo
agarra o leitor de tal maneira que o não dá brechas de um afastamento, mesmo
que este seja de curto tempo. A narrativa de Barcellos é descritiva, porém
sem repetições, apenas reveladora. A cada palavra lida e aprofunda-se na
cruel história da polícia e dos bandidos.
A publicação da Editora Record traz a apresentação de Narciso Kalili, datada
de 6 de agosto de 1992, a qual diz: "Caco Barcellos é um jornalista que tem
lado. Aliás, lado que ele, desde o começo da carreira, no Rio Grande do Sul,
nunca escondeu. Um lado que continua o mesmo - o dos mais fracos, o das
vítimas". Tendo lido isto, não é difícil perceber qual o rumo de Rota 66.
Este best-seller pode sem dúvida nenhuma ficar ao lado de grandes obras
jornalísticas muito conhecidas como por exemplo, Fama e Anonimato, de
Gay Talese e o polêmico A Sangue Frio, de Truman Capote. Caso
entrasse em detalhes da escrita de Caco levaria dias e dias analisando-a,
sei que este não é o intuito desta resenha, mas deve-se levar em conta que
muitos podem tentar seguir seus passos no rastro, mas seria uma tarefa tão
árdua que praticamente impediria a qualquer um, mesmo que este tenha a maior força de vontade de ser o
novo Caco Barcellos. No entanto, para começar a engatinhar nesta escrita
envolvente nada melhor do que perder-se na leitura de Rota 66: A História
da Polícia Que Mata e Abusado: O Dono do Morro Santa Marta.
Aproveite e boa leitura!
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Livro: Rota 66: A História da Polícia Que Mata |
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Autor:
Caco Barcellos |
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350 páginas |
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Editora: Record |
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