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O
real, o imaginário e as lembranças
Por: Mary Ellen Farias dos
Santos
Em novembro de 2005
A estética da capa de O Esplendor de Portugal é bastante simples,
apesar da cor bastante chamativa. No entanto, o diferencial deste não está
fora, mas sim em seu interior, isto é, o texto do escritor português
António Lobo Antunes.
Neste, o 13º romance de Antunes, o belo e o cruel de Angola, África, são
retratados de maneira inteligente. Outro ponto interessante é o jogo com o
leitor, seja na questão do narrador ou nas disposições de certos trechos da
obra.
Com um "Q" de Roberto Drummond, Lobo Antunes inclui em sua história
personagens com bastante veracidade e outros pouco ficcionais. A história é
de uma família de portugueses, brancos, abastados, que vivem do plantio do
algodão em Angola.
O pai, por azar dos filhos, é um pobre coitado, alcoólatra e completamente
fraco. Sua mulher tenta sobreviver, pois seus três filhos são criados em
meio a violência do preconceito. Em meio a flashbacks o leitor
conhece estes filhos: o primogênito Carlos, bastardo e mestiço, Clarisse,
uma mulher completamente mundana e Rui, epiléptico que sempre está internado
em um hospício.
Tudo (aparentemente) começa em 24 de dezembro de 1995, da seguinte maneira:
"Quando disse que tinha convidado os meus irmãos para passarem a noite de
Natal conosco / (estávamos a almoçar na cozinha e viam-se os guindastes e os
barcos a seguir aos últimos telhados da Ajuda) / a Lena encheu-me o prato de
fumaça, desapareceu na fumaça e enquanto desaparecia a voz embaciou os
vidros antes de se sumir também / - Já não vês os teus irmãos há quinze
anos".
Um leitura bastante diferente das que muito (para não se dizer, sempre) se
vê por aí. Não há como negar o quanto é difícil ler este livro de uma
"tacada" só, mas é ainda mais fácil dizer que apesar da dificuldade, o texto
e seu contexto são fatores primordiais que seguram e chamam o leitor para
dentro da obra, criando rapidamente um vínculo entre leitor e obra. É
simplesmente fantástico mergulhar neste universo de lembranças e versões de
uma mesma história. Por tanto seja rápido, aproveite e arrisque-se nesta boa leitura!
O autor: António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 1942. Licenciou-se
em Medicina, exerceu a Psiquiatria e participou da Guerra Colonial de Angola
até render-se à literatura e tornar-se escritor aclamado pela crítica.
Recebeu diversos prêmios literários conceituados. Desde que publicou seu
primeiro romance, Memória de elefante, em 1979, vive da literatura.
Entre seus livros mais importantes estão: Fado alexandrino, Auto
dos danados, A ordem natural das coisas e Manual dos
inquisidores.
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Livro: O Esplendor de Portugal |
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Autor:
António Lobo Antunes |
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382 páginas |
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Editora: Rocco |
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