Dois em um. Quando o "2 em 1", iniciou-se no mercado, tornou-se febre.
Atualmente, é quase que impossível (não disse impossível) encontrar produtos
deste tipo, pois a população no geral, não interpreta bem tal produto,
classificando-o como de qualidade ruim. Em contraponto, partindo para o mercado editorial,
dois livros em um, agrada bastante o público. Chinês Com
Sono; seguido de Clones do Inglês, de Leonardo Fróes não foge à regra e
torna o "2 em 1" (do mercado editorial) ainda muito mais agradável.
Contudo, de acordo com o autor, este é um livro de face dupla.
É de grande contento também encontrar no mercado dos livros publicações
compostas de poesias, abordando os temas dos mais variados. A nova obra de
Leonardo Fróes não joga com as rimas, apenas chama cada palavra para
participar de seus ricos e diferentes versos, principalmente na primeira
parte da obra, intitulada de Chinês com sono. Neste trecho do livro,
o autor, reúne a sua mais recente safra de poemas.
Alguns poemas da primeira parte do livro são inspirados no legado de grandes
sábios chineses do século VIII ao XIII, como Lu-Yu, Chih-Yuan e Wang-Wei. O
melhor da viagem ao oriente é o fato de ter Fróes como companhia, já que
este, tem grande interesse por contos e lendas orientais.
No entanto, o autor não presenteia seus leitores somente com suas produções. Outro
presente do autor está em Clones do Inglês, tradução da poesia de
grandes escritores de língua inglesa do século XVI ao XX, pois quase todos
os textos selecionados permaneciam até agora sem tradução para a língua
portuguesa.
Dentre as traduções, estão as poesias de Jonathan Swift, Emily Brontë, e. e.
cummings, Thomas Hardy, Thomas Wyatt e outros mestres da literatura inglesa.
O melhor do que pode haver neste livro é o fato de que cada poesia ter um
certa ligação em sim, até mesmo a traduzidas, pois em geral tem como tema os
mais complexos sentimentos. Pegue uma carona neste leitura e faça um viagem
ao interior humano e da natureza!
:: Mais sobre...
Leonardo Fróes *
COMPROMISSOS NO CENTRO
Cada pessoa na multidão compacta,
que anda como um conjunto de elos
perdidos, mantém-se uma pessoa fechada
andando para evitar conflitos.
Variam compromissos e esbarros, mas esse
ir e vir alucinado é que afinal deveria,
hoje, nos fazer mais irmãos. Porém no embolo
são muitos os semblantes hostis,
desconfiados, taciturnos.
Tem pressa a multidão que decorre
do império da necessidade ou da sede
de movimentação pura e simples. E tem
medo. Mas não se agarra. Desliza
e os corpos, como pacotes moventes,
como esferas que rolam, não se encontram.
Em cada face às vezes se reflete
(pura impressão de minha parte) essa idéia
de que andar juntos assim mas tão distantes,
cada qual em seu mundo, só permite
fazer maior a solidão de todos.
* Poesia de
Chinês Com Sono; seguido de Clones do Inglês, de Leonardo Fróes, Editora
Rocco, página 91
Livro: Chinês Com Sono; seguido de Clones do Inglês Autor: Leonardo Fróes
160 páginas Ano: 2005 Editora:Rocco