Em O Golpe de 64 e a Ditadura Militar, Júlio José Chiavenato saúda o
leitor com uma frase do político francês Jean Jaurès: Só pode haver
revolução onde há consciência. É assim, que o leitor 'tem uma idéia' do
teor de toda obra, que retrata um período de violência política, tortura,
mortes e perseguições a todo tipo de ser humano que batalhasse pelos seus
direitos em uma época de repressão total a toda e qualquer forma de pensar e
expressar que não seguisse os moldes dos militares.
Na introdução Chiavenato fala: "Entre 1964 e 1984, a ditadura no Brasil
destruiu a economia, institucionalizou a corrupção e fez da tortura uma
prática política. Envileceu a nação e abalou o caráter brasileiro. Alienou
as novas gerações, tornando-as incapazes de entender a sociedade em que
vivem".
Aqui percebe-se que o pesquisador consegue descrever o passado e o presente
em um único parágrafo. É no passar das páginas que pode-se saber a fundo o
que aconteceu, há 40 anos, período de ditadura militar. Época em que muitos
jovens do século XXI nem se quer sonhavam em estar aqui, e muito menos fazer
parte de uma juventude desorientada e sem motivos para retrucar e exigir os
seus direitos.
O livro que está dividido em 12 capítulos comenta as incoerências dos
presidentes, os momentos de conspiração contra João Goulart, o Golpe, a
desnacionalização, a prática política da ditadura, a linha dura no poder, a
política econômica do regime militar, a repressão e a luta armada. No
decorrer do livros muitas siglas são citadas, mas nem neste detalhe o autor
peca, pois há um glossário de siglas, desde A-2, Serviço Secreto da
Aeronáutica a VPR, Vanguarda Popular Revolucionária.
O Golpe de 64 e a Ditadura Militar é mais do que uma aula de história
em formato de livro. É um registro da história que não deve ser esquecido,
mas estudado e 'relembrado' para todos possam entender os motivos de tantas
indiferenças para com a população durante as trocas de governos, a plena e
total corrupção.