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A
fé acima de qualquer barreira
Por: Mary Ellen Farias dos
Santos
Em março de 2006
O mágico da escrita infantil e juvenil. O autor do muito conhecido, As
Crônicas de Nárnia, C. S. Lewis, certamente pode encaixar-se nesta breve
definição quando a análise em questão é a sua escrita. Em contraponto, C.
S. Lewis: O Mais Relutante dos Convertidos, de David Downing (tradução
de Almiro Pisetta e Fernando Dantas), tem como assunto em questão a fé
cristã do escritor, além de informar sua jornada pessoal, isto é, apresenta
o lado intelectual e espiritual de Lewis.
O escritor irlandês, amigo de J. R. R. Tolkien (autor de
O Senhor dos Anéis), apesar de ter escrito muitas de suas histórias regadas
em suas influências religiosas, teve uma adolescência de dúvidas, chegando a
ser ateu. Ainda em seus 17 anos, disse a um amigo: "Não acredito em nenhuma
religião. Não existe absolutamente prova alguma para nenhuma delas e, do
ponto de vista filosófico, o cristianismo nem mesmo chegar a ser a melhor".
Interessante não?
Creio que a pergunta agora seja: Como ele mudou de opinião? A mudança de
fato foi drástica, pois apesar dos pesares, sua falta de fé mostrava-se
grande. "Logo após o final da 1ª Guerra Mundial, Lewis um veterano ferido,
gabava-se de que enquanto esteve nas trincheiras 'nunca descera tão baixo a
ponto de orar'. Quase na mesma época, esbravejou a um amigo religioso: 'São
demais as coisas que você aceita como verdadeiras. O problema é que você não
pode começar com Deus. Eu não aceito Deus!'". Frase forte para se dizer. Não
que tenha algo contra os ateus. Digo isto pelo fato de que anos mais tarde,
ele transformou-se em um grande escritor cristão.
Como assim? De acordo com Downing, "o homem que o Papa João Paulo II
escolheu para aclamar como defensor habilidoso da fé, só retornou à sua fé
de infância quando atingiu a casa dos 30 anos". Resultado: C.S. Lewis
tornou-se no "mais abatido e relutante convertido de toda a Inglaterra".
Ok. A transformação religiosa do escritor, que teve a vida adaptada para os
cinemas, em Terra das Sombras (com Anthony Hopkins e Debra Winger), aconteceu de maneira gradativa.
Não foi com a morte de seu pai, em setembro de 1929, que ele recuperou a fé.
"Todavia, esse período de cura espiritual foi quase certamente reforçado e
aprofundado pela cura emocional que ocorreu durante o último mês da vida de
Albert Lewis (o pai)".
Na maturidade, ou melhor por volta de seus 50 anos, Eustace Clarence Scrubb,
o garoto que aos 4 anos mudou seu nome para Jacksie, o qual, com o passar do
tempo tornou-se, Jack, casou-se com Joy Davidman, sendo que posteriormente a
perdeu para o câncer, após três ano de matrimônio. "Nessa perda trágica, há
ecos assustadores da outra grande provação na 'terra das sombras' da vida de
Lewis, a perda de sua mãe, também para o câncer, aos 46 anos de idade,
quando Lewis tinha 9 anos".
Sabe-se que Lewis escreveu um tratado defendendo os milagres, embora sua
história de vida (espiritual) tenha sido até mais eloqüente que seu conjunto
de obras. Não entendeu? Em suas obras, ele simplesmente usou de sua mente
perspicaz e de suas emoções, combinando com muita bondade.
A obra publicada pela Editora Vida conta com prefácio, introdução, epílogo,
assim como títulos das obras de Lewis. O livro dividido em oito capítulos,
conta com 202 páginas para: "A felicidade malsegura da infância", "O
território da meninice", "Simples ateísmo no início da adolêscencia", "A
masmorra de uma alma dividida", "Dualismo durante os anos da Guerra",
"'Desregrado apetite espiritual' e o fascínio do oculto", "Idealismo e
panteísimo na década de 1920" e "A descoberta da verdade nas velhas
crenças".
Não há dúvidas de que este livro deve ser lido por todos que gostam de
dedicar o seu tempo ao que acrescenta, inclusive aqueles que estão na
"corrida" ao volumoso As Crônicas de Nárnia, pois, certamente, é
melhor conhecer as tendências e um pouco da vida de seu autor, antes de ler
suas famosas obras.
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Livro: C. S. Lewis: O Mais Relutante dos Convertidos |
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Autor: David Downing |
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Categoria: Biografia |
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Tradução: Almiro Pisetta e Fernando Dantas |
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202 páginas |
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Ano: 2006 |
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Editora: Vida |
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