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Enredo
sem grandes surpresas não compromete a qualidade Assassinatos na Academia
Brasileira de Letras
Por: Mary Ellen Farias dos
Santos
Em abril de 2006
Uma vez humorista, sempre humorista. Dois sucessos literários, sendo que o mais
novo
livro, como diz-se, popularmente, "está na boca do povo". Sim. Assassinatos na Academia Brasileira de
Letras, de Jô Soares, publicado pela Editora Companhia de Letras deu
o que falar (e continua gerando muito assunto a cerca da obra em si, alguns
comentários positivos, outros nem tanto), seja
na mídia ou entre os leitores em geral. Também pudera, a própria Companhia
de Letras criou um grande suspense antes de colocar a obra nas
prateleiras das livrarias de todo o Brasil.
Em seu terceiro livro, Jô, novamente faz brincadeiras das mais variadas,
seja na escrita, no enredo, e uma das melhores, brinca com os nomes, como
por exemplo, um senador Belizário Bezerra e a atriz, estrela da peça
Alô... Quem Fala?, Monique Margot. Neste jogo com as palavras, Jô usa e
abusa da multiplicidade de gêneros.
De fato, o enredo segue o "lado" policial, que está implícito no título do
livro. Contudo, o autor não tenta ser um novo escritor deste gênero
literário. Como? Nesta obra Jô Soares não segue os passos de Agatha Christie Mallowan (Agatha Christie), pelo contrário ele segue outro viés: o das
intrigas. O jornalista e escritor, reconstrói o Rio no período de 1924.
Contudo, o uso da verossimilhança dá ainda mais aprimoramento ao romance.
Um exemplo são as referências aos grandes prédios. Dentre estes está o Petit Trianon, no
Castelo, que fora presenteado aos imortais pelo governo da
França. Resultado: Tudo concorre para que o leitor seja surpreso (me refiro
às confusões da fictícia ABL), principalmente pela riqueza em detalhes, a
qual compõe uma pesquisa histórica
bastante interessante.
Não espere uma trama cheia de altos e baixos e revelações escabrosas, pois
esta é simples, o que não põe em cheque a qualidade da obra (pelo menos na
minha opinião). A diferença de Assassinatos na Academia Brasileira de Letras
é que o autor, com inteligência (afinal qual autor do gênero policial
criaria um enredo para que o leitor chega-se até o verdadeiro assassino),
faz com que o leitor, depare-se com várias pistas, descubra qual é a verdade
e identifique o criminoso.
Caso queira saber quem é o assassino. Tenho certeza que não devo dizer, nem
que por um decreto, pois este livro deve ser lido, sim. Há alguns momentos
em que o leitor tem um outro livro
dentro de Assassinatos na Academia Brasileira de Letras. Ainda
pergunta-se por que lê-lo? Respondo eu. Pelo simples fato deste ser
diferente dos tantos outros livros policiais. Complicado? Creio que não.
Impossível? Não, na escrita de Jô Soares tudo é possível, mesmo porque todo imortal tem um
bom motivo para querer que a
vida de seu colega não seja tão duradoura assim.
A verdade é que muitos jornalistas e leitores tacharam tal obra como vazia e
previsível. Acredito que o que mais vale em um livro é ter um texto fluente
e interessante. E estes ingredientes são bem fortes na história de Assassinatos na Academia Brasileira de Letras.
Como ter um texto melhor que o enredo? Simples. A grande cartada fica por
conta das intrigas de bastidores de uma ABL 100% fictícia e seus homens de
fardão que brincam de detetive. Creio que o maior dos problemas seja a
pequena quantidade de suspeitos para ser o verdadeiro criminoso, porém o
livro não é fraco, não. Tenho certeza que o melhor a ser feito é conferir a
obra e tirar as próprias conclusões!
Sobre o autor: Nasceu no Rio de Janeiro, em 1938. Comediante,
humorista e dramaturgo, é também um dos mais importantes entrevistadores da
televisão brasileira. Obras publicadas: O astronauta sem regime; O
humor nos tempos do Collor (com Luiz Fernando Veríssimo e Millôr
Fernandes).
Obras traduzidas no exterior: El xangô de Baker Street.
Espanha, Editiones Siruela, 1996; A samba per Sherlock Holmes.
Itália, Einaudi, 1996; O xangô de Baker Street. Portugal, Editorial
Presença, 1996; Candomble, caipirinha y Sherlock Holmes. Argentina,
Editorial Atlántida, 1996; Élémentaire, ma chère Sarah! Canadá, Les
Éditions Quebecor, 1997; Élémentaire, ma chère Sarah! França,
Editions Calmann-Lévy, 1997; Élémentaire, ma chère Sarah! França,
Calmann-Lévy (pocket), 1997; A samba for Sherlock. EUA, Pantheon
Books, 1997. Sherlock Holmes in Rio. Alemanha, Insel Verlag, 1997;
Sherlock Holmes in Rio. Alemanha, Suhrkamp Verlag, 1998; Elementair,
mijn beste Sarah! Holanda, Samenwerkende Uitgeverijen, 1998; L'uomo
che matou Getúlio Vargas. Itália, Einaudi, 1999; O homem que matou
Getúlio Vargas. Portugal, Editorial Presença, 1999; L'homme qui tua
Getúlio Vargas. França, Calmann-Lévy, 2000.
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Livro: Assassinatos na Academia Brasileira de Letras |
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Autor: Jô Soares |
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254 páginas |
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Ano: 2005 |
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Editora: Companhia de Letras |
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