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Expresso
para a última chance
Por:
Helder Moraes Miranda
Em fevereiro de 2007
De volta em um romance imprevisível, Marian Keyes questiona: você já pensou
no que fazer se tivesse uma última chance para ser feliz?
Você já pensou no que fazer se tivesse uma última chance para ser feliz?
Diga-me uma coisa: teria coragem, ao menos uma vez, de largar um emprego que
não realiza, correria atrás de quem você ama, investiria mais em seu
casamento, tentaria se aproximar de seu pai, pediria perdão a alguém?
É com esse mote que a escritora irlandesa Marian Keyes lança o quinto livro
publicado no Brasil pela Bertrand Brasil. É Agora... ou Nunca (no inglês,
Salão da Última Chance). É, de longe, seu melhor romance e o mais
imprevisível, em que a escritora ousa abordar temas mais densos –
engajamento que passou a adotar à partir de Sushi, quando retratou a questão
dos moradores de rua – como legalização do aborto, homofobia, e problemas
ocasionados pela obesidade.
Tudo isso pela ótica de Katherine, Fintan e Tara, três amigos na faixa dos
trinta e poucos anos. Todos acreditam estar na fase do “é agora ou nunca”.
Profissionalmente bem-sucedidos, eles continuam a viver sem que nada
significante aconteça, até que Fintan – homossexual bem resolvido e o único
do trio a viver uma relação satisfatória – manifesta um raro tipo de câncer
e faz uma chantagem emocional às amigas: como ele não tem certeza se
sobreviverá a doença, quer que elas vivam intensamente e da melhor forma
possível.
Só que atender ao pedido inusitado do amigo que está em risco de morte
significa, para Katherine, ceder às investidas do publicitário belo e nada
confiável Joe Roth. Já para Tara, a solicitação fora de hora representa o
abandono de um relacionamento sem futuro, que só lhe faz mal. Levar o pedido
de Fintan às vias de fato seria fácil, se Katherine não escondesse tanta
insegurança por trás de uma imagem de mulher forte e reservada, e se Tara
tivesse se recuperado de uma rejeição de um namorado anterior ao atual. O
problema é que, enquanto elas adiam a decisão, o estado de saúde de Fintan
piora e o sentimento de culpa se agrava. Agora elas têm pouco tempo para
atender e, por que não, salvar o amigo?
Neste livro, não faltam semelhanças com as obras anteriores e, nesse
contexto, depressão, decepção amorosa, relacionamento traumático com a mãe à
partir da infância, vícios, mudança de comportamento, vingança e, claro, a
volta por cima, tornam-se mais uma vez assuntos recorrentes. Tudo muito
calculado para que leitores se identifiquem.
Contudo, com todas essas características folhetinescas de mais um livro da
autora de Melancia, Férias!, Sushi e Casório?! deve-se advertir que Marian
Keyes é Marian Keyes, então não espere por bobagens na sua leitura. Sim, ela
é entretenimento puro, de uma maneira que acrescenta, mas é também
auto-ajuda.
Embora aborde temas difíceis, todos de uma tacada só, É Agora... ou Nunca
passa longe do dramalhão e não perde o ritmo. O humor fica por conta das
inúmeras tramas paralelas, como a de Lorcan Larkin, ator fracassado que
destrói o coração de donzelas casadouras, a de Liv, sueca apaixonada por um
homem casado, e das confusões da família caipira e conservadora de Fintan,
que chega a Londres para visitá-lo.
Pelo menos um personagem parece solto na trama mas, no final, o leitor irá
reparar que ele sempre esteve, desde o início, bem amarrado nas reações e
atitudes de um dos protagonistas. Talvez esse personagem seja a causa de
tudo. Quando você ler, entenderá o que escrevi. Afinal, alguém pode me dizer
por que quem um dia rejeitou pode influenciar tanto nos próximos passos de
quem levou um fora?
Só não entendi porque trocar um título tão poético como Salão da Última
Chance por um simplista como É Agora... ou Nunca. Enfim, o livro é
excelente. Se houver uma denominação superior a excelente é esta. Garantia
de divertimento e grandes doses de emoção. Ideal para quem procura romance –
no sentido literal, e no sentido de uma publicação ficcional mesmo – de
primeira.
Cinco livros e Top
5 das semelhanças nos romances de Marian Keyes
FORAS FEDERAIS
Acima do peso, Claire (de Melancia), é abandonada pelo marido no dia do
nascimento da primeira filha. Rachel (de Férias!), irmã de Claire (de
Melancia), foi abandonada pelo namorado, após uma overdose. Lisa (de Sushi),
é abandonada pelo marido após ele descobrir que ela continuava tomando
anticoncepcionais por priorizar a carreira. Ashiling (de Sushi) é trocada na
adolescência e na fase adulta pela melhor amiga. Lucy (de Casório?!) é
dispensada por Gus, mas está disponível sempre que ele a quer de volta. Um
fora federal poder ser o motivo de Katherine (de É Agora... ou Nunca) Ter
tanto pé atrás com homens, digamos, heterossexuais. Tara (de É Agora... ou
Nunca) viu seu relacionamento ir por água abaixo quando falou em casamento
com o namorado. Meses depois, ele estava casado com outra.
DEPRESSÃO
Após ser abandonada pelo marido Claire (de Melancia) passa por momentos de
depressão, bebedeira e choro. É essa a sensação de Rachel (de Férias!),após
ser internada a força em uma clínica de reabilitação. Americana, Lisa (de
Sushi) sente-se deprimida após ser obrigada a assumir o lançamento de uma
revista na Irlanda, país que considera inferior aos Estados Unidos. A doença
manifesta-se em Ashling (de Sushi), após o namorado trocá-la pela melhor
amiga. Lucy (de Casório?!) é capaz de ficar semanas deitada em uma cama, sem
querer se levantar. Em É Agora... ou Nunca a comida é a fuga de Tara para
esse sentimento, reativado principalmente quando está com o namorado. Toda
organização de Katherine, do mesmo livro, também pode ser um sintoma da
doença.
PROBLEMAS COM A MÃE
Rachel (de Férias!) tem, assim como Katherine (de É Agora... ou Nunca), que
odeia tanto o jeito liberal de sua progenitora mãe que tenta fazer tudo
diferente. A de Ashling teve depressão, por esse motivo a moça guarda sérios
traumas de infância e foge de sua progenitora como o diabo da cruz. Lucy (de
Sushi), de sempre culpou a mãe pela maneira como tratava seu pai alcoólatra.
AMIGAS TRAIÇOEIRAS
Egocêntrica, Clodagh (de Sushi) não hesita em roubar os namorados de
Ashiling quando se interessa por eles. Gus (de Casório?!) também trai Lucy
com algumas amigas dela.
VOLTA POR CIMA
Hum... Você só vai saber se ler os livros, mas foram vários. Aticei sua
curiosidade? Leia!
Trechos de
críticas sobre a obra de Marian Keyes NO MUNDO
“Marian Keyes alcançou o sucesso com romances que satirizam as
inseguranças e desventuras da mulher moderna... Graças a seu humor, ela
passa longe do tom boboca”.
Revista Veja
“A autora combina como ninguém o talento para a comédia com a capacidade
de perceber o cotidiano... sempre com clareza, simpatia e delicadeza”.
Publishers Weekly
“Sua narrativa é cheia de vida, e, graças aos seus livros, o mundo é um
lugar melhor”,
Irish Tatler
“O ilusório objetivo da felicidade é um tema com o qual Keyes tem grande
familiaridade, e é por isto que escreve sobre ele com tanta desenvoltura”
Observer
“Segue a mesma linha de humor de Nick Hornb e Helen Fielding. Mas a
irlandesa Marian Keyes consegue ser mais atrevida”.
Revista IstoÉ
“A jovem escritora está na crista da onda na Grã-Bretanha... a voz de uma
geração”.
Mirror
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