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Macabéa
repaginada
Por: Mary Ellen Farias dos
Santos
Em março de 2007
A fantástica história da nordestina Macabéa em edição de luxo, publicada
pela Editora Rocco, traz as desventuras cariocas deste "astro" em dois CDs
com texto integral do romance.
Um encanto de personagem que chega aos 30 anos. Macabéa, a alagoana,
protagonista de A Hora da Estrela, ganha merecida homenagem da
Editora Rocco. Como assim? A obra de despedida de Clarice Lispector, lançada
pouco antes da morte da escritora, em 1977, ganha edição especial, com novo
projeto gráfico e dois CDs contendo o texto integral do romance na voz do
ator Pedro Paulo Rangel e participação da cantora Maria Bethânia (narração
da dedicatória do autor).
A trama dupla conta os últimos dias de vida da jovem de 19 anos, Macabéa e
de Rodrigo S. M., o escritor da história que está condenado a uma doença
terminal, isto é, o alter-ego de Clarice Lispector, que diz: "Eu não
inventei essa moça. Ela forçou dentro de mim a sua existência. Ela não era
nem de longe débil mental, era à mercê e crente como uma idiota. A moça que
pelo menos comida não mendigava, havia toda uma subclasse de gente mais
perdida e com fome. Só eu a amo".
Este autor alter-ego com firmeza e riqueza de detalhes, relata a vida
triste e sem perspectiva desta moça que pontua sua vida de solitário e
silencioso desespero com as informações do Você Sabia? da rádio
Relógio, sinistro metrônomo a comandar o ritmo inútil de seus últimos dias
de vida.
Felicidade? Para Macabéa parece que isto não lhe é permitido, pelo menos em
vida. Quem era? Jamais soube, pois "se tivesse a tolice de se perguntar,
cairia estatelada e em cheio no chão. É que 'quem sou eu?' provoca
necessidade. E como satisfazer a necessidade? Quem se indaga é incompleto".
A alagoana chega a ser "tão tola que às vezes sorri para os outros na rua.
Ninguém lhe responde ao sorriso porque nem ao menos a olham".
Contudo, a vida estéril de Macabéa ganha um sopro de esperança e alegria
quando entra em cena a cartomante Carlota que lhe prevê uma maravilha: o
casamento com um estrangeiro rico. No entanto, "o que amadurece plenamente,
pode apodrecer". Eis que em sinistra ironia, Macabéa termina sob as rodas de
um automóvel de luxo: um Mercedes-Benz. Acontece a explosão final: A Hora
da Estrela.
É no decorrer de seus derradeiros dias de vida que a nordestina sofre
"explosões", iguais às estrelas. Este, que é um corpo de forma esférica,
formada por uma massa de gases incandescentes, mantidos juntos por sua
própria gravidade, ou seja, astro dotado de luz própria, observável sob a
forma de um ponto luminoso. O período de vida depende da massa e da
luminosidade: uma estrela muito luminosa pode ter vida de apenas um milhão
de anos, porém a idade máxima de nossa estrela, Macabéa, é de 19 anos.
"Faltava-lhe o jeito de se ajeitar. Tanto que (explosão) nada argumentou em
seu próprio favor quando o chefe da firma de representante de roldanas
avisou-lhe com brutalidade (brutalidade essa que ela parecia provocar com
sua cara de tola, rosto que pedia tapa), com brutalidade que só ia manter no
emprego Glória, sua colega, porque quanto a ela, errava demais na
datilografia, além de sujar invariavelmente o papel".
De fato, "que cada um a reconheça em si mesmo porque todos nós somos um e
quem não tem pobreza de dinheiro, tem pobreza de espírito, ou saudade por
lhe faltar mais coisa preciosa que ouro - existe a quem falte o delicado
essencial". Sem dúvidas, vale a pena conferir esta edição especial de A
Hora da Estrela!
FILME: A história de Macabéa foi transportada para o cinema pela
diretora Suzana Amaral em 1985, num filme hoje considerado clássico e que
foi consagrado como recordista de premiações no Festival de Brasília do
Cinema Brasileiro ao arrebatar 12 troféus. Além disso, revelou a atriz
Marcélia Cartaxo, consagrada com o Urso de Prata do Festival de Berlim de
1986, e foi um dos filmes nacionais mais vistos no exterior, por ter sido
vendido para mais de 20 países.
CDs: Para a versão em áudio dessa que é a obra máxima de Clarice
Lispector, foi escolhido o ator Pedro Paulo Rangel, consagrado como o maior
especialista brasileiro deste tipo de transposição do texto literário para o
teatro com a peça Soppa de Letra, idealizada e interpretada
por ele, com a qual conquistou o Prêmio Shell de Melhor Ator de 2004. Seu
magistral trabalho de leitura é complementado pela participação especial da
cantora Maria Bethânia, que narra a dedicatória do autor. Fã incondicional
de Clarice, a cantora, desde o começo de sua carreira, sempre intercalou a
leitura de trechos de livros da escritora às canções que interpretava em
seus shows.
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Livro: A Hora da Estrela |
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Autora: Clarice Lispector |
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120 páginas |
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Ano: 2006 |
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Projeto Gráfico: Isabel Barreto |
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Editora: Rocco |
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