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Devaneios ricos de modernidade literária
Por: Mary Ellen Farias dos
Santos
Em outubro de 2007
Adaptação de Dom Quixote publicada pela Editora Ática tem
apresentação da escritora Ana Maria Machado.
Um clássico da literatura escrito há 400 anos em linguagem acessível. Pode
parecer algo impossível de se encontrar nos dias de hoje, mas não é. Dom Quixote, de Miguel de
Cervantes, teve adaptação de Michael Harrison, publicada pela Editora Ática. Resultado: uma das
obras-primas da literatura universal de todos os tempos reduzida a 120
páginas sem perder a qualidade, além de ainda conservar a inovação de
Cervantes ao criar personagens comentando o próprio livro.
É claro que o mais aconselhável é ir em busca de exemplares originais ou
traduções desta obra, porém a falta de interesse dos novos leitores pode-se
perder e talvez, até fazer com que a leitura de Dom Quixote caia no
esquecimento. Então, nada melhor que lançar a isca ao peixe e assim, atiçar
a vontade e o prazer da leitura, iniciando-os no longo e fabuloso caminho da
fantasia por meio desta simples e empolgante adaptação.
Em Dom Quixote há um fidalgo admirador das histórias de cavalaria que após
tanto ler sobre os feitos dos cavaleiros medievais, ele decide se tornar um
cavaleiro andante e viver sua própria história como herói, apesar de estar
no século XVI. "O tio de Maria vivia numa aldeia de um canto empoeirado da
Espanha. Era um homem ossudo, de uns cinqüenta anos, o tipo de fidalgo às
antigas que ornamenta sua biblioteca com uma lança enferrujada e um escudo
bichado, artefatos que o ajudam a viver no passado. Ele não era casado,
naturalmente, mas acolhera a sobrinha em sua casa. Esta era uma moça
sensível, e tinha seus dezoito anos. Uma velha ama dispensava aos dois
cuidados de mãe. Os amigos que o fidalgo tinha na cidade eram as duas únicas
pessoas instruídas: Tomás, o padre, e Nicolau, o barbeiro".
No entanto, o nobre senhor queria mais da vida, apesar de estar numa idade
um tanto que avançada. Antes de sair em busca de aventuras medievais, ele ajeita sua
armadura que fica perfeitamente pronta (em sucata e papelão) e o poderoso Rocinante (seu cavalo, um decrépito pangaré).
A primeira partida de nosso herói não acontece como o planejado por Dom
Quixote de La Mancha. Por sorte, após viver uma desventura, o herói com o
corpo moído, encontra um homem da mesma aldeia em que vivia e este o ajuda a
chegar em casa. "A sobrinha e a ama ficaram muito contentes com sua volta.
Elas lhe tiraram a armadura, limparam suas feridas e o colocaram na cama. Lá
ele sonhou tais sonhos que as teriam assustado, se as duas pudessem ver o
que se passava em sua pobre cabeça machucada".
A solução de tudo? Fazer com que todos os preciosos livros de Dom Quixote
virassem cinzas. "Mais que depressa emparedaram e caiaram a porta de sua
biblioteca". Como qualquer lorde, Dom Quixote nada disse, pois ele
sabia que aquilo era uma obra de feiticeiro. "Ele haveria de sair pelo mundo
para procurá-lo e destruí-lo. Só então seus livros e sua biblioteca iriam
reaparecer".
Assim, o fidalgo espanhol parte em nova jornada, desta vez acompanhado por
Sancho Pança, um ingênuo lavrador. Sancho usa sua esperteza e "entra" nas histórias inventadas por
Dom Quixote, as viagens se sucedem sob a alucinação de quem deseja combater
as injustiças do mundo. Contudo, o lavrador que o acompanha mostra não ser
bobo como parece inicialmente, afinal, seu objetivo é o pagamento prometido
por Dom Quixote: uma ilha, só de Sancho.
A parte não tão divertida está na terceira expedição, pois os devaneios de
Dom Quixote simplesmente acabam, apesar de ainda ter em mente que precisa
salvar donzelas, vencer o Cavaleiro dos Espelhos e o Cavaleiro da Lua Cheia.
É no retorno final para casa que Dom Quixote descobre o quanto os livros são
perigosos, e diz: "Os livros deviam ser queimados numa grande fogueira para
evitar que desencaminhem as pessoas". Em contraponto o padre Tomás
argumenta: "A culpa não é só dos livros, mas sim da nossa fraqueza, que nos
faz acreditar naquilo que não deveria passar de um passatempo de uma noite
de inverno. Não existe nenhum livro tão ruim que não tenha algo de bom".
Miguel de Cervantes: Nasceu em 1547, em Alcalá de Henares, cidade
perto de Madri. Ainda jovem, viajou para a Itália e lutou contra os turcos
na batalha de Lepanto, ferindo-se na mão esquerda, que ficou inutilizada.
Aprisionado por piratas, só se libertou cinco anos depois. Mais tarde passou
a residir em Lisboa. Em 1580, voltou à Espanha e chegou a trabalhar como
cobrador de impostos. Devido a essa profissão, viajou por toda a Espanha,
conhecendo de perto as dificuldades de seus conterrâneos. Lançou a primeira
parte de Dom Quixote em 1605, obtendo sucesso imediato. Em 1615 publicou a
segunda parte do livro. Morreu no ano seguinte, muito conhecido mas ainda
sem recursos.
Dom Quixote publicado pela Ática: Faz parte da coleção O Tesouro
dos Clássicos Juvenil que apresenta algumas das obras mais importantes
da literatura mundial, adaptadas para o leitor jovem. A edição brasileira
não se resume apenas ao texto adaptado e apresenta uma seção, "Por trás da
história", ricamente ilustrada, com informações sobre o autor e seu contexto
histórico. A coleção conta também com Odisséia, de Homero. Sua
coleção-irmã lançou: O Tesouro dos Clássicos, tem livros mais curtos e conta
com os títulos: O médico e o monstro, Ali Babá e os quarenta ladrões e A
ilha do tesouro. As três publicações ganharam o prêmio "Altamente
recomendável", categoria Tradução Criança, dado pela FNLIJ/2002.
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Livro: Dom Quixote |
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Autor: Miguel de Cervantes |
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Adaptação: Michael Harrison |
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120 páginas |
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Ano: 2003 |
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Ilustração: Victor
G. Ambrus |
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Coleção: O Tesouro
dos Clássicos Juvenil |
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Editora: Ática |
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